Outra impunidade que engolimos pacificamente

          Após cinco meses (que para a família certamente foi uma eternidade), nos fazem engolir a sentença: Absolvido! Estamos falando do PM indiciado por homicídio duplamente qualificado na morte do pequeno João Roberto.

É impossível esquecer, mas para quem não está “ligando o nome a pessoa”, estamos falando do caso de Alessandra Amorim, a mãe que voltava de uma festa, com o menino e o irmãozinho no carro, quando, em uma rua da Tijuca, na Zona Norte, ela encostou para abrir passagem à patrulha. No entanto, a família foi cercada pelos policiais e alvejada por 17 tiros. Alessandra ainda jogou a bolsa do bebê pela janela, numa atitude desesperada, para mostrar que havia crianças no veículo, mas os policiais irracionais não cessaram fogo e levaram a óbito João Roberto, de 3 anos.

            O julgamento durou 13 horas, no Tribunal do Júri (Centro do Rio) e, por 4 votos a 3 os nobres jurados tiveram a capacidade mental de avaliar que o PM agiu de acordo com o que é exigido pela função dele e decidiram minimizar o caso, transformando o homicídio duplamente qualificado por lesão corporal. Conclusão: a pena recebida pelo assassino foi de sete meses em regime aberto, que acabou substituída pela prestação de serviços à comunidade, sete horas por semana, durante um ano.

            A família do acusado, segundo os jornais desta manhã, compareceu ao julgamento usando camisetas onde se lia: “Só quem te conhece sabe o ser humano que tu és”. A avaliar pela declaração do cabo na sessão onde admitia que havia confundido os carros (eles perseguiam bandidos em um outro carro preto, momentos antes da execução do menino) na rua escura e que poderia ter sido pior, posso imaginar que tipo de pessoa Willian de Paula é: um delinqüente.

            Sim, poderia ter sido pior. Com 17 tiros ele poderia ter matado a família inteira. E só executou uma criança inocente, vejam vocês como ele é generoso!

            Minha gente, não é exigido dos Policiais Militares que matem, que ameacem, que ponham em risco a vida de nós, cidadãos. Cabe a eles sim, nos proteger, garantir a segurança. Não poderia ter sido pior não, viu ser humano fantástico! A obrigação dos policiais, na incerteza é de não atirar: cercar, abordar, averiguar. Não somos baratas, e o que será de nós com essa polícia falha e cheia de corporativismo? O que será de nós depois desse pano quente do Júri. A acusação promete recorrer, mas essa primeira absolvição absurda já será motivo suficiente para que os corpos de outras vítimas caiam no chão diante da impunidade.

            É doloroso saber Willian de Paula solto por aí. Me dói enquanto cidadã. O que será de nós?!

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