A vida não me deu direito a nota de rodapé

           Bem que eu tentei atrasar o relógio, mas enfim, cheguei aos 30 anos! E o que vejo desta posição que o tempo me impôs é que, em nossa história pessoal a vida deveria nos conceder o direito a notas de rodapé, assim como fazemos nas monografias e teses de mestrado, por exemplo.

            Sinceramente, de presente hoje, gostaria de receber um razoável espaço para erratas pelas vezes em que, já na idade adulta, fui boba, indesculpavelmente cega, extremamente teimosa. Usaria ainda este espaço para corrigir minha ingenuidade em acreditar que meus pais eram imortais e que nunca nesta vida iriam me faltar. Deveria ter me preparado mais para essa realidade que me pegou de surpresa.

            Com as notas de rodapé, anularia tantas bobagens: as oportunidades importantes que botei fora, assim como a grana que tive nas mãos e não soube usar; teria de volta o tempo que desperdicei com pessoas erradas, os conselhos que ouvi de gente que não valia a pena. Ofendi pessoas que me faziam bem e corri atrás de quem logo adiante me passaria uma rasteira. Profissionalmente esperei de mais, não me preparei bem, não entendi, tomei decisões erradas. Ah, que bom seria apagar tudo isso no fim da página.

            Com essa errata, quando chegasse aos 60 anos teria o alívio de poder olhar para trás e dizer “ainda bem que deixei esse espaçozinho”. Afinal de contas até o tempo entre escrever e publicar esse post tanta coisa pode acontecer… A gente nunca sabe quando vai bancar o bobão.

            Que besteira! Não podemos mudar o destino. Em geral, não podemos mudar nada. Então resta a mim, me orgulhar das vezes que denunciei, gritei, lutei, agi, apontei o dedo e me senti isolada porque no mundo onde ninguém se mexe, qualquer movimento é incômodo. Quase alucinação.

            Não haverá erratas. Por isso, nada de euforias imediatistas que não vão a lugar nenhum ou breves pensamentos para casos que merecem mais do que isso. E se não há erratas, solicito as rédeas da minha vida, e que isso sim, não seja devaneio da minha imaginação.

            Feliz Aniversário, para mim!!!

4 Comentários

Arquivado em Cotidiano

4 Respostas para “A vida não me deu direito a nota de rodapé

  1. Marta

    Querida,
    Sorte nossa chegar aos 30! Vc chegou aos 20 tão consciente do seu papel como mulher e ser humano? Era capaz de menosprezar metade das idiosincrazias humanas num passar de olhos? Vc tinha ideia de como era um homem de verdade (digo homem, não garoto nem principe), era capaz de ler as entrelinhas (dos textos e da vida?), de se olhar no espelho e enxergar mais que traços, olhar nos olhos de alguem e ver a alma?
    Amiga, sorte nossa! Nossos 30 trouxeram além de marcas, rugas e dores algo que ninguem tira: experiência!
    Agora que a gente já “entende um bucadinho do riscado” que é viver, podemos nos dedicar a quem merece, ao que a gente gosta e dar o devido valor ao nosso tempo, nem que seja pra ficar sentada olhando-o passar… 3o faz parte… Aprendemos a brincar. Tudo dessa forma fica mais divertido!
    Felicidades!

  2. Amiga, adorei o texto. Daqui a 2 meses sou eu que entro nos 30. O melhor é pensar em tudo como aprendizado e seguir em frente… 🙂
    Parabéns!!!
    Beijos.

  3. Alexandre

    É Fê.
    A vida realmente não nos concede o privilégio de apagar, de tentar de novo sim, mas de apagar, nunca, e isso guarda suas vantagens e desvantagens, não é?
    Já errei, já insisti no erro, já corrigi erros, já tentei e só fiz piorar, já aprendi, já fui burro, já acertei (engraçado que não tem o mesmo peso do erro), já comemorei, já chorei, enfim, no alto dos meus 19 anos de vida (…) aprendi algumas poucas coisas, e uma das mais importantes é que sempre é importante estar perto das pessoas que amamos, e principalmente das que nos amam também, sem que seja uma retribuição, claro.
    Em suma, não é um caminho fácil, talvez nunca seja, mas estamos nele juntos.
    Te amo, parabéns.

  4. Chegou aos 30??
    Antes tarde do que nunca!!

    Se em algum momento da sua vida você foi “boba, indesculpavelmente cega, extremamente teimosa…”, não se culpe por isso, apenas evolua ou seja tire proveito disso tudo!

    E a evolução também funciona para se orgulhar das vezes que você denunciei, gritou, lutou, agiu, apontou o dedo e se sentiu isolada porque no mundo onde ninguém se mexe, qualquer movimento é incômodo.

    Feliz vida eterna “Menina Gonzo”, no mundo daqueles que incômodam ninguem é apenas passageiro.

    Abraços
    MICHAEL MENESES!

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