Câncer não mata sozinho

Se perguntarmos a um médico o que vem a ser um câncer, provavelmente ele vai explicar que trata-se do crescimento desordenado, e sem motivo aparente, de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo, o que conhecemos comumente como metástase.

Para o paciente, uma doença penosa que muitas vezes leva a deformidades ou mutilações, além da redução da alto-estima não só pelo que vêem no espelho, mas pelos efeitos colaterais dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia… Uma via-crúcis que todo mundo, se não viveu (ou conviveu), já ouviu falar.

 O que ninguém fala é que o mal afeta toda a família. Quem vai, de fora, vendo uma pessoa definhar aos poucos, sem que nada possa fazer para dividir ou amenizar o sofrimento, pena junto. E, por outro lado, o “não-paciente” continua tendo que manter sua vida pessoal e, principalmente, profissional. E, ai, voltamos ao início do post: “Para o médico, trata-se do distúrbio de um aglomerados de células” e, o seu doente querido é apenas uma estatística, bem como quem o acompanha, no caso você.

Esta madrugada, me levantei como de costume, coloquei meus pais no carro, fui deixá-los ao Inca. Quando estava na portaria do trabalho, o telefone toca, minha mãe diz que nem precisava ter levado meu pai, era apenas para entregar o exame, e aí, atravesso de novo a Av. Brasil, engarrafada, para buscá-los. Atrasada de novo no trabalho. Estamos falando de dois idosos, um não sabe nada o outro está afetado mesmo pelo câncer, não haveria de saber. Nada a reclamar do Inca, que tem fornecido remédios e um tratamento digno (apesar de ser estatística) que o Hospital Central da Polícia Militar , a que ele tinha direito, não deu – aliás, estamos há 3 meses esperando eles entrarem em contato para resolver um médico de cabeça e pescoço para o aposentado (no caso o meu pai) que está desde janeiro tentando se tratar, depois de 35 anos pagando ao hospital, porque embora eles tratem como favor, o PM não tem este benefício de graça, é descontado em folha -, mas custa o médico dizer: “minha senhora, basta trazer o exame, a radioterapia será marcada e nós entraremos em contato posteriormente para isso”, custa?

Eu não sei se a “nuvenzinha negra” está localizada em cima da minha casa apenas ou se os profissionais estão mesmo a passeio nas instituições. Vou sugerir aos políticos um “auxílio acompanhante no tratamento do câncer”, para que eu possa receber uma pensão que pague minhas contas no final do mês, porque qual empregador segura esta onda de faltas e atrasos a longo prazo? Diferente desses gentis senhores, eu não sou funcionária pública. De outra forma um treinamento das repartições, onde ensine as pessoas pelo menos a dar informações eficientes, seria de grande valia.

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