Rio de Janeiro: lindo e desorganizado

Cada dia mais eu me sinto a beira de um ataque de nervos. De verdade. Não sei como é possível a gente conseguir viver em uma cidade como o Rio e sobreviver a ela por, sei lá, 80 anos… Se é que essa é uma média oficial de sobrevida por aqui.

Bastam três pingos de chuva e todo mundo já sabe: o trânsito passa de lento a insuportável. Quando não é um fenômeno natural, são as blitzes. Puro teatro pra fazer a gente ter a sensação de que alguém está fazendo algo para acabar com a insegurança geral. Não sinto nem diminuir.

Entro em pânico toda vez que preciso entrar em um caixa eletrônico. Aquela coisa de “digite sua senha, insira seu cartão, digite sua chave de segurança, retire seu cartão, insira seu cartão”, transfere o nosso tempo a favor do ladrão, na espera da “saidinha do banco”. Será que ninguém percebe? Esse sistema é falho, lento… Não dá segurança a ninguém.

E quando saio da cabine? Todo mundo passa a ser suspeito. Não que eu ande cheia do dinheiro, em geral, é R$10,00 o que trago no bolso, mas a minha hora trabalhada custa R$8,33 e isso, definitivamente, não paga minhas contas. De modo que R$10,00 é minha pequena fortuna diária para o pão de cada dia. Fará falta se alguém me tomar. Fora que a gente pode morrer por essa mesma infame quantia, porque a segurança mesmo é só naquela blitz aparente.

A situação da saúde também está dramática. Um rapaz de 21 anos cai de uma laje na Baixada Fluminense, percorre, inconsciente, 80 quilômetros durante 7 horas, numa romaria por cinco hospitais para ser internado e, acaba morrendo 7 dias depois. Digam o que quiserem através de notas oficiais (e eu, infelizmente, também escrevo as minhas quase que diariamente, fazer o que?), mas em quanto cidadã, nada me tira da cabeça que socorro tem que ser imediato, afinal de contas, não estamos lidando com humanoides, que podem trocar uma peça e tudo se resolve. Não! A vida humana é uma só e deveria ser valorizada.

E o sistema bancário? Pode todo mês ter que fazer uma denúncia ao Banco Central para que se faça o óbvio: não extorquirem o cliente. Mesmo não gastando nada com o cartão de crédito há meses, só porque tenho uma dívida negociada, não consigo fechar o orçamento do mês antes de brigar pelo menos 3 dias, para estornarem os valores a mais. Sempre tem uma “quebra do meu compromisso” junto a instituição, mesmo que isso signifique pagar adiantado. É. Isso mesmo. Paguei antes, perdi o acordo, porque tem que pagar no dia. A regra não era ter mais desconto, porque se teria, em tese, menos juros?!

A cantora Rihanna adorou o Rio, a praia e a caipirinha e fez até uma tatuagem de henna. Coisa linda de Deus! Tem dinheiro sobrando: Não vai experimentar o Metro da cidade, não vai precisar de um medicamento da Farmácia Popular, não há de cair de uma laje… Fácil dizer que o Rio de Janeiro continua lindo.

Estamos em outubro. Final do ano chegando. Você, que pode, já deve estar escolhendo roteiro do Revéillon. Já que brasileiro não sabe fazer um protesto, dê uma ajuda, não venha pra cá, não. Isso aqui é o caos. Não merece sua visita, antes que acabem com tanta pouca vergonha.

Cansei!

2 Comentários

Arquivado em Descaso

2 Respostas para “Rio de Janeiro: lindo e desorganizado

  1. Pois é e ainda acham que vamos dar conta de todos os grandes eventos que estão para chegar!
    Beijos saltitantes
    Boa semana

  2. Nossa Fê, eu já vi vc reclamar pra burro, agora perder as esperanças desse jeito… cara, teu destino está seguro trabalhando em cidade do interior, longe da doideira. Já pensou num futuro assim?

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