É Dia de Festa

Pra quem?

Trabalhei o dia inteiro, no mesmo ritmo dos últimos tempos: com hora pra entrar, sem hora pra sair. Meu chefe agradece a colaboração de não deixar o ritmo cair, mas o dinheiro que é bom… Esse ninguém nem passa pela cabeça de aumentar.

Marquei uma night com alguns amigos na Mariuzin… O trabalho não me deixou comparecer, esqueci de desmarcar com um dos amigos que, claro, ficou fulo da vida. E eu não sei com que cara, nem de que jeito vou me desculpar por essa… Se é que isso tem perdão.

Quando finalmente consigo chegar em casa, não há luz.

O Gustavo veio me receber com aquele ar de deboche que lhe é peculiar: “Mãe, mandei fazer um jantar a luz de velas pelo seu aniversário”.

Morri! Muito fofo meu filho. Até perceber que não havia jantar, não havia nem um bolinho de padaria sequer… Nada, nada… Brancas nuvens.

Se fosse pela falta de luz, se fosse pela época do mês que é sempre muito apertada, se fosse por nossas condições financeiras precárias no meio de um volta às aulas, impostos, etc… Mas não. Acho que minha mãe ficou tão entretida tomando conta da filha adotiva dela (não sei como, nem quando, mas ela adotou a mulher do meu primo que mora na frente e eles tiveram uma briga conjugal culminando em enforcamento e ela porta a fora de casa sem ter pra onde ir com uma filha de 1 ano nos braços, o curioso é que sempre disse a ela “não se envolva com essa gente” e, acreditava que ela havia compreendido e obedecido) que o dia passou e ela nem se deu conta.

Aliás, logo pela manhã nos encontramos como de costume na cozinha, para o café da manhã. Ela nada falou, eu também não alertei. Lá pelas tantas ela me ligou no trabalho para contar um capítulo emocionante da vida da mais nova filha dela, mas continuou sem lembrar de mim. Demorou um pouco até que ela tornasse a ligar, chorando, pelo esquecimento… “Ah, mas eu orei por você logo cedo”.

A pergunta é: Como é que ela falou com Deus sobre mim, se pra mim mesma, foi incapaz de um abraço ( e, mais tarde, descobriria, incapaz também de fazer um jantarzinho ou um bolinho de fubá que fosse)?

No auge desse drama chega a minha irmã:

“Caraca, não tem nada de especial pra comer, não? Pede uma pizza. Hoje é o seu aniversário”.

Ah, obrigada por me lembrar. Tem certas irmãs por ai que planejam festa surpresa para o outro. A minha pede uma pizza com o meu dinheiro. Isso que é parceria.

Conclusão: Cheguei aos trinta e uns carentona, odiando fofoca –  odiando ainda mais ver minha mãe metida em fofoca-, achando que posso medir os outros com a mesma métrica em que me miro, esperando de mais da vida e sofrendo com as inevitáveis decepções de quem espera ou ama de mais.

Não aprendi nada. Nada mudou. Exceto pelo colágeno mais empobrecido no meu corpo e visivelmente aparente no espelho.

Parabéns pra mim que hei de sobreviver mais um ano.

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “É Dia de Festa

  1. Ai me perdoa.
    Doeu aqui dentro saber de tudo isso. Teve um ano que ninguém da minha família lembrou e à noite eu fiquei puta chorei pra caralho e tipo, aquele ano não valeu muito embora o povo todo (ou quase) da rua tenha lembrado. Enfim, a gente sobrevive e a casca endurece mais um cadim. Força querida, feliz aniversário atrasado e mil desculpas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s