Teatro: TPM Katrina

Julia Carrera divide o palco com Fernando Caruso para mostrar como pode ser devastador “aqueles dias” das mulheres. Tudo desenrola quando ela, ao saber que uma amiga foi traída, destrói o sossego do marido e elabora, sem que ele abra a boca, teses mirabolantes sobre uma possível infidelidade. As feministas devem ficar em casa porque o espetáculo é uma visão masculina sobre o tema e deixa a personagem beirando a histeria. Quem vai achando que terá o Caruso em cena também.

Foto Divulgação roubada do site da Globo. rs

Li por ai que comédia cumpriu temporada de sucesso por dois anos em São Paulo e foi quando descobri que sou uma carioca pouco desenvolvida em artes cênicas. Na primeira meia hora de espetáculo já estava cansada da voz destemperada de Júlia Carrera, falando sem parar. E, vamos combinar? O Caruso é uma das referências do humor jovem, fiquei esperando qualquer intervenção engraçada dele no meio daquela loucura. Só para quebrar aquelas oscilações demasiadas da atriz (acreditem: nem na despedida, naquele momento “sobe créditos” ele falou com a plateia).

Pensei que fosse a minha TPM falando mais alto, até que no final, ninguém se empolgou a levantar para aplaudir. É engraçado, mas falta alguma coisa. Falta o personagem masculino. Parece que só usaram o nome de um ator de renome para levar a plateia a comprar ingressos. Saí do teatro com a sensação de que o mudo personagem, podia até ser um rodízio de atores, no improviso e, acabei lendo em outros blogs que isso realmente já havia acontecido em um outro momento da montagem – sinal de que não sou uma crítica tão ruim assim, ufa! -. Já que o homem não abre a boca… Seria mais honesto anunciar aos cariocas que a peça é um monólogo da atriz, talvez desta forma, não frustrasse tanto.

Só mais um detalhe: o texto é inspirado na figura real da ex-mulher do autor, Paulo Coronato e já no primeiro ato fica claro porque virou “ex”. O sujeito é oprimido por uma metralhadora incansável de impropérios. Agora, vamos combinar? Duvido que ele ficasse quietinho, sem dar corda as loucuras da mulher. Pelo menos um palavrão ou outro devia xingar, e é exatamente o que falta no texto: Ele dando corda para se enforcar. E tenho dito.

OBS.: Fui ao teatro no sábado, o horário é alternativo, 23h30. Mas estava em franca crise existencial, precisava digerir aquele texto para não ser injusta com o que estava pensando. Estão vendo? Nem todas as mulheres são tão destemperadas na TPM.

1 comentário

Arquivado em Entretenimento

Uma resposta para “Teatro: TPM Katrina

  1. Olá Fernanda, tudo bom?
    Que pena que você teve uma impressão ruim da peça. Mas também tem muita gente gosta, e muito, o que me deixa feliz.
    Talvez se você assistisse de novo, teria uma outra impressão, quem sabe… Teatro tem destas coisas, cada dia é um dia…
    Venha novamente, se quiser!
    De qualquer forma, obrigada por escrever sobre a peça!
    Um abraço, Julia

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