Quando meu carro foi furtado lá na Urca minha mãe se apressou a me enfiar em outra prestação. Na época, todo mundo parabenizou: Há males que vem para o bem, não é isso, senhores otimistas? Acabei com um carro melhor, mais novo… A primeira vista realmente um lucro.
Ilusão. Essa foi apenas mais uma mala que veio de trem e vai custar a cumprir seu trajeto até a reta de chegada.
Sim, eu me lembro que na época deveria cumprir Urca/Manguinhos em 30 minutos e isso, com o nosso atual transporte coletivo é inimaginável.
Ainda assim deveria ter pensado melhor. Tivesse esperado mais um mês a Tamoio teria falido e a Fiocruz, não firmado nenhuma das suas promessas profissionais comigo. Conclusão: Hoje teria menos dívida a pagar.
O problema é que ainda impera no país a cultura popular de entrar no financiamento primeiro para ver como pagar depois.
E tem aquela coisa também de ter que fazer o milagre, sabe? Ah, levaram os anéis, mas Deus devolverá em dobro. É. Pode ser. Mas a gente também tem que ter um pouco de juízo, sabem? Quem sonha com um carro de 40 mil reais, por exemplo, pode esperar três anos (ou até menos quem sabe) e pagar à vista, sem financiamento.
O cliente vai precisar investir 1.000 reais por mês em um fundo de renda fixa. Com rendimento de 0,8 por cento ao mês, após 3 anos, lá estarão os 40 mil. No caso de um financiamento, o carro, sem entrada, terá juros acima de 2 por cento ao mês. No fim das contas e dos mesmos 3 anos, terá sido gasto 85 mil reais, mais que o dobro.
Pode ser que algumas emergências e o salário de fome que a gente ganha deixe você investir um pouco menos mês ou outro, mas não haverá o aperto que eu passo, dispondo de quase metade do meu salário com um bem que se deprecia a cada vez que o tiro da garagem.
Andar a pé ninguém merece, como eu mesma disse transporte coletivo é inimaginável, mas o sufoco que vou passar até o final de 2016 (e o meu carro nem vale 40 mil) por causa de um ato otimista, não compensa todo o prejuízo que assumi.
Pensem nisso!
Isso que vc descreveu, é Engraçadão falando, escritinho!
Mas tá certo. Eu sou do povão e pago o dobro. Infelizmente e sem poder.