Um novo tempo

Quem viu o Jornal Nacional, na última quarta-feira, dia 28, levanta o mouse. Eu não sei vocês, mas eu me emocionei quando Fátima e Bonner mostraram o troféu Emmy no final da edição e comentaram que foram cumprimentados na rua, por onde passaram depois de ganhar o Oscar da TV, o que também incluía agentes de segurança dos Estados Unidos.

Lembrei das aulas de jornalismo (sim, houve um tempo, antes do Lula, em que jornalistas frequentavam a faculdade, coisa da qual me orgulho muito pelos motivos a seguir), em que o professor passava um vídeo da evolução do telejornal. Antes, o Repórter Esso, lia as notícias, sem encarar o telespectador. Depois, Cid Moreira, por anos na bancada mais importante do país, o JN,  já tinha um TP, que permitia que ele lesse as notícias, olhando para o público, mas o rosto ainda era frio,  sem esboçar qualquer opinião. Acho que Boris Casoy, no Brasil, foi o primeiro a dizer que corrupção “era uma vergonha”, mas não na Rede Globo. Lá a linha sempre foi mais dura para as bancadas de telejornal. E assim o foi por mais de 30 anos. Um sorriso ou outro foi sendo permitido timidamente.

Aliás, o repórter também era quase um poste, decorava sua “passagem” (é assim que se chama, na TV, quando o repórter aparece, falando, no local da notícia) e tinha a obrigação de ser impessoal, frio, distante.

A cena que se seguiu na última quarta-feira seria digna de uma monografia, se ainda fosse preciso se formar em jornalismo. Foi, em minha opinião, a grande cena do admirável mundo televisivo novo e merece ser destacado. Um mundo mais real, mais próximo, mais “normal”, mais contemporâneo, bem a cara do “tio” que tem centenas de seguidores no Twitter (embora interaja muito pouco com eles, sendo bem franca) e muitas vezes se pauta, pelo zunzunzum da rede.

Fazendo valer a máxima “Antes tarde do que nunca” (porque só agora tive tempo de sentar e escrever) vale dizer que eu me emocionei!

1 comentário

Arquivado em Cotidiano

Uma resposta para “Um novo tempo

  1. É por isso que eu admiro muito a época em que Nelson Rodrigues foi jornalista. Naquela época, não tinha faculdade e os repórteres se comportavam como humanos portadores de notícias. A ideia de tornar a figura do reporter em um ser impessoal e distante, veio da américa do norte e claro, foi rapidamente copiado pelo Brasil, se alastrando pelo mundo.
    Agora, como quase todo o resto, estamos fazendo o caminho de volta (sacolas de papelão, garrafas retornáveis e o jornalismo sem faculdade). Aliás, vc sabe de onde surgiu a ideia de formalizar a notícia atrás de uma cadeira de faculdade? Foi do militarismo, na intenção de retardar que o povo tivesse acesso ao que ocorria.

    Sério, não me emocionei. Até porque sei o quanto tudo o que o tio mostra pra gente, é completamente manipulado e premiar isso p/ mim, não representa nada.

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