Até quando protestos silenciosos?

No último dia 25, o fotojornalista André Alexandre Azevedo, o André AZ (34 anos) foi assassinado brutalmente na Avenida Brasil, altura do bairro da Penha.  

André havia saído da sucursal do jornal O DIA, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, depois de encerrar o expediente, e retornava para casa, de moto, trafegando pela pista central da avenida expressa, sentido Centro do Rio. Baleado, o fotógrafo perdeu a direção, bateu na mureta da Avenida Brasil e caiu na pista seletiva do sentido contrário, em direção à Zona Oeste, a 50 metros da moto, e foi atropelado por vários veículos.

 

Segundo os jornais, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram duas perfurações no braço esquerdo e uma nas costas, altura do pulmão, onde ficou alojado um projétil. Uma testemunha, que dirigia um carro a poucos metros de André, apareceu no dia seguinte, informando que uma segunda moto, com dois homens, perseguia o fotógrafo. Ao emparelharem o carona bateu com a arma nas costas de André, que tentou fugir da investida. Após os disparos, os assaltantes fugiram em direção a uma comunidade que margeia a Avenida Brasil.

 

O corpo do fotógrafo foi enterrado no Cemitério de Irajá com um protesto silencioso e emocionado. Aproximadamente 300 pessoas levaram rosas brancas, que foram depositadas no túmulo e usaram camisetas com a inscrição “Até quando?”. Na despedida, também foi colocado sobre o caixão, o capacete de André para lembrar uma das paixões dele, o motociclismo.

 

Segundo o Jornal O Dia, entre janeiro de 2007 e outubro de 2008, cerca de 2.500 pessoas morreram vítimas de armas de fogo nos bairros cortados pela Avenida Brasil e na própria via.

 

O Trevo das Margaridas, em Jardim América, é considerado um dos trechos mais perigosos para assaltos e roubos de carros, mas a verdade é uma só: em 116 quilômetros de via, não há policiamento ou iluminação eficiente. Um prato cheio para as investidas dos bandidos, pois com a redução da velocidade e a baixa visibilidade, as quadrilhas, surpreendem os motoristas, com facilidade 

 

Infelizmente, não é só a Avenida Brasil que é terra de ninguém no Rio de Janeiro. Só gostaria que me respondessem a uma pergunta: ONDE ESTÁ O DINHEIRO DOS NOSSOS IMPOSTOS?

 

Mais sofrido que perder um parente pelo acaso, é perdê-lo pelo descaso das nossas autoridades. Vivemos em uma terra sem lei. Onde temos os nossos direitos roubados por nossos governantes. Rosas brancas são lindas, mas não resolvem os casos de violência, de falta de socorro médico, entre outras aberrações que vivemos. Até quando não vamos gritar e tomar a força o que nos pertence? “Até quando vamos aturar calados” é o que tenho perguntado.

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