Poupar é preciso

A minha avó vivia dizendo que era preciso “fazer o pé de meia”. Acho digno.

Imaginem vocês, se eu tivesse conseguido juntar alguma reserva pra minha vida, não teria quebrado completamente quando a Tamoio, naquele golpe de mau caratismo explícito, acabou com a emissora da noite pro dia, sem pagar absolutamente nada do que devia a equipe.

Foram 4 meses de desemprego. Mais que isso, 4 meses de absoluta escassez de trabalho. Apesar disso, a escola do meu filho continuava vencendo todos os meses, assim como todas as demais contas que além do valor normal, acresciam ainda a juros.

Sim, eles agiram de má fé, não canso de dizer isso (nem hei de me cansar, porque chutar cachorro morto pra mim deveria ser passível de crime inafiançável), mas todos que estão nesse alucinado mercado de trabalho, onde toda mão de obra é descartável e onde as pessoas topam qualquer salário miserável pra desempenhar a mesma função que você, devem estar sempre preparados para o pior.

No meu caso, não foi só o valor da rescisão que não me pagaram, eu não trabalhava pela CLT, de modo que nem o Seguro Desemprego eu tinha direito pra me valer naquele momento. Sei que tem muita gente nesta mesma informalidade por ai. E é a esse pessoal que me junto pra perguntar: Como é que se faz o pé de meia, gente?!

Meu novo salário não paga minhas contas. A dívida advinda daquela demissão (com cara de quem descarta um pano de chão esfarrapado) estão no meu calendário de pagamentos ainda, em forma de parcelamentos que parecem não acabar nunca! Trabalhos extras parece que foram cortadas de vez da minha cota de tábua salva vidas… E o governo? Ah! Esse nem se conta… Não há ajuda meeeesmo desse lado.

Pra se ter ideia, ao longo de um ano inteiro, a poupança tem apenas 1 por cento de ganho real – ou seja, sem correção da inflação. Daí, mesmo que fosse possível guardar dinheiro na caderneta, até dezembro de 2012, ainda assim não seria possível acumular um rendimento de 10 por cento, com inflação e tudo. E isso me preocupa.

Como é que faz a mágica de inverter o percurso desse rio pro meu mar?! Não canso de me perguntar. E vem ai o IPVA, a Volta as aulas, embora o meu salário seja ainda o mesmo, aquele que não só não dá pra pagar as contas, como não é ponto de meia, cachecol ou bolerinho.

Segue a programação, digo, a preocupação normal.

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