A paz que preciso para sobreviver

E lá vem mais um feriadão. Muita gente passa os dias de folga na rua emendando um programa no outro. Eu também fazia isso, numa disposição de dar inveja. Sempre falava, me achando muito esperta: “a vida está lá fora! Não posso passar o dia aqui.” Até que olhei para dentro de mim e percebi que muito do que fazia, não era realmente aproveitável. Só servia para eu não enxergar meu próprio vazio.

Com o tempo e o amadurecimento, eu fui vendo que nada como a paz da casa da gente. Ter um lar, o nosso porto seguro, sem que esse porto seguro seja em outra pessoa, que sempre pode partir e te deixar à deriva. De repente descobri: Eu adoro ficar em casa!

Realmente falta alguém aqui no meu mundo. Vira e mexe vou sendo assombrada por antigas lembranças ou até uma saudade do que não vivenciei, afinal de contas, se tudo acabou (e muita coisa acabou), é porque de fato não era para ser, de modo que a renovação tinha que vir uma hora (que horas são? Já tem um atraso segundo indica meu coração).

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Mas, aprendi a ficar quietinha no meu canto, fazendo o sol entrar em casa, mesmo que lá fora o tempo não esteja tão bom assim. A minha casa virou a minha morada. Parece redundante? Mas é que a minha vida está aqui dentro: meu filho e nossos deboches do mundo, meu cachorro e suas reinfestações de carrapatos, meus livros, meu tempo para escrever um novo post, ou simplesmente nada escrever, nada fazer. São esses os sentimentos que têm feito parte da minha vida.

Moro nesta casa desde que nasci, quer dizer, tive 5 anos de casamento, mas nunca senti a outra casa como minha realmente (talvez porque nunca tenha sido de fato), fico imaginando tudo que ela já testemunhou da infância, adolescência, vida adulta, como mãe, como filha, como irmã… Não é uma questão material, se me entendem, é uma questão de sentimentos serenos que só tenho encontrado neste espaço.

O sufocamento agora se dá quando tenho que encarar uma nova semana, uma segunda-feira pela frente, cheia de planos e metas que, em geral, vão causar frustração na sexta, porque  não consegui cumprir nada daquilo que a rotina (e até minha consciência) me exigiu. Me debato como um peixe fora d’água sem conseguir progredir, decidir, refazer… Aqui em casa, ao menos, eu posso arrumar o armário, renovar o lustre, o controle é meu, mas lá fora… Não sei mais o que tinha que me despertava tanto interesse. Não sei se estou ficando velha ou deprimida. Só sei que estou adorando mais esta quinta-feira para o dolce far niente, lá na minha cama. Bóra, relógio, acelera!

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