Lá fora o mundo gira

Esse final de semana deixei de ir comemorar o aniversário de 2 grandes amigos. Fora a comemoração coletiva dos virginianos da rádio onde trabalhei. Também  recusei ir a um show com as meninas da faculdade (que terminou e, por isso, maior a saudade)… O motivo? Um só, embora nada simples: Falta de emprego, ou melhor, de dinheiro.

A constatação de que estou cada dia mais afastada do meu “mundo particular” por conta de problemas com o vil metal, sinceramente, me magoou em especial no dia de hoje.  Não que há muito tempo já não esteja desiludida com o mundo que me cerca, mas nunca tinha perdido tantas vezes o “trem da minha vida” pelo mesmo problema.

Eu fui ser jornalista para ser uma pessoa mais livre. Investi meus dias nisso (muitas noites também). Havia um animal dentro de mim para ser solto, para farejar informação em potencial que explodiria em notícia. Aumentar o ciclo de conhecimentos, engajamentos, novidades, fúria… Movimento é o meu espírito e é o que sinto cada dia mais falta.

É tedioso ouvir tantas vezes que sou talentosa, e que meu dia vai chegar… Porque em dias como hoje, nem acho que isso é consolo que se apresente. Geralmente, me pergunto: “Se eu sou tudo o que dizem, porque o meu dia não chegou ainda?”, “Será que esse dia especial para um ser humano existe?”, “Quando chegar, será que ainda vou ter forças para agarrar?”

Com que tenho me ocupado ultimamente? De ser governanta da casa durante a semana (além dos muitos cursos que me aparecem e eu agarro como última esperança) e de ser mera expectadora das vidas do resto do mundo, nos finais de semana… Eles vivem. Eu fico aqui, vendo a vida passar pela janela do meu quarto. Impotente. Sobrevivente.

A minha área é difícil? Pode ser. Muita concorrência? É o que dizem por aí. Mas a minha queixa, não é só minha e não está limitada a minha área de atuação. Segundo o IPEA, a taxa de desemprego entre os pobres, subiu de  julho de 2002 a julho de 2009 em 10%, passando de 21% para 23,1%. Cadê os empregos do país?! Onde estão as frentes de trabalho? Deve estar junto com as escolas, com a saúde, com o bilhete único engavetado dos cariocas.

Tudo nos é roubado. O tempo todo. Porque não dá para desviar em projetos que gere emprego ou o que se desvia é pouco em certos projetos… Não põe ganância nos olhos da esfera pública. Desde Portugal, as coisas por aqui foram programadas para não haver. A imprensa na época do Brasil Colônia vinha pronta de fora, para nos manter sob controle. E assim todo o resto. E a gente que vá sofrendo e engolindo o sofrimento de não participar da engrenagem. De não ser convidado pra festa.

Temos direito a quê afinal? Dar direito é perigoso!

Enfim, perdoe-me se o post hoje foi melancólico. Se, na minha cabeça,  não havia nada mais a escrever além de um desabafo. Envolvida como estou hoje com os meus sonhos frustrados, não havia como ser de outra forma.  

3 Comentários

Arquivado em Cotidiano

3 Respostas para “Lá fora o mundo gira

  1. Daniel Blanco

    Fê,
    digitar pra vc todas as coisas que sempre houve, não irei.
    Mas quero que saibas, que qualquer coisa possa vir acontecer na vida sendo boas ou ruins, não ficará sem um ombro amigo e companheiro.
    Pode sempre contar com seu cabeça de pimenta aqui.
    Amo você.

  2. Entendo Fê, mas uma hora vc terá a sua oportunidade.
    Big Beijos

  3. É exatamente assim que me sinto, é exatamentte o que eu ouço. Já não sei mais o que pensar, sentir ou até querer. O panorama é nebuloso, não consigo ver a luz do fim do túnel.

    Bjss

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