Teatro: O Patrão

Eu não sei se é porque Rodrigo Sant’anna, é um carioca criado no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que consegue falar de um jeito tão natural do pobre, só sei que já era engraçado de mais, me ver na TV, e muito mais o foi, ao vivo, no palco do Theatro Net Rio.

Sim, me ver. Porque vamos combinar? Quer coisa mais pobre do que só poder ir ao teatro quando os adoráveis Peixe Urbano, ClickOn, Groupon (e etc) entram em cena? Meu salário não permite, embora goste de mais, pagar R$80,00 em um ingresso. Se eu tivesse o talento do Rodrigo, ia poder contar várias situações de pobre, mas no meu caso seria dramático, porque é triste não ter poder aquisitivo satisfatório tendo bom gosto. Ou será que dá pra fazer piada? Não sei. Meu talento, por hora, se restringe a não parar de aplaudir de pé essa personalidade fantástica que tive a oportunidade de ver ao vivo. Ou seja, estou divulgando por amor (viu, Rodrigo?! Rs)

Foto Divulgação: JB Cultura

Digo personalidade, porque Rodrigo Sant’ana não é meramente um ator de comédia, este espetáculo, por exemplo, não é só encenado por ele, mas também é escrito e dirigido por ele.

O Patrão é um impaciente homem de meia idade, que tem o costume de se valer da sua posição financeira para se desfazer de seus funcionários, e da própria esposa. Para nós, espectadores, motivo de muita gargalhada. A atriz Ana Araújo faz uma participação especial na história, como a empregada massacrada e a esposa espevitada que se revela no final da peça. E que final! É surpreendente e engraçado como só o Rodrigo sabe ser.

Cabe destacar a excelente estrutura que está o teatro Tereza Rachel, na nova fachada de Theatro Net Rio. Sim, Theatro, com TH, porque tem toda uma mistura do passado, com alguns elementos de decoração e, os funcionários da casa vestidos totalmente retrô, exalando simpatia e, o moderno com um espaço multimídia que se integra ao espetáculo de uma maneira tão harmônica que faz jus a cada centavo investido em entretenimento.

Mas não vamos tirar o foco de Rodrigo: Ele dança, ele trabalha o lado “palhaço” mesmo, com o lúdico de pisar no chão e fazer barulho, ele debocha da realidade do país, ele dá gosto de assistir e, como sempre, escolheu uma parceira a altura. Portanto, gente, quem puder assistir, o faça, porque Agildo, O Patrão, é mais um desses personagens inesquecíveis como a travesti Valéria Vasques e o mulherengo Adimilson. Somos nós. É o Brasil sob a marca já registrada de humor do Rodrigo Sant’anna.

E como, alguns atores já comentaram por aqui, por incrível que pareça, quando falei de suas peças, caso apareça por aqui, Rodrigo, quero dizer, que gostaria muito de te conhecer pessoalmente, não para te passar minhas histórias, porque você tem as suas e são brilhantes, mas para aprender com você, como dar vida a esse turbilhão de coisas que vemos por ai. Eu gostaria. Com toda pretensão e sem nenhuma pretensão.

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