Outubro Vermelho

Lá fui eu a agência do Santander, aquela que era verde e vermelhou. As perguntas eram todas muito simples, mas em se tratando de sigilo bancário, adivinhei que pelo telefone ou pela web não resolveriam.  Até porque quando escrevo de empresas no blog, o pessoal das mídias sociais, costumam logo entrar em contato para saber o que houve, tentar mediar e remediar o problema, mas não foi o que aconteceu com o dito banco, o que disparou ainda mais meu alerta (dá pra confiar numa empresa dessas?).

Cheguei por volta de meio dia. A única gerente pessoa física já estava com um casal, na verdade, pai e filha, que também estavam passando por uma via crúcis no atendimento desta empresa:

O senhor muito distinto, ao que pude perceber enquanto aguardava em pé para entrar na baia,  tinha uma boa aposentadoria, era um bom correntista, a moça devia uns 4 mil, o papai generoso estava tentando acertar a vida dela (querido, sou órfã e devo quase o mesmo valor, se quiser estender a caridade, até fico esperando mais um pouquinho, pensei). Fizeram um acordo pelo telefone, mas na hora de emitirem o boleto, o fizeram como se ele tivesse pago o IOF (aquele famigerado que ficou no lugar da CPMF) e a dívida continuou existindo.

Bom ai, a gente pensa: se o IOF é um Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, porque eles deviam isso se a dívida não tivesse realmente sido negociada? Pois é, o caso é que a gente pensa, mas o pessoal do Santander, não. Tudo o que pai e filho pediam era que estornassem a situação, emitissem um novo boleto, e caso encerrado. No entanto, como a operação foi feita por telefone, a gerente não podia se meter e, ficavam em ligações intermináveis para a Central de Atendimento, sem resolver nada.

O pessoal que estava a minha frente desistiu de aguardar. Outros foram chegando conforme avançava o horário de almoço e também desistiram. A agência oferece água e cafezinho, mas o tanto de tempo que estava em pé deveriam me oferecer picanha com guarnição, além de xarope de paciência, visto que a minha precisa de reforço.

Foi quando a única gerente disponível levantou com o casal e, finalmente, sinalizou que eu poderia me sentar para aguardá-la. Não, ela voltou com o casal, porque o boleto que o internet banking enviou, depois de 2 horas de choro e ranger de dentes pela correção, estava mais uma vez errado. Continuei sentada, porque afinal de contas, só queria algumas informações.

“Me informa teu CPF, enquanto ela liga”.
“Desculpa, mas estou aqui há algumas horas, cheia de uma paciência de monge tibetano, só que o assunto é confidencial, se não se importa”.
“Senta ali naquela outra mesa, então, que já vou lhe atender”.

Ufa! Alguma cortesia.

A loira veio, se sentou, perguntou meu CPF, puxou minha ficha:

“Não posso fazer nada por você. Sua dívida foi vendida não posso retomá-la”.
“Não estou aqui por isso. O caso é que o pessoal da empresa de cobrança disse que meu nome não seria limpo já na primeira prestação paga…”
Ela já interrompendo, antes que eu concluísse: “Não sei te informar sobre isso, procure um advogado”
“Tá mas… E já que a dívida não é mais de vocês eu poderia reativar minha conta, porque preciso…”
Só um minutinho. Aquele correntista é um dos melhores da agência e estão fazendo tudo errado…”

Pensei com meus botões que um dia também fui boa correntista no Banco Real e, que, embora tenha passado por um aperto ferrenho alheio a minha vontade, que sempre trabalhei muito duro por este país, estava agora reestruturando minha vida. Talvez o Santander fosse gostar de movimentar meu salário, mas… No mundo capitalista é assim, se vale o quanto se tem no bolso e para a loiraça belzebu eu só tinha um documento de uma dívida.

Não bastava o chá de cadeira (de cadeira, não, porque estava há horas em pé esperando por atendimento), ainda tinha que ser humilhada, pensei. 

Continuei sentada na baia por mais meia hora, ao menos agora estava sentada. Ao lado, havia outra baia de um gerente pessoa jurídica, que escorava o queixo com as mãos, parecendo me olhar através. Se só havia uma gerente para atendimento, será que ao menos por coleguismo, não seria possível que ele se inteirasse de casos como o meu que precisa apenas de uma informação?

Depois de todo aquele tempo, sucumbi. Tinha dois cheques que foram devolvidos na época da tragédia no Banco Real, precisava pagar a taxa para limpar também isso, além da informação que não tive. Ou seja, cheguei ao meio dia e saí as quinze pras três da tarde sem ter feito nada, e ainda perdi o meu dia de trabalho.

Vamos fazer a população de palhaços juntos? Agência, Bankfone, internet (que nem tem analista de mídias sociais)… Porque se um bom correntista estava lá cheio de problemas porque o SAC é incompetente, e eu estou reclamando da agência, já dá para ter uma breve ideia do que é esta empresa.

Infelizmente, vou ter que encontrar um novo dia para encarar tudo isso de novo e, de preferência, encontrar um jeito rápido de fazer a portabilidade do meu salário do Santander de volta ao Itaú, que embora tenha tido muitos problemas, sempre foi solucionado de forma rápida e equilibrada para mim, a dona do pouco dinheiro, sem a discriminação do “bom correntista / mal correntista”.

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