Cadê a ética que me ensinaram ali?

Na faculdade de jornalismo a gente aprende que toda matéria precisa ser apurada, ou seja, investigada antes de ser anunciada. Não há professor que não diga também que é preciso ser o mais isento possível, ouvindo todas as partes envolvidas no caso. O exemplo é sempre muito grave: O caso da Escola Base.

Apesar disso, a fúria de se manter o bombardeio de informações em ritmo alucinado tem feito muito jornalista (e produtor de TV) limpar a bunda com a ética do jornalismo. Essa semana fui vítima disso.

No último dia 28, terça-feira, fui procurada pela Secretaria Municipal de Saúde para responder uma matéria que estava sendo produzida pela Band, onde a filha de uma paciente do hospital onde sou assessora de imprensa, denunciava que óbito de sua mãe tinha sido negligência clínica.

Desarquivado o prontuário, verificamos que a mulher era idosa, tinha dado entrada na unidade transferida da UPA de Marechal Hermes em estado grave, respirando mecanicamente e com antecessores de hipertensão e Diabete Mellitus. Dificilmente ressuscitaríamos Lázaro, por pura incapacidade milagreira. Não com essas palavras, mas em um boletim médico detalhado, escrevi a nota de retratação que foi ao ar em forma de nota rodapé no Jornal da Band, de quinta-feira.

Ocorre é que o programa Cidinha Livre, que vai ao ar na mesma emissora, às 13h, tem uma produção independente, porém, tem autorização de chupar matéria dos jornais da casa. É para bater no governo (o hospital é público)? Então vamos fazê-lo sem critério. O programa veiculou a matéria no dia seguinte (01/07), mas suprimiu a nota rodapé, deixando o hospital crucificado desnecessariamente diante dos telespectadores. Segundo a coordenadora de produção, faltou tempo no jornal, e ai eles excluíram nosso direito de resposta. Ética pra que, né?!

O agravante? O tal programa da Cidinha só vai ao ar de segunda a sexta, ou seja, uma retratação só mesmo na segunda. Enquanto isso, quem assistiu ao programeco fica nos condenando… Se é que a tal produtora vai mesmo voltar atrás no seu sensacionalismo e nos dar o direito constitucional de resposta. Eu já estou pronta para o pior.

Curiosamente, na mesma semana, a Record e os portais Ego, E-Band (olha ela aí de novo), UOL e O Dia publicaram a morte do promoter e repórter de entretenimento Amin Khader, por motivos desconhecidos. O pior de tudo? Khader é da Rede Record e a assessoria de imprensada emissora tinha até a data do velório.  Enquanto a notícia corria na internet, o repórter se exercitava na orla da Barra. Quem acabou desmentindo tudo foi a mesma pessoa que anunciou via Twitter a morte de Amin: o promoter David Brazil.

Toma-lhe barriga! O que está acontecendo com o nosso jornalismo, gente? Bóra voltar a ter senso e critério?

2 Comentários

Arquivado em Opinião Pública

2 Respostas para “Cadê a ética que me ensinaram ali?

  1. Porra, que merda hein…
    Cai em cima Fê.

  2. Ter (bom) senso e critério?

    Isso inexiste para alguns profissionais, amiga… Triste você ser vítima deles…

    Besotes e boa sorte no caso!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s