Ted (ou a profunda imaturidade masculina)

Eu confesso: a minha infância girou em torno de um ursinho caramelo chamado Ted. Eu dormia com ele, brincava com ele e até para escola, no dia do brinquedo lá estava meu bom amigo. Quando passava férias na casa das tias, ai de quem não lembrasse que Ted deveria estar na bagagem. A noite era uma choradeira que não tinha fim!  Claro que isso ficou no passado. Na adolescência, acabei doando o querido brinquedo a uma criança próxima, e lá foi ele reiniciar os laços de amizade em outra infância (por onde andará o meu Ted agora que a menina em questão até já se casou? Nó na garganta.).

O caso é que no longa, a amizade entre John (um marmanjo de 35 anos) e seu ursinho de pelúcia não se dissolveu. Chegou até a vida adulta. Bem, também não sei se entregaria um mágico brinquedo, que ganha vida depois de um desses milagres de natal a outra criança (na vida real, o brinquedo foi recriado digitalmente para a telona utilizou a tecnologia de Performance Capture, a mesma que deu vida ao Gollum em Senhor dos Anéis).

O caso é que Lori, a namorada de John não se sente nada confortável com essa amizade pouco convencional. Aliás, o ursinho não é nada infantil. Ele usa entorpecentes, bebe como uma esponja, adora uma prostituta e influencia o amigo humano a levar a mesma vida sem compromisso.

É ai que a gente se reconhece, né meninas? Porque tem muito sem noção por ai que não cresce e nem tem um Ted para colocar a culpa. De tão ridículo chega a ser engraçado. Em algumas cenas, não fosse o urso seria igualzinha a muitas cenas da vida da gente: levar balão em evento importante em detrimento de amenidades, fuga de compromisso sério, você “dar duro o dia inteiro e o sujeito de colchão e fronha”… O que acontece no filme também repete o mundo real, chega uma hora do “ou eu ou ele” e o desenrolar é um clássico comédia-romântica com final feliz.

Enquanto isso dá para dar algumas boas gargalhadas – Eu ainda fico com “Se beber não case” como melhor comédia adulta dos últimos tempos, mas dá para se divertir – sobretudo se você for um pouquinho Nerd e entender as piadas de Star Wars, Twitter, Alf e Flash Gordon. O roteiro também não poupa celebridades e cita Adam Sandler, Norah Jones, Chris Brown, Susan Boyle e o queridinho das calcinhas de plantão, Taylor Lautner (e com essa tirada eu me rasguei de rir).

A estreia do criador do seriado Uma Família da Pesada no cinema foi bem feliz, mas atenção é um filme para adultos. Na sessão que eu estava tinham tantas crianças… O que essas mães têm na cabeça? Ted usa drogas, fala de sexo abertamente, aparece com a pelúcia cheia de pó no meio de uma festa. A indicação de faixa etária é para ser usada, gente! Não vamos submeter nossas crianças a cenários tão ousados. Eu sei que as novelas da Globo não poupam ninguém no horário nobre, mas aqui em casa, o mini nerd também não assiste Avenida Brasil, antes porém, tem TV a cabo com desenhos, os documentários que ele curte… E se você não pode ter isso, pense que o cinema tem muito mais liberdade de mostrar o que a TV ainda resguarda e deixem a garotadinha com a vovó. Ted não tem nada de fofo.

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