Corre que vem chuva

No país da Copa do Mundo 2014, tudo é muito bonito até que cai a chuva. No Rio de Janeiro, mais um episódio de caos pluvial se repetiu ontem (25/04): A Defesa Civil da cidade registrou pelo menos quatro pontos de deslizamento em favelas diferentes; Na serra Grajaú-Jacarepaguá, uma pedra se desprendeu das rochas, acabou com a frente de um carro e provocou a interdição completa da via; Na Praça da Bandeira, um homem foi encontrado morto, vítima de afogamento.

E ai, as notícias começam a ser publicadas e você, à medida que as lê, pode jurar por Deus e todos os santos que, dessa vez o povo vai cobrar das autoridades alguma providência. Peraí, gente! Tem quatro meses que a região serrana do estado veio abaixo por conta de chuva. Cidadãos que pagam seus impostos ainda estão em abrigos improvisados… E o Morro do Bumba? E Angra dos Reis? Vamos dizer que já chega?

Ao contrário… O povo ficou feliz porque pela primeira vez a prefeitura acionou um alarme para avisar de situações de emergência em área de risco. O sistema sonoro foi instalado depois das enchentes de abril do ano passado. Isso evita que as pessoas sejam soterradas. Quanta bondade, senhor prefeito!

Não fosse pelo fato das pessoas estarem ainda em ÁREAS DE RISCO.

Em UM ANO não se conseguiu dar a esses brasileiros um plano decente de habitação? Eles precisam sair correndo com alguns pertences e suas famílias debaixo de qualquer chuvinha? Viver no pavor é o que merece o povo que paga os impostos mais caros DO MUNDO?

O sistema de sirene foi inspirado em quem? No Japão? De fato, senão fosse o alarme de calamidade acionado momentos antes da Tsunami a tragédia teria sido muito maior (eu mesma escrevi sobre isso), mas ondas gigantes são eventos naturais isolados, já a chuva nesta época do ano é tão banal por aqui, que Águas de Março virou um clássico da MPB. Ou não?

Se é pra copiar coisas, vamos começar pelas mais úteis? Além de sirenes antecipando catástrofes, os japoneses têm um sistema de escoamento de águas pluviais por meio de reservatórios gigantescos, que não se mistura ao sistema de esgoto, e evita o transbordamento (motivo da maioria das nossas enchentes). As tubulações atravessam o subterrâneo de algumas cidades japonesas, drenando a água excedente e evacuando para algum rio quando necessário, para tanto, essas galerias tem motores capazes de bombear cerca de 200 toneladas de água por segundo para exterior. Detalhe: tudo isso embaixo de uma terra sujeita a terremotos e tsunamis coisas que não vemos por aqui.

As cidades crescem em cima de asfalto. Este material é impermeável, por tanto, há de se pensar alternativas para co-existir com a natureza que ainda tem seu lugar neste planeta.

Se não houve vítimas fatais nas comunidades por conta do alarme a que todos louvam, vamos lembrar que um homem morreu afogado porque nossas galerias pluviais são ineficientes e causam enchente!

Precisamos de um sistema de drenagem eficaz, de um plano de habitação seguro para que nossas famílias não estejam em áreas de risco normalmente e ai, sim, uma sirene contra CATÁSTROFES (e não rotinas naturais).

Só me venham falar de satisfação, quando acordarem desse sono profundo, brasileiros!

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