Alô Realengo, o meu abraço

Se tem um lado bom de estar fora das emissoras de rádio é não ter que ficar buscando pautas estúpidas para desdobramentos impossíveis (sim, muitas vezes somos obrigados a isso, enquanto certo assunto gera audiência), como o caso do Atirador de Realengo.

O grande filão agora é juntar extremismo religioso com games violentos. Sobe o som de mistério: Será que a culpa é da Al-Quaeda? Gostaríamos tanto de nos parecer com Norte Americanos… Quanto regozijo seria conseguirmos culpar o Bin Laden! Ou os Estados Unidos da América diretamente, na figura do GTA / Counter-Strike. ELES querem acabar com nossa infância (BG de choro dramático).

Não sejamos tão macacos (anencéfalos) de auditório! Saber que o assassino usou barba até o peito, se estava ligado a algum grupo extremista ou se curtia jogos violentos, satisfazem apenas a massa que gosta de morbidez. A mesma massa que diminui a velocidade do carro pra ver se o motoqueiro só caiu na pista ou se esmagaram os miolos dele. Solidariedade? Informação? Não. Nada. Apenas combustível pra comentários de gente que não tem discernimento  para entender que famílias inteiras estão dilaceradas e isso não é o último capítulo da novela das 21h.

Se é que existe alguma informação ainda neste momento que valha a pena ser dada, é a necessidade do Hemorio em manter estoques para atender as vítimas que ainda estão em tratamento. Ou então, sugiro uma pauta nova para que se divulgue em massa: como detectamos transtornos que levem a destruição em massa dentro da nossa casa? Quem são os assassinos em potencial? O que nós, mães, podemos fazer?!

Vídeo Games, religião, o assassino… Isso serve para estudantes de distúrbios mentais, sociólogos, filósofos… Explorar a dor dos outros na imprensa também é doentio e precisava ser mudado, começando por você que compra jornal para ficar por dentro dessas “fofoquinhas”. #prontofalei

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3 Comentários

Arquivado em Opinião Pública

3 Respostas para “Alô Realengo, o meu abraço

  1. Eu sou aquela que se não pode ajudar, nem entro na rodinha de acidentes; se o ônibus que eu estou passa por um desses na minha janela, eu fecho os olhos. Não tem o q fazer numa situação dessas.
    As pessoas são realmente sádicas em sua ignorância. Eu eu temo os ignorantes. Eles são a maioria.
    Brilhante como sempre.

  2. Ma

    Sabe Fê, tem gente que se alimenta de morbidez, voyers de sangue e miséria humana.
    Não vai longe o tempo em que O Dia ( Jornal do Rio) era sinônimo de sangue. Costumavam até brincar dizendo que se espremesse o jornal, ele pingava em vc.
    Coisa triste.

  3. Manoel

    A curiosidade morbida e sociopata desse povo alimenta essa imprensa marrom.

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