Arquivo do mês: outubro 2009

Fila para diversão

E aí que você chateado de estar trancado em casa, tem a brilhante idéia de passear no shopping. Claro, o shopping mais distante de casa, diferente daquele que você está habituado a freqüentar por motivos de praticidade. É feriado, todo mundo está viajando, vai ser divertido.  Será?!

Você nem bem tira o carro da garagem e já se vê engarrafado, em uma blitz da Lei Seca. Quanta alegria! Mais de meia hora em uma fila que você jura, será interminável. Aliás, vamos fazer uma observação aqui: a falta de educação dos cariocas no trânsito é evidente, mas nesses momentos, chegam às raias do inadmissível.

A rua que antes permitia o tráfego de dois carros, com a blitz, passa a ter uma só via (óbvio) e aí, que quem está na pista livre, tem que ter consciência do afunilamento e dar passagem, a quem vinha no lado que está fechado (faz-me rir). Mas não é o que acontece (claro). Os motoristas ficam pressionando uns aos outros (nas barbas da polícia) e aumentam o caos no trânsito.

Azar de quem saiu de casa.

A essas alturas, com sua paciência já um pouco abalada, você chega ao shopping. Roda no estacionamento. Nenhuma vaga. Pelo retrovisor, avista um casal vindo cheio de sacolas, chaves do carro em uma das mãos e bilhete do estacionamento na outra.

O espaço será nosso, a-há u-hu!

Começa a perseguição ao casal, que entra na contramão pra te deixar com cara de tacho. Posso jurar que fizeram de propósito. E daí?! Não vem carro, embica atrás, segura na mão de Deus e vai. Sabe-se lá quando será agraciado com uma nova senha que fará a fila do estacionamento andar?!

A essas alturas, está tarde de mais para conseguir assistir a um filme que seja estréia. Mas tem um tempão que não vamos ao cinema, dá para escolher um filme daqueles que todo mundo já viu. Será indiferente.

Porém, a fila da bilheteria é única. Então, lá vamos nós para mais 35 minutos de espera.

Maldito estômago que ronca! Temos 40 minutos até começar o filme. Fast Food? Fast? É, acho que podemos considerar rápido 10 minutos de fila para pagarmos e mais 20 minutos de espera pela food, se olharmos a fila de espera só para entrar nos demais restaurantes a nossa volta.

Sem mais tempo, voltamos ao cinema. Como disse, o filme nem era estréia, o feriadão estava começando, embora todos os contratempos até ali, metade da população foi viajar a outra está vendo um filme mais novo, claro. Dessa fila estamos… Livres?!

Fila para entrar, luta de gladiadores pro uma poltrona em algum lugar razoável. E fim do sofrimento.

Pelo menos nos próximos 90 minutos. Depois enfrentamos ainda a fila para sair da sala, fila para ir ao banheiro feminino, fila para pagar e sair do o estacionamento, fila para passar pela Lei Seca, porque enquanto você enfrentava outras filas, eles trocaram de lado só para te encher o saco.

É. Viver na cidade não é nada fácil e se divertir é ainda bem relativo.

Se tiver com disposição, vale a pena assistir “Se beber não case”. Não vou escrever minha crítica, porque como disse, o filme está em cartaz há bastante tempo, mas não conseguiria concluir o post sem dizer que, poucas vezes eu ri tanto de uma comédia, ainda mais depois de ter ficado Fê da Vida com o estresse urbano.

Segue o trailler:

 

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Protesto ou arrastão?

Ó quanto riso ó quanta alegria mais de dois mil palhaços na estação…

Essa foi a estimativa da PM para o quebra-quebra que começou como protesto ontem no ramal Japeri da SuperVia. O povo foi para os trilhos manifestarem contra uma pane em um trem do mesmo ramal que causou transtornos e fez os passageiros se atrasarem para o trabalho. De novo.

Sim, porque isso não chega a ser novidade para a massa. A grande novidade é que dessa vez o povo resolveu tomar a atitude de protestar… Será?! Até agora não sei se foi protesto ou arrastão: resolveram atear fogo em uma das composições, invadiram os guichês, levaram dinheiro e causaram tumulto só resolvido com Batalhão de Choque.

Estava bom de mais pra ser verdade!

Ou o povo não está acostumado a dar voz às suas angústias, e quando fazem, resolvem com os mecanismos errados. Ou então um bando de maus feitores, sabem dos problemas rotineiros de operação da linha e, se plantaram lá, esperando o atraso para começarem a pilhagem.

Conhecendo nossa triste realidade, bem sabemos que nos dois casos encontramos fundamentos e, aí dessa vez vou ter que concordar com o nosso governador Sérgio Cabral: “Nada justifica o vandalismo”.

Invadir os trilhos e cobrar solução é legítimo. Ferir pessoas e  depredar o patrimônio público (que já temos pouco) é palhaçada demais, até para mim que vivo Fê da Vida com o pouco benefício que  nós do proletário recebemos.

Quer saber mais? Borá comigo de Viação Busão, porque o clima na Supervia está tenso pela manhã.   

BUSÃO

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Curso de Economia para Jornalistas

IMG_0429Esta postagem ficou tão fria que nem chega a ser noticia (ou comentário da notícia que é mais a cara deste espaço), mas  uma forma de agradecimento que não podia cair no esquecimento:

Na última semana (29/09 à 01/10), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o SEBRAE/RJ, ofereceu o curso “Economia para Jornalistas”, no Centro da Cidade. O objetivo era fazer uma atualização do panorama econômico dentro da demanda da mídia , para que os profissionais pudessem aprofundar ou atualizar seus conhecimentos.

Durante a semana, as análises foram divididas em diversas áreas: setorial, ambiental, urbana e regional, social, macroeconômica e internacional, além de apresentar as principais questões sobre desenvolvimento e indicadores econômicos.

Tema pesado, né?! Pois é, para nós, jornalistas também é. Já vi alunos entrarem na universidade querendo trabalhar com esportes e celebridades, mas com economia, nunquinha. Por isso, muitas vezes a gente foge de entender os meandros desse setor que movimenta a sociedade, principalmente se não passamos por essa editoria. Por isso, o IPEA acertou em cheio na divisão de temas e, na escolha dos convidados que procuraram ser o mais didático possível com a platéia.

O evento foi inteiramente gratuito, assim como o material fornecido todas as noites, o coffee break de primeira e os certificados de participação para quem cumpriu a maratona de debates. A infra-estrutura do SEBRAE RJ também foi uma grata surpresa. Quem não foi, perdeu mesmo! Sem redundância

Agora, os diretores e técnicos do Ipea que ministram as aulas seguirão, para Curitiba (PR). Os paranaenses terão o prazer de comprovar o que digo, do dia 26 ao dia 29, no auditório do Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico). Garanta a inscrição.

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Digerindo as Olimpíadas

O dia ontem amanheceu com a consolidação do Rio de Janeiro, como sede das Olimpíadas de 2016: praia de Copacabana lotada, delegação brasileira em Compenhagen (Dinamarca) chorando de alegria, a imprensa com holofotes já acesos… Tudo em função da decisão anunciada do COI.

O caso é que o sonho olímpico, como tudo neste país, vai acabar virando pesadelo tributário para os mesmos pobres que hoje comemoram nas areias da praia. Pela proposta brasileira, o governo federal vai arcar com boa parte dos quase 30 bilhões de reais do orçamento previsto para os Jogos no Rio. Alguém tem dúvida que virá “taxa extra do condomínio”?!

Sim. Porque eles vão continuar nos roubando como de costume, mas agora, o município, o estado e o governo federal estão juntos, remando na mesma direção, ou seja, de procurar mais alguma brecha para desviarem milhões e pendurarem na conta da nação.

A primeira providência para isso, será dizer que os cofres estão vazios e eles têm prazos… Podem esperar!

Só fazendo uma rápida retrospectiva, no Pan fizeram essa mesma festa, em prol do esporte e integração social e o que vimos na cidade?  Um desperdício violento de dinheiro, para a compra de uma manada de Elefantes Brancos, que em nada engrandeceram o povo. Um exemplo clássico foram os mais de R$ 80 milhões gastos na construção do Parque Aquático Maria Lenk, que foi, sim, subutilizado, mesmo o “Diário do Rio” jogando confete, para uma possível realização do show de final de ano do Roberto Carlos no local. A finalidade do parque não era só entretenimento, e há quanto tempo mesmo a instalação ficará lá jogada as moscas até o dia da apresentação?!

Agora, esse rio de dinheiro, serviu para um Pan Americano, imaginem para as Olimpíadas que tem a proporção infinitamente maior, qual será a conta?

Alguns economistas dizem por aí que os novos investimentos vão gerar retorno direto e indireto que fará com que em alguns anos, haja o retorno para os cofres públicos de 97% do dinheiro investido. É. Até acreditaria. Se não conhecesse de perto os problemas do Rio, que são de igual tamanho a sua beleza natural e os políticos que governam esse país através da lei “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Olimpíadas por aqui não será sinônimo de pódio social, não temos estrutura pra isso. E salve-se quem puder!

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Lá vamos nós pagar a conta

E chegamos ao mês 10, minha gente. Outro ano que passou voando. Ninguém viu nada, mas o Leão do IR, já está bocejando faminto, para abocanhar uma parte do que ganhamos com um sacrifício atroz. O projeto agora é taxar em 22.5% as cadernetas de poupança com valores acima de 50 mil.

A idéia é reduzir o atrativo pelo investimento que estava livre do Imposto de Renda. Mas, vamos combinar que poupança é aplicação de pobre, porque é fácil o sistema: os fundos podem ser retirados a qualquer momento, o que facilita no caso de uma emergência (lembrei da minha mãe agora), os juros são previamente indexados, o que tranquiliza quem coloca lá seu pingadinho

Dentro desta perspectiva, a medida não afeta em nada os ricos, pois esses aplicam na Bolsa, são mais ousados, mais experientes com dinheiro, e se tiverem perda, não lhes tira a noite de sono, não é verdade?!

Já para quem deixa de fazer uma viagem, pra planejar o futuro, a caderneta de poupança é o ideal. Só que, desde que me entendo por gente,  pobre tem mais é que morrer!!!

Atualmente o painel da caderneta de poupança é o seguinte: uma remuneração garantida de 6,2% mais TR, ao passo que nossos juros básicos, estão hoje na casa dos 8% e a inflação em 4,5%, ou seja, o governo acha que a remuneração é alta, e essa garantia pré-fixada dos valores é considerada hoje uma barreira para a queda dos juros.

Na prática, vão meter mais uma vez a mão no bolso da massa para pagar a conta, ou seja, é mais uma medida para dificultar a vida de nós que sobrevivemos com a corda no pescoço. Em última análise, outra proposta ruim desse governo descerebrado.

Qual seria o ideal, então? Sei lá, eu sou jornalista, não sou economista. O que eu sei é que enfiar o povo em sinuca de bico de novo é uma historinha triste e repetida que todo mundo está cansado de assistir.

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