TCHAU, MANHÊ!

Dia 30 de julho de 2009. Céu nublado e o coração colorido por muitas expectativas. Era hora da galerinha da Colônia de Férias da Fiocruz embarcar para o pernoite no Hotel Fazenda Santo Amaro, em Cachoeiras de Macacu. Nas janelas de dois ônibus, as crianças recebem as últimas instruções dos pais. Para muitos é a primeira vez que passarão uma noite fora de casa. 

Na bagagem, ursinhos de pelúcia, brinquedos, farnéis de guloseimas e até um violão. Material para espantar o bicho-papão que pode vir a assombrar diante da ausência dos pais? Que nada! É um jeito dos pais se fazerem presentes. O medo e a saudade parecem muito mais evidentes do lado de fora, é só ligar o motor para atestar: A farra começa ainda dentro do campus da Fundação,em Manguinhos, com um monte de mãozinhas dando adeus e fazendo o seu barulho: “Tchau, mãe. Tchau pai. A gente volta logo”.

O que estava a tia Fernanda fazendo lá?! As fotografias  para o site do Sindicato (além de colher material para a confecção desta matéria que será publicada no jornal da Asfoc em breve) que, embora  responsável pela Colônia, era a primeira vez desembarcava no pernoite para contar aos pais  como é a noite da garotada fora de casa.

A frente seguia o ônibus da turma 10 e 11 com os meninos da 8 e 9. Atrás, os pequenos da 6 e 7 (com as meninas um pouquinho mais velhas), participavam da comemoração de 15 anos de trabalho da tia Márcia Ferreira e do tio Renato, o motorista já oficial da Colônia de Férias da Asfoc.  

E como o tio estava ocupado ao volante o jeito foi trocar a valsa por Kelly Key. E quem disse que a tia Márcia não arrasou como a Barbie Girl? Mas, acalmem-se mamães, a performance no corredor era só dela. Os pimpolhos ela mesmo tratou de manter sentados, só no aplauso, para ninguém se machucar.

“Meu marido já me intimou a tirar férias em janeiro. Ele acha que a gente precisa ter mais tempo para nossa família, mas eu sinto muita saudade disso aqui. Não sei como é que vai ser”, comenta uma tia Márcia ainda suada da brincadeira.      

O desembarque no Hotel Fazenda foi embaixo de chuva fina. Mas a unanimidade entre aqueles que já foram ao pernoite era quando ia acontecer o “esqui-bunda”. Lara Somer, da turma de 10 e 11, tratou de encomendar:

“Tia, fotografa tudo, porque tem coisas que eu conto para minha mãe que faço aqui e ela não acredita”.

Aliás, esse é o orgulho do Luiz Claúdio Conti, organizador da Colônia.

“A minha gratificação aqui é ver essa garotada superar seus limites. Eu sei que muitos deles têm uma rotina completamente diferente e quando chega aqui se liberta: encara Arvorismo, caminhadas ecológicas, enfia o pé na lama e volta cheio de histórias para contar”, confidencia baixinho e emocionado, ainda próximo ao ônibus.

O tal esqui-bunda (escorregador ensaboado na ladeira) foi adiado com o mau tempo, mas o dia seguiu com pique-corrente, almoço quentinho, oficina de biscoitos, arraial a noite, com direito a quadrilha improvisada e mais quitutes. Acabou o gás? Claro que não. Na alta madrugada tinha vídeo-game no quarto de um, jogo de tabuleiro no quarto de outro, festa do pijama… Da parte de baixo do hotel se ouvia a farra! Silêncio mesmo só no quarto dos menores que ainda não acompanham a fofoca noturna.

Três da manhã. Hora do xixi. Lá vai o “esquadrão de tios”, impedir que a molecada acorde ensopada. Um a um, no colo, a garotada de 6 a 9,  vai sendo levada ao banheiro. E ainda assim, quando o dia clareia, um ou outro, ostenta sua devida “mancha amarela” na parte de baixo. É o frio e o resultado da festinha até de madrugada. Claro que o pacto é não contar os nomes do santos.

Só que a esta altura o banho tem que esperar um pouco. A guerra de travesseiros é implacável! Uma turma invade o quarto da outra e logo vira um amontoado no corredor. Ninguém escapa! E quem quer fugir? A farra é boa de mais. Não fosse o tempo curto, talvez a brincadeira levasse a manhã inteira.

Na agenda do 2º dia, caminhada ecológica, cachoeira, futebol, o famoso esqui-bunda no sabão, 15 minutos de piscina atendendo a muitos pedidos de “deixa, deixa”, banho, almoço e embarque de volta para casa.

Arrumando a bagagem de volta, a independente Ana Beatriz Imenes, a Bia (8 anos), dispara:

“Ai, que cherinho da minha mãe. Adoro o cheirinho dela. Parece que ela vai sair debaixo da cama. Senti saudade e nem sabia”.

As crianças e seus ensinamentos… Qual não é a surpresa de saber que tão bom quanto ir, é a certeza da volta ao ninho. Até a próxima!

7 Comentários

Arquivado em Entretenimento

7 Respostas para “TCHAU, MANHÊ!

  1. Daniel Blanco

    Esse texto foi maravilhoso.
    O final é muito tocante.
    É bom sentir isso.

  2. Criança tem cada sacada né?
    Big Beijos

  3. Absolutamente lindo esse post.
    Eu sonho em algo assim pra Pacoteenho!

    E depois, Cabeça de Bolinha quando tiver maiorzinho.

    Fiquei feliz agora em saber q tem gente como vc por perto. São os anjos bons.

    Bj.

  4. Ah, mas eu aposto que essa Bia é daquelas espevitadas irresistíveis.

    Amo criança! 😉

  5. Dani Antunes, eu sou suspeita, mas ela é isso mesmo que você disse!!! rsrsrsrsrs

  6. tia fê não me mata de chorar!
    To aqui lembrando das festas com luz negra , do dia em que falei que queria sair da sua turma logo , quando sai quase me matei de tanto chorar

    • fefreitas

      Biazinha!!! Eu sou a Tia Fê fotógrafa, lembra?! Não a tia da turma… Mas pode ter saudade de nós (das duas), porque divido com ela o carinho sem problemas.
      Eu também vou te confessar uma coisa: Qdo não fotografei mais voces eu chorei de quase morrer também. Segredinho nosso! Bjos lindona!

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