Arquivo do mês: novembro 2010

Vejo o Rio de Janeiro

E vejo a Penha também. Quase que da janela de casa. Se esticar um pouquinho o pescoço vejo até boa parte do Complexo do Alemão. Nascida e criada no subúrbio, não preciso nem de consultar literatura especializada para dizer sem errar, que essa área de conflito compreende cerca de 3 KM² de território e abrange, só pra citar alguns,  o Morro do Baiana, o Morro do Alemão, o Morro dos Mineiros, a Nova Brasília, a Pedra do Sapo, a Fazendinha, a Grota, a Caixa D’água, entre outros.

Eu compreendo que somos uma ilha cercados de corrupção por todos os lados. Compreendo que o nosso pacífico povo não tem ímpeto de ação contra isso e espera que o milagre caia do céu e os proteja, mas na minha opinião (atire pedra quem quiser), essa é uma realidade utópica. Tanto quanto essa expressa guerra civil.

Como mencionei o território a ser ocupado é grande. São várias comunidades reunidas, com várias entradas… Me convencer que em duas horas e meia de operação, se estende uma bandeira do Brasil no ponto mais alto e tudo está resolvido, me desculpe, é balela.

Boa parte, daquele monte de traficantes que pareciam fugir como ratos em uma tomada aérea da Globo, na verdade, estão misturados a população local. Quem vai identificar? Ninguém! Se não o fizeram até hoje…

A outra parte, aquela que interessava, fugiu antes da bomba explodir. Ou vocês acreditam que os policiais corruptos deixaram de ser só porque o Lula mandou a tropa nacional?! Claro que passaram aos que interessa todo o serviço “de inteligência” antes.

Alguém já soube de um general em front de guerra? Os marginais seguem a mesma lógica, minha gente. Do contrário o tráfico não tinha o nome de crime organizado e nem havia chegado ao ponto que chegou. Pode ter gente pouco instruída, de poucas oportunidades (pra quem concorda com o pessoal dos Direitos Humanos), mas burros eles não são. Claro que no meio daquela fuga em massa não estavam os donos da situação.

O que aconteceu na região foi a tomada de alguns pontos chaves dentro deste complexo, mas a rendição foi muito fácil… Tomara Deus que eu esteja errada, com a cabeça cheia de teorias da conspiração na cabeça, mas ainda sai coelho desse mato.

Se o Estado realmente estivesse engajado em nos livrar dessa realidade triste, deveriam ter ido sufocar a Baixada Fluminense e a Rocinha, onde eles sabem que tem gente escondida, para não baixar criminalidade em um canto e aumentar em outro. Se é para acabar, vamos acabar de vez.

Eu me ponho em sacrifício. Atravesso a cidade pra lá e pra cá em guerra a troco de ver o titulo Cidade Maravilhosa não ser apenas moeda de troca publicitária. Me desculpem os mais crédulos no sistema.

2 Comentários

Arquivado em Cotidiano, Política interna

Resto de Cidade. Pra qualquer coisa de nação

O último final de semana foi prolongado. Feriado de Finados. Diziam os comunicados à imprensa que as repartições públicas fariam ponto facultativo, mas que claro, serviços de emergência como hospitais, manteriam normalmente seus plantões. Eu, como boa cidadã tola e crédula… Mais uma vez me senti segura e cai nos contos do vigário.

No sábado à noite, fui socorrer uma pessoa com histórico de câncer, que há dias passava por uma dor intensa, justamente no local onde havia sido operada uns dois anos antes. Carteirinha de paciente do INCA em mãos, lá fomos nós para Vila Isabel.

Quando chegamos lá, o médico plantonista estava em seu posto. Mas ouviu a queixa da paciente sacudindo negativamente a cabeça:

“A única coisa que posso fazer é aplicar um remédio para dor. Se a consulta tivesse sido pela manhã até dava para fazer um raio x, mas agora não tem nada mais funcionando. Ambulatório agora, só marcado na quarta-feira (o que viria a ser depois do feriado)”.

Pausa aqui: somente o raio x funcionando?

E se o caso não fosse no osso? E se fosse e precisasse de uma avaliação mais série? Até que passassem 4 dias para MARCAR (e não consultar) o paciente do câncer morre sem assistência.

Eu não estava na emergência de um hospital qualquer. Eu estava em um centro de tratamento especializado na doença e que, portanto, sabem da gravidade (e da urgência) do câncer seja em que parte for do corpo. Aliás, se a dor já estava muito forte, há muitos dias, não preciso ter diploma de Medicina para saber da gravidade do assunto. Sem contar que o paciente já estava cadastrado no sistema, passado por “n” tratamentos e cirurgias… Histórico forte para ser desprezado apenas porque era feriado.

 

E o povo ainda se dá por satisfeito com as UPAs, que de igual forma não funcionam. Ao invés de investirem na construção de mais um sistema falido, porque não ajeitam o que já temos e não funciona?

É inaceitável aplicarem morfina para mascarar a dor, porque é feriado e não tem um diagnóstico preciso.

Querem mais?

Domingo fui levar meu filho ao Planetário da Gávea. Um centro de entretenimento que, portanto, deveria funcionar nos finais de semana e feriados. Mas demos com o nariz na porta!

Detalhe: o feriado do funcionário público havia sido transferido para a segunda-feira, logo, no domingo quando estávamos disponíveis para visitar o espaço de lazer, ele deveria estar aberto. Sem desculpas. Mas não foi o que aconteceu. Não é incrível?!

Sei que já perguntei isso aqui outras vezes, mas vamos lá de novo: Onde é que nós vamos parar neste país?

2 Comentários

Arquivado em Cotidiano, Descaso