O tempo não para

Esse tal Cazuza era mesmo um gênio. O tempo não para, não. Não para. E ele nem viveu o suficiente para ver a loucura que a vida se transformou depois de internet, celular, celular com internet. Tenho a impressão de que o ano passou num piscar de olhos. Acabei de comemorar meu aniversário e… Meu Deus! Já vem outro por ai, porque então é Natal.

Tenho amigos para os quais não consigo contar uma única novidade. Estão sempre antenados em tudo, no sábado à tarde já leram as notícias que virão no jornal de domingo. E se comento com eles  algo que acabei de ver, a resposta vem num tom de tédio, porque para eles, tudo já passou, foi ontem.

Não consigo acompanhar essa loucura. Fico mesmo frustrada! Porque o tempo é um carrasco não só quando se trata do envelhecimento, mas  também nas questões mais comuns do cotidiano: Não consegui mudar de emprego, não ganhei mais, a viagem que tanto sonho para Fernando de Noronha, vai continuar no sonho, porque não fui capaz de pagar as dívidas. Ora, mais ainda faltam oitenta e poucos dias para encerrar o ano? E daí, se não produzi o que deveria em 365 dias, não dá mais tempo ( e falo isso em tom de fim de maratona). Fracassei mais uma vez!

 

E tudo parece conspirar para reduzir o tal do tempo. É o trânsito que nos detém, é a lentidão do outro que não entende o que a gente quer… Somos nós mesmos que apesar de querer tudo pra ontem, não aprendemos a otimizar o tempo. Mas como é que faz isso com tantas exigências e tanto estresse?

A ansiedade é o mal deste século e estou sofrendo disso. Sofrendo muito! Quero que minha vida ande nesses passos largos, o mundo está cobrando isso de mim e não consigo sair do lugar enquanto tudo se move mais rápido que a luz.

Todo dia reclamo da falta de tempo, da rapidez com que ele passa, do que queria fazer e não fiz, e do que deveria ter feito e não deu tempo. Estou desesperada, estressada, com medo de amanhã, porque hoje estou aqui falando besteira, tentando me situar, sem conseguir. Me sinto um cachorro correndo atrás do próprio rabo: Não chego a lugar nenhum, me canso, não findo com minha cosseira. Será que a gente vai ser mais feliz amanhã? No ano que vem? Será que vou conseguir situar meu corpo de século passado para este século? Tem dias que não me vejo tão aquariana. Ao contrário, meu ego amedrontado está atrás do sofá sem entender direito os acontecimentos.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s