Arquivo do mês: setembro 2009

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BUSÃO

Estava eu no busão, depois de um dia que não foi nada fácil e uma espera de mais de 40 minutos por um transporte que me tirasse do Centro da Cidade, quando passamos pela Rodoviária Novo Rio, e entra um sujeito daqueles que faria qualquer cidadão morrer de medo ou sair correndo pela porta de trás. 

Não se trata de preconceito, não. Trata-se de conceito mesmo. O legítimo conceito do medo.
O que aconteceu depois? Dá sinal, ae. Hoje nós vamos é de Busão!

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Pedro e o chip

Já repararam como as pessoas adoram falar mal da TV? Em se  tratando de canal aberto então, a conversa chega a ser tediosa:  não passa filmes novos, as reprises são cansativas, no domingo não tem nada para assistir… Aqui em casa, a banda larga me libertou. Eu leio, assisto, pesquiso aquilo que me der na telha. Custei até a descobrir o ET do Panamá. Acho mesmo que fui a última a saber.

PEDROE aí, no meio dessa liberdade para buscar o seu próprio conteúdo (já que a TV não presta), aparece o “Me dá o meu chip, Pedro”. Um vídeo de quase cinco minutos, que basicamente, mostra uma mulher fazendo escândalo na porta, do tal Pedro, de madrugada, para que ele lhe devolva o chip do seu celular; E ao fundo, um cachorro latindo com bravura, enquanto a cena acontece. Nada, além disso. Mas a filmagen, feita de uma câmera amadora, virou piada recorrente da Internet.

Na seqüência, vieram o Funk do Pedro e o vídeo de um grupo de blogueiros, que foram atrás , para conhecer a verdade sobre a história, mas de tão eufóricos, nem deixaram o “entrevistado” falar (a idéia foi boa, mas eles deram uma de Faustão, olha a influência da TV aí de novo). 

Para fechar com chave de ouro, ontem, recebi por email o “Darth Vader querendo o seu chip”, fora as incontáveis piadinhas no Twitter que se seguiram desde que a filmagem caseira virou moda na web.

Agora eu pergunto: “Quem é mais vazio, o “Pedro” ou a Lady Kate? Tudo bem, que o Zorra Total é insuportavelmente repetitivo. As piadas que são boas, com o tempo se desgastam e só o Mauricio Sherman não percebe. Enquanto o Pedro, foi piada de ocasião, que até eu ri, claro.  Mas as pessoas encontram gancho para falar de uma coisa tão banal por dias seguidos, que parece mesmo que gostam do nada que se repete na TV aberta desde que me entendo por gente.

Qual o critério afinal para cair nas graças dos internautas? Hoje em dia é tão corriqueiro fazer um vídeo e postá-lo no Youtube. Se olharmos a grosso modo, o vizinho da briga pelo chip, nada mais fez que filmar uma desavença de casal (se é que eram um casal, já que os blogueiros foram lá e não perguntaram) e jogar na internet.

Eu respondo: tem que ser bobo, mostrar o cotidiano como pastelão, assim como já se fazia na TV aberta, mas seguindo o critério de quanto mais amador melhor (uma câmera na mão e nenhuma idéia na cabeça).

E depois, dizem que eu é que reclamo de mais. O mundo é que não é são. Ao menos nesse caso, nunca escondi que assisto novela das 21h, me envolvo com BBB, adoro fofoca de celebridades… Do mesmo jeito que me acabo de rir quando me deparo com esse tipo de liberdade de expressão.  Tem muita gente que só é Cult da boca pra fora.

Obs.: Quem ainda não viu as sequências do Pedro, clique nos links. Principalmente o Funk é divertido.

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Dada a largada para campanha eleitoral na web

Bastou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidir por quatro votos a dois, que não deveria regulamentar a campanha eleitoral na internet, e logo saiu o ranking do Ibope-Nielsen apontando os 10 sites mais acessados do país. Quanta coincidência!

A pesquisa projeta a existência de 64,8 milhões de pessoas com acesso à internet em qualquer ambiente (residências, trabalho, escolas, lan-houses, bibliotecas e telecentros), considerando os brasileiros de 16 anos ou mais de idade, ou seja, os que podem votar. E nessa perspectiva, os líderes em visitantes, incluindo aplicativos foram Google (34.173.000), MSN/ WindowsLive/Bing (32.579.000), Orkut (27.893.000), UOL (27.685.000), Microsoft (25.700.000), iG (23.999.000), Globo.com (22.918.000), Terra (22.776.000), YouTube (22.434.000) e Yahoo (21.871.000).

Bem, cedo ou tarde a campanha ia mesmo chegar a Web. Não havia como manter o esquema de publicidade eleitoral de 50 anos atrás (Obama foi um exemplo disso, embora nosso contexto político seja bem diferente), com as mídias sociais acontecendo a pleno vapor no Brasil. Aliás, nada melhor que a desterritorialidade da web para conseguirmos dar conta de fiscalizar tudo o que anda acontecendo de Norte a Sul do país.

Já que a classe intelectual brasileira e os artistas, que antes promoviam quebra-quebra em nome da democracia, hoje, estão focados em aparecer em páginas de revistas de celebridades; Já que os cara-pintadas amarelaram sem o fogo da Rede Globo e os universitários viraram alienados que não se interessam por política, caberá agora a nós, nerds,  impedirmos eleição de cabra que ainda tem a cara de pau de doar dentadura em troca de votos. Ótima oportunidade!

Certamente, não vamos mudar a política do país de um ano para outro, mas seremos um Calcanhar de Aquiles, vide o #forasarney que começou a ser gerado via Twitter. Os internautas, ninguém duvida, sabem dar voz às suas reivindicações. Acho que agora a tag deveria ser: chega de coronelismo, né não?!

Só espero que os candidatos estejam preparados para o tipo de debate que, a internet nos proporcionou: livre, honesto e claro. Longe de censuras como uma ou outra empresa privada ainda prefere fazer.

Rumo a 2010.

Fonte dos dados do Ibope: Ex-blog do César Maia

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Normas de Etiqueta

BUSÃO

A saída da Ilha do Governador (RJ) não é nada fácil na hora do Rush, que dirá na véspera de um feriado prolongado. Era um monte de cabeça querendo qualquer espaço para voltar pra casa e, a cópia do Mr. Bean, lá, tranquilamente,  ALMOÇANDO dentro do busão, como se estivesse confortavelmente sentado a uma mesa de restaurante. Duvidam? Bóra comigo De viação Busão

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Lá fora o mundo gira

Esse final de semana deixei de ir comemorar o aniversário de 2 grandes amigos. Fora a comemoração coletiva dos virginianos da rádio onde trabalhei. Também  recusei ir a um show com as meninas da faculdade (que terminou e, por isso, maior a saudade)… O motivo? Um só, embora nada simples: Falta de emprego, ou melhor, de dinheiro.

A constatação de que estou cada dia mais afastada do meu “mundo particular” por conta de problemas com o vil metal, sinceramente, me magoou em especial no dia de hoje.  Não que há muito tempo já não esteja desiludida com o mundo que me cerca, mas nunca tinha perdido tantas vezes o “trem da minha vida” pelo mesmo problema.

Eu fui ser jornalista para ser uma pessoa mais livre. Investi meus dias nisso (muitas noites também). Havia um animal dentro de mim para ser solto, para farejar informação em potencial que explodiria em notícia. Aumentar o ciclo de conhecimentos, engajamentos, novidades, fúria… Movimento é o meu espírito e é o que sinto cada dia mais falta.

É tedioso ouvir tantas vezes que sou talentosa, e que meu dia vai chegar… Porque em dias como hoje, nem acho que isso é consolo que se apresente. Geralmente, me pergunto: “Se eu sou tudo o que dizem, porque o meu dia não chegou ainda?”, “Será que esse dia especial para um ser humano existe?”, “Quando chegar, será que ainda vou ter forças para agarrar?”

Com que tenho me ocupado ultimamente? De ser governanta da casa durante a semana (além dos muitos cursos que me aparecem e eu agarro como última esperança) e de ser mera expectadora das vidas do resto do mundo, nos finais de semana… Eles vivem. Eu fico aqui, vendo a vida passar pela janela do meu quarto. Impotente. Sobrevivente.

A minha área é difícil? Pode ser. Muita concorrência? É o que dizem por aí. Mas a minha queixa, não é só minha e não está limitada a minha área de atuação. Segundo o IPEA, a taxa de desemprego entre os pobres, subiu de  julho de 2002 a julho de 2009 em 10%, passando de 21% para 23,1%. Cadê os empregos do país?! Onde estão as frentes de trabalho? Deve estar junto com as escolas, com a saúde, com o bilhete único engavetado dos cariocas.

Tudo nos é roubado. O tempo todo. Porque não dá para desviar em projetos que gere emprego ou o que se desvia é pouco em certos projetos… Não põe ganância nos olhos da esfera pública. Desde Portugal, as coisas por aqui foram programadas para não haver. A imprensa na época do Brasil Colônia vinha pronta de fora, para nos manter sob controle. E assim todo o resto. E a gente que vá sofrendo e engolindo o sofrimento de não participar da engrenagem. De não ser convidado pra festa.

Temos direito a quê afinal? Dar direito é perigoso!

Enfim, perdoe-me se o post hoje foi melancólico. Se, na minha cabeça,  não havia nada mais a escrever além de um desabafo. Envolvida como estou hoje com os meus sonhos frustrados, não havia como ser de outra forma.  

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Promessa é dívida que eles não pagam

Para quem não se lembra, uma das promessas de campanha, do então candidato a prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, era implantar o bilhete único, que já funciona muito bem em São Paulo. O sistema permite ao usuário pegar mais de uma condução, ônibus-metrô-van-trem, por duas horas, pagando só uma tarifa.

Os benefícios são claros:
1- O empregador que antes não contratava um funcionário que usasse mais de uma passagem, agora pode fazê-lo, porque a despesa será a mesma.

2- O profissional liberal que arca com suas passagens diariamente, também tem sua economia.

3- Para quem mora em um lugar como eu, onde só uma linha de ônibus liga o bairro ao Centro da cidade, com horários irregulares, pode fazer baldeação sem pagar a mais com isso.

O caso é que a mídia tem explorado muito o termo “Integração na Zona Oeste” carioca, como se isso, fosse alguma novidade ou trouxesse algum grande benefício à população. Não é de hoje que as empresas têm integrado ônibus-ônibus, metrô-ônibus, trem-ônibus. Em todos os casos tem acréscimo de tarifa, não pagamos R$2,20 apenas para viajarmos em quaisquer que sejam os transportes. O que é bem diferente da idéia do Bilhete único, que o nosso prefeito nos prometeu.

Portanto, vamos abrir os olhos, para mais esse truque de ilusionismo gerado por político de memória fraca.  Não era esse o trato, prefeito!

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Mais uma do Câncer

Sete meses após o falecimento do meu pai, nos chega a notícia de mais um caso na família: agora é meu tio (irmão do meu pai) que está com câncer de garganta. Fator genético? Talvez. Entretanto, ambos eram fumantes inveterados e por muito tempo, somaram o fumo à cervejinha, claro.

Recentemente no Fantástico, foi ao ar uma matéria, onde o Inca (Instituto Nacional do Câncer) alertava que os homens têm 77% mais chances de desenvolver esta doença e, que a probabilidade desses pacientes virem a morrer, é ainda 85% superior que nas mulheres.

Esses dados não têm nada a ver com a biologia do sexo masculino, mas com o fato dos homens se exporem muito mais aos fatores de risco: cigarro, excesso de álcool, alimentação inadequada, obesidade, vida sedentária e medo do médico, fazem parte do cardápio masculino. E é aí que mora o perigo.  

No ano passado, quem passou por aqui lembra, o sofrimento de encarar o setor de cabeça e pescoço do Inca, na Praça da Cruz Vermelha, Centro do Rio. Pessoas mutiladas por uma doença silenciosa, inclusive o meu pai, simplesmente porque como verdadeiros homens bombas alimentaram seu corpo com a pólvora, cigarro mais bebida alcoólica.

Vamos lutar com ardor por aqueles que conhecemos e não experimentaram ainda o sofrimento desse diagnóstico. Porque o mal que o cigarro faz, quem fuma, nem desconfia.

Aperte o play (depois envie a idéia).

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