Arquivo do mês: julho 2010

Dia do Amigo

Sou meio avessa a esse negócio de dia disso ou daquilo. Sou rabugenta, mesmo. Mas pior é o comércio que inventa e faz de tudo para fixar idéias que fazem tirar seu dinheirinho suado, e o consumidor ainda bate palmas.

Alguém já tinha ouvido falar em Dia do Homem? Pois é, mas O Boticário esse ano, fez questão de fazer campanha, para o dia 15 deste mês. Conclusão? A idéia se espalhou. Até no Twitter, só se falava nisso. Estão fazendo questão também de fixar o dia do beijo, das avós (existe há tempos, mas ninguém nunca ligou muito antes dos planejamentos estratégicos de mídias sociais)… E hoje, vejam só, é o dia do Amigo.

Pois é, recebo felicitações pelo dia, há cerca de três anos – pasmem tem gente que gosta de mim rabugenta como sou, acham até graça -. Está mais lento que o Dia dos Homens para pegar a moda. Mas está ai.

O que eu gostaria mesmo é que todos esses dias não trouxessem nenhum resquício de capitalismo. Fosse de fato uma homenagem singela a quem é importante na nossa vida. Portanto, contribuindo para a fixação desta marca, mas de modo mais puro, deixo aqui meu abraço a todos os amigos que curtem ler minhas sandices e que deixam ou não o calor do seu comentário. Sempre que precisarem: Amigos, estou aqui!

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Gol Contra

É claro que tenho acompanhado o caso do goleiro Bruno. Que jeito? Só se fala nisso. Aliás, para o azar dele, o Brasil saiu da Copa antes do tempo, o que quer dizer que o mundo dele caiu muito antes e os cacos estão espalhados na mídia há muito mais tempo.

Paralelo ao caso, claro, existem as piadinhas, envolvendo o Flamengo e a quantidade de figuras supostamente (não vamos queimar ninguém na fogueira antecipadamente, não aqui) envolvidas com o mundo do crime. Mas isso não tem nada a ver com o futebol. O fato de Bruno, ser ex-goleiro de um time é circunstancial.

Varreram para baixo do tapete, mas no início do ano, um soldado da PM, lotado na UPP do Morro do Pavão-Pavãozinho foi surpreendido durante a madrugada, ao tentar arrombar caixas eletrônicos, em Niterói. Quem me garante que foi a primeira vez? Quem me assegura que ele nunca matou um vigia, pai de família, que estava alerta no momento de um assalto que ele tenha praticado? Quem?

Simplesmente abafaram o caso. Não contaram o fim da sentença: ele foi expulso da corporação? Não foi? O dito soldado entrou para a corporação pela janela e foi varrido para debaixo do tapete.

O que tem que ser levado em conta no caso do Bruno é a certeza da impunidade. No Brasil, é assim. O povo mata os pais a pauladas (Suzane Von Richthofen), joga criancinhas do auto do prédio (casal Nardoni) ou espancam (Vera Lúcia Gomes) e esquartejam pessoas, porque há a cultura de que quaisquer mil Reais encobrem as piores atrocidades.

Sem contar os valores invertidos. Um psicólogo, que estudou para ser capaz de apontar se pessoas como Bruno podem fazer parte de um grande clube, são dispensados do corpo médico. Por quê? Ah, porque são caros, né? Mas um delinqüente ganha R$200 mil, pelo esporte que pratica e pode então, ter moedinhas sobrando para financiar sua psicopatia. Um especialista custa 1/10 do que custa um craque, mas é melhor secar esse gasto.

Quem adivinha quantos clubes brasileiros têm departamento de Recursos Humanos? Mas se nem a PM dá importância a avaliação psicológica e social…

Aliás, falando em polícia, os agentes envolvidos no caso, agora estufam o peito nas coletivas para falar que desvendaram isso ou aquilo. Coisa nenhuma! Não fosse o tio do menor, procurar a rádio Tupi para colocar a boca no trombone (sabe-se lá porque fez isso), a entrevista do Bruno pedindo que Eliza Samudio aparecesse logo era o que ia valer. Olha a impunidade aqui! Cumpra-se. Arquive-se.

Nesta história toda eu tenho pena do pobre bebê inocente que vai levar a marca da delinqüência de pai, mãe e avós marcada a ferro na sua história. E de nós, povo brasileiro, que estamos evidentemente abandonados a própria sorte, cada dia mais.

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