Armário Velho

Depois do último post de homenagem aqui eu decidi que não ia mais olhar pro passado. Aliás, a decisão veio mesmo vendo novela. Uma noite dessas a Cássia Kiss Magro falou para o seu novo filho, da nova novela: “Você tem que se amar mais, se respeitar mais. Se aquelazinha não correu atrás de você, meu filho, ela é quem deveria sofrer e não você. Aprende a olhar pra frente, olhar pra si  (foi isso ou coisa que o valha, claro que não lembraria cada palavra do discurso)”. Como já tinha feito meu ato de expurgo, entendi que sempre concordei com isso e tomei a decisão de não mexer mais em certos guardados. É melhor viver apenas as novas mazelas a somá-las aos males do passado aos quais não temos mais gerência.

Foi quando uma amiga minha que sempre foi avessa a redes sociais resolveu aderir a modernidade e, de primeira, já foi postando fotos justamente daquele momento da minha vida em que mais sinto saudade. PAH!

Sabe aquele armário do quartinho de bagunça?! Aquele mesmo que você deixa para abrir num domingo de chuva, que você junta coisas até dar traças?! Não pelas coisas em si, mas pelas lembranças que elas reservam (mesmo que você minta dizendo que aguarda a moda voltar). Pois é. Foi justamente este o armário que ela, sem pedir licença entrou na minha casa e abriu fazendo a maior bagunça.

Claro que tudo o que está lá dentro não dá para usar de novo. Aliás, você sabe que todas as quinquilharias que estão lá no fundo do dito armário você nem deve querer vestir de novo, afinal de contas, a reutilização traria como conseqüências sofrer de novo de uma mesma alergia que te dominou o corpo.

Isso é o que minha razão grita lá de traz do meu cérebro. Mas aquele lado ridiculamente romântico, não quer desapegar. Esse lado não vê isso tudo como entulho, mas como souvernirs. É mais ou menos o Batata esperando a Rita voltar. Qual é?! Essa Avenida Brasil não passa aqui no quintal de casa.

Tanta naftalina me fez desabar e chorar como criança. Foto a foto eu revivia cada detalhe de cada noite ou dia, ao mesmo tempo em que me vinha flashs de “tudo poderia ser diferente”. E se fosse agora?! Somava-se a isso o fato de ter sido ridiculamente feliz e o amargor de tempos presentes não ter a mesma emoção. Tudo aquilo é fora de moda e ainda assim, me dá tanta saudade.

Tudo bem. Eu andava mesmo reclamando de tudo, mas especialmente do fato de não conseguir mais chorar. Há um tempo não choro, sequer de saudade. Fiquei mais dura, mais pesada (num sentido amplo, infelizmente). Foi bom colocar toda poeira para fora, espanar, olhar pra cada coisa de novo… Entretanto, armário velho, eis teu destino: Desmarquei-me das fotos. Oh, providencial ferramenta.

Não quero mais lembrar do que tem lá dentro. Só quero, como um brinde aos novos tempos que devem ser escritos, aprender a passar por cima de lembranças e encontrar mais uma gavetinha pra depositar outros momentos. Aqueles outros, por mais que eu encolha a barriga, jamais voltarão a me caber.

Quem guarda sempre tem? Não no meu caso. Como é que faz para se desapegar das lembranças?!

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