Carnaval de sentimentos

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Esses dias, no “esquenta” para o carnaval, uma pessoa comentou comigo, cheia de orgulho, que havia curtido um bloco pré-carnavalesco deste qualquer e, no auge da folia “beijou sete bocas”. Longe de mim abrir críticas ou levantar bandeiras. Esse é o mundo da nova geração e da liberação sexual. Eu, no entanto, olho para essas novas tendências um pouco nostálgica: onde esta aquela sedução que a gente aprendeu com o cinema? O romance, onde foi parar?

Eu fui criada para esperar o príncipe! Não o sujeito perfeito, lindo, rico, de mangas bufantes, cavalo branco e nenhum defeito. Mas o sapinho que iria coroar minha vida, aturando os meus defeitos, enquanto eu me adequava aos seus.

Com o tempo, espremida nessa nova realidade e, sendo apontada por muitas como antiquada, não tinha me dado conta, mas sentia muita falta do bom e velho flerte. Me encontrei solteira nesse mundo efêmero a última gota, sem olho no olho, sem grandes surpresas. É como se tivessem despertado um dinossauro no meio do mundo dos Jetsons. Conclusão: digam o que quiserem, mas era meio vazio.

Atirem quantas pedras quiserem, porém, ainda acho que quando você beija alguém depois de trocar meia dúzia de olhares, esse beijo vem bem mais quente, com muito mais paixão do que uma pegação do tipo “já é ou já era?!”. Hoje em dia você pegar alguém e sair por aí mostrando o quanto você sabe das coisas é lugar comum. Todo mundo já sabe de tudo. Ninguém tem o prazer da descoberta, da surpresa, do carinho.

Não faz tanto tempo assim, quando você encontrava uma boca que gostava de beijar, queria parar nela. Se o beijo é bom, e não é todo mundo que sabe beijar bem, por que sair por aí contabilizando os beijos em dezenas? Não gosto da ideia. Cada dia gosto menos.

Para dizer a verdade, a tal pessoa que teve o prazer de experimentar 7 vezes aquele vazio, também não gosta da solidão do seu travesseiro. A pessoa não tem namorado e, não raro, costuma se perguntar: “O que há de errado comigo?”. Os rapazes que se aproximam, na mesma velocidade desaparecem, ou se declaram namorando outras mulheres. E ela vai curtindo frustração.

O que me leva a crer que meus ideais de vida não estão tão romantizados assim. Aliás, que haja romance: Que a gente passe semanas nos olhando, desejando aquela pessoa, para no Carnaval (ou não) vestir a fantasia. Que a gente viva ao sabor do samba de raiz, como canta Beth Carvalho: “Sem pressa, sem medo de errar. É tão bonito o nosso amor…”

Se é certo ou não, o caso é que adoro amores que sobem a serra e jogam confete e serpentina no meu coração! 

1 comentário

Arquivado em Cotidiano

Uma resposta para “Carnaval de sentimentos

  1. Cleto Guedes

    Pois é Fernanda, tem moça por aí que já nem usa calcinha, já que tirar leva algum tempo…..oh céus….

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