Memórias póstumas de ‘Dinho’ Pai

Hoje meu pai faria 68 anos, se o Hospital Central da Polícia Militar tivesse dado alguma atenção à gravidade que é arrastar um câncer. Talvez se ele também fosse menos orgulhoso e nos deixasse leva-lo ao Inca, enquanto havia algum tempo para a sobrevida.

Enfim… A vida não é feita do que poderia ser, mas daquilo que é. E hoje, em seu aniversário ele não está mais aqui conosco. Será?

Sentada aqui agora, olhando para tela branca, revivi um sujeito meio cara fechada que adorava um paparico de aniversário.

“Eu só quero saber de quem é o aniversário hoje”, “comprou o que para o papai?”, “Jacira, as bailarinas estão atrasadas para o baile”.

Todo ano as mesmas frases e o mesmo entusiasmo para sua própria festa, que nunca aconteceu. Ele não era dado a receber em casa. Era um homem de muito poucos amigos, mas gostava de festejar sua própria coleção de primaveras.

Muito possivelmente a trilha sonora da casa hoje seria Júlio Iglesias. E eu, ia me esgueirar pelos corredores, para que ele não me puxasse para dançar um bolero atrás do outro. Dançar com o pai é enjoado, né?! Até que você não precisa mais fugir dele….

Pai, se eu soubesse que teríamos tão poucos boleros a dançar na vida, eu teria deixado você ser meu partner até te vencer pelo cansaço.

E como o nó na garganta já me impede de homenagear: Onde quer que você esteja: Feliz Aniversário!

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