Fazer o bem

Desculpem! A impossibilidade de solucionar o caso “pagamento da moto X presente do filho” está me deixando realmente amargurada. Se você não está a fim de ler, clica no alto da tela e fecha a página. Faça esse favor por nós, sobretudo os ultraotimistas que não comentam nunca por aqui, mas vão ser tomados de um súbito impulso de dizer:

“Fica calma. Você é boa e as coisas vão melhorar…”

Sabem de uma coisa? De todas as leituras que já fiz na Bíblia (esse livro idolatrado que vocês adoram esfregar na cara da gente, sem nem entende-lo ou praticá-lo) a passagem que mais me marcou foi Provérbios 3, que diz: “Não deixes de fazer bem a quem o merece, estando em tuas mãos a capacidade de fazê-lo”.

Isso põe abaixo aquela tua frasesinha pronta “Se Deus quiser ele vai te abençoar”. Porque está na tua mão fazer o bem, meus caros. Do céu mesmo cai é muita chuva, granizo ou neve, quiçá. Benfeitorias é fruto do teu trabalho.

Na época de faculdade uma colega de classe estava passando por problema de desemprego, tinha um filho ainda pequeno pra sustentar e estava prestes a perder um período inteiro por falta de grana. Eu não dispunha do dinheiro que ela precisava. Mas não abri minha boca pra dizer “não posso fazer nada”. Até porque ela apenas me procurou pra chorar, não pra pedir nada. A grande maioria ali tinha problemas financeiros, estava fazendo esforço para ir em busca de um futuro melhor. Ela sabia disso.

O que eu pensei? Sozinha não posso pagar. Mas se cada professor, cada colega me der R$10,00, todos juntos poderemos mudar essa história. E assim eu fiz. Pedi por ela. Juntei tudo em um envelope e entreguei o dinheiro completo da dívida dela, no mês seguinte, quando haveria a renovação de matrícula e quando também, era aniversário dela.

Em outra ocasião, uma coleguinha de escola do meu filho, que nasceu com câncer, viu seus pais perderem o emprego e a família estava prestes a ser despejada por colecionarem 3 aluguéis em atraso. Embora muito sensibilizada, eu não tinha como ajudar aquela família, que era batalhadora e amorosa com sua filha que praticamente foi criada dentro do INCA. Eu não tinha, mas o site Vakinha, me mostrou muitos internautas que podiam. Fiz campanha pela rede. Gente estranha depositou R$50,00 naquela história que nem presenciaram, apenas confiando na minha palavra. No mês seguinte, pagamos juntos um aluguel; A vida deles não estava estabilizada, mas ao menos o despejo ainda não seria tão já. E não foi. O pai acabou conseguindo um novo emprego e a vida seguiu sem maiores tragédias.

No trabalho, um rapaz que é deficiente físico viu sua cadeira de rodas quebrada, ficou incapacitado de exercer sua profissão, porque não havia mais conserto para o aparelho. Eu não podia ajuda-lo. Mas começou a movimentação para fazer uma vaquinha. Tínhamos que arrecadar R$2,000 para dar a ele uma nova cadeira resistente. Um médico, que trabalha a frente de uma ONG viu a movimentação e disse: “Pode parar com a lista, eu vou dar a cadeira que ele precisa”. E assim o fez. O dinheiro já arrecadado entregamos ao rapaz para que ele guardasse porque esses aparelhos têm vida útil e ele, que não tem pernas, invariavelmente vai precisar de renovar o equipamento cedo ou tarde.

Sem contar outras histórias… A mais recente, foi entrar em uma enfermaria da maternidade e ver que uma mãe tinha um bebê enrolado no lençol. Ela não tinha nada para vestir o filho. Sai pedindo a todo mundo que conheço que tem bebê algumas coisas para doação e cheguei lá, no dia seguinte, com um enxoval completo para a criança. A mãe me abraçou e chorou como se fosse ela a criança.

Não espero da colega de faculdade, da família que ajudei ou do rapaz deficiente que tomem atitude parecida por mim neste momento difícil. Porque era minha obrigação fazer o bem. No entanto, se a gente colhe o que planta… Por onde anda o meu anjo salvador?

Tudo bem. Um computador de presente de natal a um filho pode ser supérfluo olhando de fora, pra mim é um sonho que não posso realizar a pessoa mais importante da minha vida. Cuidei de tanta gente e não posso cuidar do meu…

O meu carro estava a serviço da empresa no momento do acidente (pode gritar burra na minha cara), será que a alta direção não vê isso? Que não me repassem o valor integral, mas que ao menos garantissem o presente de natal do meu rebento… Seria o justo. E a revolta de saber que não vou recebe-lo me torna hoje um ser humano pior, arrependido de tantas vezes não ter encerrado os casos como todo mundo:

Deus vai te ajudar, fiquem calmos…

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