Vivendo o Apocalipse

Eu que nunca saí do país não posso considerar que o choro e “ranger de dentes” programados para o fim do mundo na Bíblia seja já uma verdade a se considerar, mas aqui no Rio de Janeiro, o bicho está pegando: essa questão dos crackudos se proliferando pela Avenida Brasil é uma amostra grátis desse inferno, que mais parece o cumprir da sagrada profecia, por mais afastada de religiões que eu esteja neste momento.

As autoridades apresentam propostas estapafúrdias, como internação compulsória, enquanto somos ameaçados pelos viciados pelas ruas, no dia a dia das cidades. Todo mundo sabe que só se livra de um vício quem quer, quem tem imensa força de vontade e, com o crack, não é diferente. Enquanto isso, eu (e milhares de outras pessoas) pensa em usar “olho por olhos, dente por dente” para se livrar de qualquer ameaça oferecida por esses dependentes. Sim, porque enquanto o direito de ir e vir deles for respeitado, nós cidadãos de bem, estaremos mais coagidos. Ou ninguém percebeu que as crackolândias se proliferam como as sete pragas do Egito?

Retirado do O Globo online

Mesmo sendo uma pacata cidadã, como não despertar esse sentimento? O medo é cada vez mais evidente e,a situação há tempos fugiu do controle. Se todo esse pavor não é mesmo indício do apocalipse, é preciso achar uma saída. As autoridades, protegidas em seus castelos e em seus carros blindados, não parecem levar realmente a sério essa questão que está mais uma vez tirando a nossa cidadania: a nossa e a dos crackudos. Já que não vamos considerar o fato de que todo mundo sabe qual o caminho que a droga leva a percorre, sabe que não vai livrar ninguém de qualquer problema psicológico ou não, bem ao contrário, vai afundar-se ainda mais e, ainda assim cheira a primeira fileira, acende o primeiro cachimbo… Então que, pelo menos, as autoridades se juntem para buscar uma solução a curto, médio e longo prazo, e se controle o caos.

A gente poderia atravessar esta fase imaginando que daqui a um tempo, mesmo que não seja o tempo ideal, teríamos uma solução decente e humana na tentativa de recuperação dos viciados e ,ao mesmo tempo, buscar um jeito de impedir que novas vítimas ficassem comprometidas com a droga e, pelo que estamos vendo, muito fácil de conseguir. Precisamos ser rápidos porque enquanto todos discutem e opinam sobre spray de pimenta, choque elétrico, internação a contra gosto, varredura dos crackudos pra fora da cidade entre outros ideais que como sabemos só vai tampar o sol com a peneira, já apareceu uma nova droga, que mistura crack com qualquer outra coisa e, a situação piora, até o soar da última trombeta.

Isso me lembra quando a dengue provocou as primeiras epidemias, nos anos noventa. Antes de fazer campanha, de encarar os fatos e buscar soluções acadêmicas, científicas ou educacionais para controlar o tal mosquito, discutiu-se, durante muito tempo se o mosquito era municipal, estadual ou federal, aliás, os nossos governantes gostam muito de fazer isso: empurrar o problema pra casa dos outros, ao invés de entenderem que povo é povo e temos direito a saúde, segurança (além de escola, trabalho, comida, etc) em todas as instâncias da federação  Naquele tempo, como agora perdeu-se, muito tempo antes de começar a atacar o problema. E como morreu gente. Neste caso, é ainda pior, porque não morre só o vetor, no caso os viciados, nós, que também estamos limpo e gerando riquezas pro país, e portanto, pros governantes que enchem as burras com o nosso suor, também somos ameaçados com essa situação.

Só sei que os cariocas estão vivenciando o Fim do Mundo. E, sim, há medo. Que Deus nos ampare.

1 comentário

Arquivado em Descaso

Uma resposta para “Vivendo o Apocalipse

  1. Cleto Guedes

    No Brasil há uma guerra civil, no trânsito, que matou 32.753 em 2010 e 40.610 em 2011, deixando 107.000 inválidos a cada 6 meses, e isso não parece preocupar os governantes, mesmo pagando fortunas com o tal DPVAT. Com o crack, que já virou epidemia, parece não haver preocupação também, pois nada ou pouco está sendo feito. Teremos que tentar convencer os crackudos a atacar autoridades, pois aí terão uma visão mais clara da situação crítica que a coisa está tomando. Medo#

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