Teatro: Manual Prático da Mulher Desesperada

Sim. Esta mulher aqui ficou desesperada, cerca de 60 minutos na plateia sem ver uma atuação digna do teatro em Adriana Biroli. Quando a peça começa com a interferência de um VT ainda perdoo porque, afinal de contas, sempre pode funcionar uma nova linguagem, mas quando o primeiro ato inteiro só mostra a atriz fazendo caras e bocas em cima de uma gravação de áudio, como se fosse seu pensamento… Ai eu me decepciono seriamente.

Não sei vocês, mas eu gosto do teatro, porque como diria o Faustão, quem sabe faz ao vivo. Tudo bem, que a justificativa da cena é que a mocinha está pensando, mas ela poderia pensar interpretando seu texto, mostrando que é capaz de decorá-lo ou improvisar em cima dele diante de um erro. Pra ver ou ouvir um VT eu ficaria em casa esperando a próxima novela dela.

A peça mostra uma mulher solteira, sozinha num sábado à noite, que aguarda a ligação de um pretendente. Entre rituais de beleza e muitas neuras, a personagem de Adriana vai mostrando o desespero do universo feminino, ainda muito presente no meu espelho: “Porque será que ele não liga?”, “Será que está esperando que eu ligue?”. Muitas feministas por ai podem até negar, mas no seu íntimo todo mundo (homens e mulheres) espera o seu par de jarro e, não raro vão se divertindo (ou chorando) pelos errados.

Diversão garantida mesmo só nas interferências do  ator Alex Barg que mostra a que veio como manicure da mocinha e depois, na balada, como um caipira sem noção. Aliás, grande escolha de parceiro de palco, porque de outra forma, a peça não diria nada a que veio.

O texto é de Dorothy Parker, de 1929 ainda mostra muito do nosso ridículo, mas a montagem, amigos, deixa a desejar.

As poucas pessoas que acompanham o blog sabem que desde sempre eu me recuso a falar mal de produções nacionais, seja teatro, cinema ou qualquer outra manifestação artística, por um motivo único: valorizar o empenho desses profissionais que sofrem o cão para montar as produções. Mas é impossível não dizer que a atriz que arrasava na TV, não tem a mesma empatia no palco, ou pelo menos não mostra isso dessa vez, e dizer (ou repetir), teatro é interação, minha gente, audiovisual é outra coisa.

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