Morro sufocada

Incêndio mata mais de 200 pessoas em boate no RS.

E é nessas horas que a “corrupção” dói na casa de todos os brasileiros.

Não fosse o (imbecil) do DJ querer fazer pirotecnia sem técnica alguma de modo irresponsável, nada teria acontecido. Ok. Não fosse os seguranças demorarem dois minutos para entenderem o acontecido e ajudarem mais rápido, talvez tivesse saído mais gente? Ok.

Mas o alvará da casa também estava vencido. Será que não houve fiscais batendo a porta? Certamente que sim. E é possível de imaginar que tenham recebido um qualquer para “fechar os olhos”. Esse é o nosso país. E desta forma, empresários vão passando por cima da ordem: portas de emergência fora de padrões, falta de equipamentos de segurança, falta de Brigada de Emergência qualificada, falta de responsabilidade que vai sendo renegada até que uma tragédia dessa se estabelece. O triste disso tudo? Daqui a uma semana vamos lembrar disso como se fosse um filme dramático que foi transposto por outro (afinal não foi um filho nosso que morreu), não vamos cobrar punições, lei, cumprir de responsabilidades… Nada disso! Ao contrário, vamos nos orgulhando deste jeitinho brasileiro, enquanto vamos dando sorte em sobreviver.

Ontem eu também fazia aniversário em uma boate no Rio de Janeiro. Poderia ser comigo. Aliás, há 5 anos, em um outro aniversário meu, estava em uma conhecida casa em Jacarepaguá, o Castelo das Pedras. E, lá, ao começar o funk, uma cascata de fogos se formava no palco (não sei se ainda é assim hoje), depois jatos de fogos cruzavam o salão. Na ocasião havia obra, com tapumes e plásticos separando o local da reforma. Fiquei em pânico e logo procurei ficar mais perto da porta de saída, que assim como no RS, tinha grades de ferros para impedir inadimplência. Apreensiva, fiquei articulando dentro de mim, a grande escapada, que graças à Deus não se fez necessária. Outros jovens não tiveram a mesma sorte.

Centenas de mães esta manhã não tiveram o “Bom dia” dos seus filhos. Como minha mãe poderia não ter tido. Hoje em dia, penso que  a mãe poderia ser eu, que estou com um filho adolescendo em casa, prestes a ganhar o mundo… Estou morrendo sufocada junto com essas famílias. Quero um país de verdade para o meu presente, para o futuro do meu filho, onde subornos e jeitinhos não sejam tolerados, ao menos para morrermos com dignidade.

O resto do post é silêncio.

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