A minha Comunidade

Essa palavra “comunidade”virou bandeira do politicamente correto, não é?! Basta pronunciá-la e todos os olhares já voltam para a favela, lugares mais carentes. A questão é que todo mundo vive em comunidade, ou não?! Viver em comum, compartilhar do mesmo espaço é estar em comunidade e essa rotina é um desafio diário.

Não importa se num conjunto habitacional ou num prédio de um apartamento por andar. Se o maldito vizinho cisma de ouvir som alto  incomoda a gente de assistir TV. Tanto faz se ele ouve Funk, MPB ou pagode. Tanto faz se isso acontece aqui na Vila da Penha ou no Recreio. Cara, eu tenho direito a ver a minha novela na paz! O que importa é a falta de respeito ao direito do outro de ir e vir.

Se no trabalho a galera é abusada, não importa se estamos em Acari ou no prédio da BR, no Centro da Cidade. O grau de abuso será o mesmo. Mas confesso, que na minha comunidade o caso está bem grave:

É normal, quando alguém do departamento faz aniversário, o pessoal ratear um kit festa: bolo, salgadinhos, refrigerantes… A gente finge que é surpresa e o aniversariante finge que foi surpreendido. Essa já era uma rotina que encontrei por aqui, mas quando cheguei, havia outras pessoas engajadas em fazerem acontecer. Depois de mim, inventaram o “estou super atolada de serviço” para deixarem absolutamente tudo nas minhas costas:

Verificar a agenda de aniversário, fazer a lista de convidados, escolher o kit festa, recolher o dinheiro, ir comprar, ir buscar, montar a festa, chamar o pessoal pra se esconder, fotografar, partir o bolo, desmontar tudo e limpar o setor onde o evento foi promovido. Todo mundo sempre muito ocupado.

Ontem dei o grito de liberdade!

Eu também estou muito ocupada. Quando eu não fazia sozinha, cada um dava um pouquinho do seu tempo. Agora, só o meu tempo é ocupado e, o que é pior, no dia do meu aniversário, não se prestaram sequer a me dar um abraço. E não me venha com a desculpa que eu era nova, porque já nesta época, todo mundo tinha meu Facebook. Cruzei os braços.

Todo mundo fala que eu reclamo de mais, que eu tenho pavio curto, mas foram onze meses vestindo a túnica de monge budista, acumulando trabalho em virtude dos intermináveis aniversariantes dos setores, sempre explicando o óbvio (fazer tudo sozinha era extremamente cansativo e complicado) com paciência franciscana.

No início do mês passei o calendário dos aniversariantes para ver se dava para entender que era preciso alguma organização para colaborarem comigo e com o colega aniversariante. Torci muito para a lógica prevalecer e a gente aprender a viver em comunidade! Resultado: Para livra a sua pele, por vezes, é melhor tirar uma lavadeira de dentro de você que faz barraco e diz não.

O incômodo é o mesmo seja em que comunidade for.

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s