Não venha a nós porque meu reino ruiu

Não queiram saber o que é trabalhar em uma instituição pública em época de eleição. Quer dizer, em geral, há sempre muitos pedidos, de todos os lados para dar uma “forcinha” nisso ou naquilo, mas em época eleitoral é preciso que tudo pareça muito melhor para fins, digamos, democráticos.

Destaco aqui, que no meu caso em particular, os serviços prestados a população tem muita qualidade, os profissionais são capacitados, a estrutura é sólida e, o grande problema está mesmo quando esbarra no que não tange a gestão, mas o macroproblema político social que não podemos resolver, tampouco há esforços reais desses tais “pedintes” em fazê-lo.

Mas é preciso que se mostre o contrário, ao menos nessa época.

Um certo gabinete, de uma certa figura política muito forte do subúrbio do Rio, todos os dias têm pedidos a fazer: neurologia, ginecologia, cardiologia, cirurgia, exame, curativo, Band-Aid, etc, etc, etc. A secretária, sempre muito simpática liga informando que está enviando e, nós, prontamente atendemos, abrindo assim, a exceção de emergência, em uma instituição de tratamento eletivo.

E se estou sendo o elo disso, se eu também sou povo carente de tantos atendimentos que me são de direito, se eu tenho a oportunidade e se quem tem boca vai a Roma… Vou pedir também.

– Minha sobrinha precisa de escola integral, para a filhinha dela com 7 anos. Temos a escola tal lá perto de casa. Pode me encontrar uma vaga?

– Claaaro, Fernandinha. Peça que ela venha aqui com os documentos dela e da criança que vamos resolver isso para você.

– Fernandinha, ligamos pra escola e não tem vagas. Pedi que sua sobrinha voltasse em Outubro, porque ai pro ano que vem…

[Já interrompi daqui]

– Então, mas essa foi a resposta que ela teve, quando procurou a escola, na ocasião da mudança dela para cá. Achei que vocês encontrariam uma vaga apesar disso, já que é exato o que me pedem do hospital, todos os dias praticamente e eu faço por aqui. Desculpa, mas a sua mão não está lavando a minha.

Não dá para ser povo. Não dá nem para ser suborno. Também não dá para ser idealista. Curral eleitoral da certa figuraça que me desculpe, mas a partir de agora, no que depender de mim, que procure o UPA e que a parceria público-privada de lá funcione tão bem quanto a minha. Não sou obrigada! 

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