Alvorada Nipônica. Constante Crepúsculo Brasileiro

Os amigos têm me cobrado um pouco não comentar por aqui a situação caótica do Japão, visto que conheço mais de perto a realidade, por ter uma irmã na Terra do Sol Nascente. Senhores, vos digo: é exatamente por esse motivo que nada falo.

Primeiro que japonês não é digno de pena. Aquele povo tem uma força tremenda de reconstruir. “Oh, não se esqueçam da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária” (Vinícius de Moraes / Gerson Conrad). Sim, hereditária não só em radioatividade, mas em força de se levantar.

Segundo: imaginem o estado de São Paulo, solto no meio do oceano, que está sofrendo elevação de nível. Isso é o território japonês; Eles conhecem a vulnerabilidade da sua terra, tanto que têm dispositivos eficientes para anunciar a tragédia a população, 5 minutos antes que ela aconteça. O passou por lá foi uma Tsunami! Inevitavelmente causaria danos. Pior somos nós, que por qualquer chuvinha o Rio de Janeiro se acaba. E que tipo de dispositivos temos contra isso? Solidariedade depois, né? Rosas brancas no túmulo, um minuto de silêncio…

Fato é que se não controlamos as chuvas, algo tão banal, imaginem se a onda gigante é aqui no nosso litoral? Em Copacabana? Certamente não seriam 12 mil, mas TODOS mortos. Ia pegar gente tomando sol na orla, se bobeasse, o pessoal do surf ainda ia dar um tchibum, sem qualquer noção da gravidade do problema. Não somos anfíbios, moramos no litoral e não temos qualquer treinamento ou informação de como detectar perigo, se proteger… Nada.

E, para concluir, no Japão (além dos japoneses e sua força interior e tecnologia) existe política que trabalha pelo povo. Vocês viram no Jornal Nacional? Duas semanas depois do terremoto e do tsunami, uma rodovia que havia sido devastada não tinha nem sinais do acontecido. Detalhe: O governo japonês não mencionou reimplantar a CPMF ou mexer na previdência para isso.

Já por aqui… Mais de 80 dias depois das chuvas que puseram abaixo a Região Serrana do Rio, escolas e igrejas ainda são endereços de moradia para mais de mil pessoas, o cenário ainda é de tragédia, o aluguel social (que diga-se de passagem é ridículo) não chegou.

É por conhecer essa realidade tão de perto que não me abalo. Por lá, tem gente trabalhando pelo bem estar social. Somos vulneráveis no universo. A Terra está em mutação. Graças à Deus que foi por lá a tragédias. Os japoneses colocam tudo de pé novamente muito antes de acabarmos de construir o primeiro estádio para a Copa do Mundo. Temos que nos preocupar é em perguntas: E se fosse no Brasil, que está no Planeta Terra também? Possivelmente, os que sobrevivessem ao terremoto, morreriam de fome e sede, enquanto os políticos se preocupam com seu próprio umbigo.

Quando é dia no Japão. É noite no Brasil. Só que o nosso crepúsculo social não finda nunca… O que mais dizer? Banzai, Nikkon!

1 comentário

Arquivado em Cotidiano, Opinião Pública

Uma resposta para “Alvorada Nipônica. Constante Crepúsculo Brasileiro

  1. Manoel

    Seja benevolente, temos uma longa estrada pela frente.
    Mas nossos politicos podiam imitar os samurais, ao menor sinal de vergonha se matem.

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