Choro mais uma vítima social

IMG_0186Naquele dia, sabe-se Deus porque, o médico decidiu tirar o bebê de 11 meses, ainda com uma pneumonia avançada, do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e transferi-la para a enfermaria. Alta madrugada, sua mãe foi procurar uma enfermeira, pois a pequena estava com 200 batimentos cardíacos por minuto e respirava com dificuldade.  Depois de algum tempo, recebeu a indicação de que o pediatra não estava onde deveria estar (cumprindo seu plantão), mas que o quadro era normal.

Sem confiar muito na informação, mas com pouca experiência, a mãe viu seu bebezinho espumar, revirar os olhos (como quem lhe pede socorro) e falecer, sem socorro médico, dentro do Hospital Municipal Lourenço Jorge, depois de 2 dias de internação.

Toda essa cena aconteceu às 3h30 da madrugada. O médico, só chegou para autorizar a transferência da criança às 6h, quando já não havia mais vida a ser salva. Onde estava esse profissional? Dormindo? Cumprindo outra jornada, em outro ponto da cidade?

“Mataram minha filhinha, tia” – ela gritava no telefone, quando me ligou pra dar a notícia.

É. Mais uma tragédia na minha casa, em conseqüência do silêncio do nosso povo, que é roubado pelo governo diariamente, chora as mortes dos seus filhos e acha isso normal.

E os nossos direitos humanos?! A cada dia me sinto uma cadela vira-lata, perdida em um beco escuro de uma sociedade que não me pertence. Isso não é ser cidadão.

Se precisarem de mim hoje:

Cemitério do Pechincha
Capela C – Sepultamento às 13 h de Ana Luíza Bastos, 11 meses de vida.

4 Comentários

Arquivado em Hospitais Públicos

4 Respostas para “Choro mais uma vítima social

  1. É revoltante. Não tenho palavras para esse absurdo.

    Se quiser, posso ajudar a enterrar a trolha no estado.

    Bjos e meus pêsames.

  2. Pingback: Meu Google Reader - 09.11.09 | 30 & Alguns

  3. Fê,
    Minha avó deu entrada no Carlos Chagas com princípio de AVC. Ficou durante todo dia em observação e ao final do plantão da médica responsável por seu atendimento, foi liberada. Estranhamos a dificuldade de seu caminhar, mas segundo a “formada em medicina” era normal e aos poucos os movimentos retornariam ao normal. No dia seguinte, minha avó não mexia nada do lado esquerdo. Acionamos o SAMU, que não quis mais atendê-la alegando ser responsabilidade da doutora. Essa, por sua vez, não foi encontrada e a orientação foi que procurássemos um outro hospital que pudesse interná-la. No salgado Filho, descobrimos que por não ter ficado em observação (a pressão precisava ser monitorada e diante dos fatos, o nervosismo de minha avó aumentou assustadoramente) ela teve mais dois AVCs. Hoje, após 2 meses, minha avó continua internada (na santa Casa) e submetida a sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e tratamento psicológico. Aos poucos volta a recuperar seus movimentos, mas não poderá passar seu aniversário de 96 anos, Natal e o Ano Novo em casa, ao lado da família. Já a médica, esta deixa para lá…
    Contei esta história para mostrar que não é o hospital e sim, pessoas (pois, não posso chamar de profissionais) que não cumprem com seu juramento na hora de receber um papel intitulado como diploma.
    Aproveito e peço que rezem por minha avó.
    Bjks

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