Levantando a Bandeira Rosa

E no dia anterior ao Dia Internacional da Mulher vivi a cena mais patético-machista que um dia ainda terei notícias (até porque, na nossa pele é sempre mais duro de esbarrar nessas coisas):

Lembram da história do motoqueiro que atropelou o meu carro enquanto estava parada no sinal?

Pois é.

Foi ontem a tal audiência no Juizado Especial Criminal, em Botafogo. Perguntei a um advogado amigo meu se era necessário acompanhamento de um profissional da OAB, ele negou. Fiz a mesma pergunta ao advogado da empresa onde trabalho e também recebi negativa. Lá fui eu então, com a cara, a coragem, as fotos do dia do acidente, que deixam claro que não estava tão em cima da faixa do cruzamento, orçamentos do meu prejuízo, boletim médico do atendimento do tal cidadão…

O que foi que o conciliador pediu pra ver? NA-DA!!!

– Este é um caso de atropelamento. Acidentes com ciclistas ou motociclista, pela lei, são casos de atropelamento e, portanto, damos a palavra a parte prejudicada. – Bom. Eu trouxe aqui o orçamento da minha moto. Ficou em R$4.500. Tinha falado isso já com a D. Fernanda, mas ela se recusou a me ajudar. Eu sou vendedor autônomo, no mês de dezembro fiquei sem trabalhar, com o prejuízo. Consegui fazer parte do conserto sozinho… Quero que ao menos essa parte seja paga.
– Concordo que me recusei a pagar tal quantia, porque esta valeria o preço de uma moto nova. E, neste caso, a atropelada fui eu. Porque eu estava parada e tenho aqui evidências disso.
– A senhora cala a boca, porque o rapaz está sendo generoso no acordo e a senhora pode jogar isso pra frente, ser processada, ter sua ficha suja…

Calar a boca? Generoso? Se esse sujeito fosse qualquer coisa humana, sequer teria me ligado após o acidente.

Ele sabe bem que eu estava parada, que ele vinha na mão transversal, disputando espaço com outros motoqueiros e que chovia aquele dia. Quer dizer… Mulher no volante, perigo constante. Cala a boca e paga…

Senhoras, NUNCA vá a delegacias, juizados ou esquina sem a companhia de um advogado, embora um profissional da área tenha lhe assegurado da falta de necessidade. Melhor pagar o acompanhamento de alguém que vá lhe defender do que perder DOIS MIL E QUINHENTOS REAIS (desculpe quem se ofende quando falo de dinheiro ou que não tenho como pagar, já que não sei nem como faço mês a mês para sobreviver) pra um safado-sem-vergonha-barbeiro-ordinário-mau-caráter-filho-da-besta-666 simplesmente por machismo.

Feliz (?) dia internacional da mulher!

1 comentário

Arquivado em Cotidiano

Uma resposta para “Levantando a Bandeira Rosa

  1. Fê, não sabia de mais essa. Nem sei o q dizer. Ou melhor. Muitas vezes melhor é nem dizer nada!

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