Arquivo do mês: fevereiro 2013

A Zumbilândia é o Brasil

Então, minha irmã envia dois SEDEX, no mesmo dia (28/01), para o mesmo endereço:

O primeiro, EF633224197JP era um livro para minha mãe. Entrou na UNIDADE DE TRATAMENTO INTERNACIONAL – BRASIL no dia 04/02 e chegou a minha casa no dia 05/02. O segundo pacote EG222081151JP, que é bem mais atraente por ser um presente eletrônico do meu aniversário, também entrou na UNIDADE DE TRATAMENTO INTERNACIONAL – BRASIL, no MESMO DIA, mas não saiu.  Depois de algumas reclamações via email e telefone, o tal pacote reapareceu, está aguardando ser retirado na AC Hannibal Porto, no entanto, tenho que pagar R$118,00 para retirar a encomenda.

Em suma, minha irmã pagou os impostos de igual forma, pelos dois embrulhos. Um, que não tem tanto valor de mercado foi corretamente entregue em minha residência, o segundo, querem cobrar novos impostos ou seja lá o que isso representa, porque ninguém explica. Na minha modesta opinião, quando não somos furtados como da primeira vez, somos extorquidos: Pra eu não furtar, me pague resgate.

E, infelizmente, esse é só um dos desmandos.

Nós brasileiros não temos direito a Correios, como não temos a Educação, Saúde, Trabalho digno (porque ninguém fiscaliza as empresas  e os patrões vão excedendo a ordem exploratório capitalista), nem mesmo a moradia apesar dos absurdos impostos que pagamos.

Ninguém protesta de verdade, ninguém se junta para reclamar, para reivindicar, para exigir mudanças e soluções. Tudo vira piada ou desabafo nas redes sociais e para aí. Pior ainda, se você vai contra esse sistema absurdo e questiona de verdade, a quem é de direito, se faz o seu panelaço, embora seja uma panela sozinha, você é o “chato”, como se fosse obrigação sua engolir tudo o que te enfiam goela abaixo.

Cadê as autoridades eleitas para gerenciar essa baderna? Cadê os órgãos fiscalizatórios? Não ficam sabendo desses absurdos? Ou vem deles a ordem de roubar na mão grande o pobre? Esse povo não mora aqui? Não sabem o que fazer? Não são lesados nem um pouco com essa rotina? Nenhum familiar deles é atingido por nada disso? E você? Você acha que faz parte do seu carma aguentar tantos impostos sem nada de retorno? Ou não entende que isso está acontecendo embaixo do seu nariz?

Isto acontece há quantos anos? Desde que o Rio é Rio? É um problema crônico? E por isto será respeitado e jamais atacado ou resolvido? Há um total pelos problemas do dia a dia da cidade mesmo para os cidadãos. O que aconteceu comigo nos Correios de novo, pode acontecer com você neste ou em qualquer outro órgão. Não é só na atual administração. Tem sido assim há décadas. Há uma passividade desconcertante nos brasileiros em geral. Parece até que não é um problema nosso, que está acontecendo longe daqui.

A gente que tem tantos deveres, e que se não cumprir é punido, deveria também querer a dignidade de ser cidadão. Que orgulho é esse que só aparece em Copa? Orgulho de que, minha gente? Sentiria orgulho se não precisasse pagar escola para ver meu filho bem educado. Se não precisasse toda vez que chove encarar catástrofe na rua. Se o meu dinheiro desse para pagar as contas, sem eu ter que me sentir envelhecida, correndo atrás de complementos de renda, porque meu salário é deflacionado e ninguém vê. Teria orgulho se meu presente de aniversário que já foi pago lá no Japão tivesse sido entregue na minha residência sem ônus, como foi cobrado lá para ser. Mas não, eu tenho que comprar de volta o meu presente, sem sequer receber explicação do motivo para isso acontecer.

Mas eu me calo e escrevo no blog, porque se for para rua fazer o que tenho vontade serei a louca agitadora, que não entendo nada de ordem e progresso. Terra de meio mortos, meio vivos!!!

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Teatro: Falando a Veras

Estou para ver uma peça com título tão pertinente. O Marcos fala a vera, gente! É família, vida artística, veículos midiáticos, BBB, MPB e Luan Santana (pelo amor de Deus não misture as coisas, embora já tenha elogiado uma música do cantor alguns posts atrás), tudo de cara limpa, sem interpretar nenhum personagem e sem acessórios em cena.

A sensação que se tem é que você está conversando com um amigo, aquele papo de boteco sem pé nem cabeça: quando se dá conta a hora voou, já se falou de tudo e de nada, sem muita ordem lógica, te deixando mais leve. Confesso que quando ele disse que era o último comentário, acreditei que era piada. Eu e o resto da platéia que, ao invés dos aplausos de pé, ofereceram um sonoro “oooown”, típico de fim do Jô Soares.

Alguém já pediu BIS em peça teatral? Porque eu tive a sensação de que isso aconteceria.

Eu que não tinha visto nenhuma das piadas pelo Youtube tive a agradável sensação de estreia, embora a peça já esteja em cartaz há 4 anos e, segundo o próprio ator, sem mudar nada do texto. Aliás, gente, é uma maldade ficar divulgando pedacinhos das produções na web, você chega ao teatro e logo fica amargando a sensação de Déjavu. Fiz um pacto comigo mesma: espetáculo que eu quero ver, não fica degustando pirataria na rede. Prefiro o genuíno sentimento do novo de outrora (lindo isso!)

Voltando ao atraso, desta vez havia mais dois jornalistas retardatários na plateia: William Bonner e Fátima Bernardes estavam na fileira da frente curtindo a atração no mesmo dia. Muita vontade de pegar um currículo e enfiar em cada orifício daqueles dois, junto com uma carta desespero: “DEIXA EU FAZER TESTE NA PRODUÇÃO DE VOCÊS, PELO AMOR DE DEEEEEUS”! Talvez até passasse despercebido estando no meio de um show de humor. Mas não paguei pra ver. Isso ficou lá na coxia da minha mente desesperada.

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Teatro: Comício Gargalhada

Eu estou sempre na contramão blogueira/jornalística, falando de peças que, na maioria das vezes, não são estreias. Sabem como é… Eu vou ao teatro quando dá (infelizmente, porque por prazer seria rata de coxia) . No entanto, ontem, ao reencontrar Rodrigo Sant’Anna no palco (já tinha visto e me divertido muito com O Patrão), foi apenas uma grande sensação de dejavú. Os mesmos personagens do Zorra Total, claro, são os destaques do espetáculo e, por isso mesmo, a impressão de mais do mesmo.

Não que o ator não seja um escândalo de engraçado. Ao contrário.  Para mim, continua sendo. Porém, desta vez me atrasei de mais em experimentar a peça. Os tipos já são conhecidos, as piadinhas do “Admilson”, então… Até o poeminha do “Urso Panda”, que me fez chorar de rir da telinha, já não surtiu o mesmo efeito ao vivo, afinal de contas, já sei que a bicicleta anda e o urso panda. Quem não sabe?! Só quem tem o privilégio de não passar nenhum sábado à noite em casa.

Devo destacar que me impressionou bastante a sensibilidade do ator em perceber a empatia de alguns personagens mais que outros e, de acordo com o efeito que causava na plateia, demorar mais ou menos com o tipo apresentado. Entre uma e outra personagem, Rodrigo conta suas histórias familiares naquele divertido tom de deboche que pode até ser só parte do texto, mas aproxima mais o ator do público, afinal de contas, ele está sempre “fantasiado” para falar suas bobagens e, ali, de cara limpa, ele consegue também ser bem engraçado.

Rodrigo-SantAnna-Valéria

O espetáculo é aberto com a Adelaide desejando que Deus ilumine cada canto dos caminho dozoto e termina com a Valéria Vasques a única aliás, que não é caracterizada em cena, afinal de contas, é preciso um aparato maior para ficar tão bandida.

A sátira é muito mais relacionada aos programas eleitorais do que propriamente a um comício, exceto pelo fato das personagens estarem ao vivo, mas como a finalidade é angariar votos para coisa nenhuma, afinal de contas, nenhum deles sabe o que fará se eleito, mas o povo brasileiro também considera que voto de protesto é colocar palhaço no poder… O texto dá o seu recado e cumpre a proposta, senão de gargalhadas (pela tal sensação de dejavú), de uma diversão garantida.

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Ressaca Moral

Ressaca do fígado, da vesícula, do estômago… Nada disso passei neste carnaval. Minhas variações de beberagem giraram em torno de refri, suco e chá de pêssego bem gelado. Não que tenha entrado para o “Bloco das Carmelitas”, bem ao contrário, sou reincidente em pilequinhos malsucedidos, mas a festa da carne quem dita sou eu. E resolvi pecar de outras formas neste feriado.

Pois é, mas tem sempre aquele que não pode dar-se ao desfrute de modo algum. Sabe gente que faz tudo certinho, mas se comete uma infração o foco de luz acende bem em cima dela, no centro do palco e chama a atenção de todos os olhares? Pois é. Essa mulé sou eu!

Às vezes fico pensando: melhor sofrer enfiando a cabeça no vaso. Até porque depois do porre, você sempre pode ter como culpado o álcool (mesmo que ele seja só a justificativa suja) porque estando no zero a zero… Não há alternativa senão dar a cara pra bater.

Então, estava eu curtindo meu retiro carnavalesco, fora das tentações da carne, coração na paz, sistema hepático completamente saudável quando toca o telefone:

– Estou aqui perto da sua casa. Vim pegar minha sobrinha que estava viajando com o namorado. Não quer comer uma coisa na festinha de rua?
– É. Acho que seria mesmo bacana ver gente. Sim, vamos fazer um lanche.

E, lá, entre todas as pessoas agradáveis do mundo, que poderia se juntar a nós para uma confraternização digna de confetes e serpentinas, encontro logo o casal “língua de trapo”, para despertar as recordações mais desagradáveis que eu poderia ter, incitando a fofoca mais cabeluda, que poderia deflagrar.

Um aceno de longe com aquele riso amarelo. Uma golada na Coca-Cola. A certeza de que ainda posso me arrepender do programinha mais light de todos os tempos. Podem estar certos: a pior ressaca é a moral da culpa que você não tem, por aquilo que não fez. Me proteja Pierrot, Arlequim e Colombina!

Ao menos a comida da barraquinha não me fez mal e, desta vez, o armário não ficou rodando na minha cabeça até que eu pegasse no sono. Se é que para isso existe consolo (mas peraí, quando foi mesmo que me importei com a opinião de alguém?).

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Carnaval de sentimentos

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Esses dias, no “esquenta” para o carnaval, uma pessoa comentou comigo, cheia de orgulho, que havia curtido um bloco pré-carnavalesco deste qualquer e, no auge da folia “beijou sete bocas”. Longe de mim abrir críticas ou levantar bandeiras. Esse é o mundo da nova geração e da liberação sexual. Eu, no entanto, olho para essas novas tendências um pouco nostálgica: onde esta aquela sedução que a gente aprendeu com o cinema? O romance, onde foi parar?

Eu fui criada para esperar o príncipe! Não o sujeito perfeito, lindo, rico, de mangas bufantes, cavalo branco e nenhum defeito. Mas o sapinho que iria coroar minha vida, aturando os meus defeitos, enquanto eu me adequava aos seus.

Com o tempo, espremida nessa nova realidade e, sendo apontada por muitas como antiquada, não tinha me dado conta, mas sentia muita falta do bom e velho flerte. Me encontrei solteira nesse mundo efêmero a última gota, sem olho no olho, sem grandes surpresas. É como se tivessem despertado um dinossauro no meio do mundo dos Jetsons. Conclusão: digam o que quiserem, mas era meio vazio.

Atirem quantas pedras quiserem, porém, ainda acho que quando você beija alguém depois de trocar meia dúzia de olhares, esse beijo vem bem mais quente, com muito mais paixão do que uma pegação do tipo “já é ou já era?!”. Hoje em dia você pegar alguém e sair por aí mostrando o quanto você sabe das coisas é lugar comum. Todo mundo já sabe de tudo. Ninguém tem o prazer da descoberta, da surpresa, do carinho.

Não faz tanto tempo assim, quando você encontrava uma boca que gostava de beijar, queria parar nela. Se o beijo é bom, e não é todo mundo que sabe beijar bem, por que sair por aí contabilizando os beijos em dezenas? Não gosto da ideia. Cada dia gosto menos.

Para dizer a verdade, a tal pessoa que teve o prazer de experimentar 7 vezes aquele vazio, também não gosta da solidão do seu travesseiro. A pessoa não tem namorado e, não raro, costuma se perguntar: “O que há de errado comigo?”. Os rapazes que se aproximam, na mesma velocidade desaparecem, ou se declaram namorando outras mulheres. E ela vai curtindo frustração.

O que me leva a crer que meus ideais de vida não estão tão romantizados assim. Aliás, que haja romance: Que a gente passe semanas nos olhando, desejando aquela pessoa, para no Carnaval (ou não) vestir a fantasia. Que a gente viva ao sabor do samba de raiz, como canta Beth Carvalho: “Sem pressa, sem medo de errar. É tão bonito o nosso amor…”

Se é certo ou não, o caso é que adoro amores que sobem a serra e jogam confete e serpentina no meu coração! 

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Grito de Carnaval

Os brasileiros já estão se jogando com tudo no carnaval. Eu, ao contrário, como tenho um adolescente onde simplesmente nasceu sem o gen da animação, comecei meu feriado indo ali, ao shopping. Mais morno impossível, porém, como o objetivo era tirar o Gustavo da toca e, de certa forma, começar a comemorar o seu aniversário, batemos perninha pelos corredores vazios – esse foi o lado bom -, compramos roupas – porque como de costume, quando se aproxima o aniversário dele todo o armário encolhe como por encanto- , vimos a exposição de dinossauros, com direito a muitas fotos que ele também detesta e claro, lanchinho ao final da aventura.

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E é sempre neste momento a pausa para reflexão:

– Está feliz, filho?!
– Estou agradecido, feliz eu vou ficar quando ganhar meu jogo.

Ah, ta! A insatisfação da adolescência. A sinceridade incorrigível dos “Freitas”

Se bem que… Eu também preferia ganhar brinquedos. Todo resto é sobrevivência. Parte do pacote.  =)

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Chantagem (nada) Emocional

– Como assim você está saindo?
– Ué. Eu falei que ia sair…
– Mas quando você falou, eu neguei. Como assim? Minha opinião não vale mais de nada nessa casa? Cadê a democracia, gente?
– Ok. Gustavo. Quanto você quer?
– R$ 17,00 o Alvará.

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