Ressaca Moral

Ressaca do fígado, da vesícula, do estômago… Nada disso passei neste carnaval. Minhas variações de beberagem giraram em torno de refri, suco e chá de pêssego bem gelado. Não que tenha entrado para o “Bloco das Carmelitas”, bem ao contrário, sou reincidente em pilequinhos malsucedidos, mas a festa da carne quem dita sou eu. E resolvi pecar de outras formas neste feriado.

Pois é, mas tem sempre aquele que não pode dar-se ao desfrute de modo algum. Sabe gente que faz tudo certinho, mas se comete uma infração o foco de luz acende bem em cima dela, no centro do palco e chama a atenção de todos os olhares? Pois é. Essa mulé sou eu!

Às vezes fico pensando: melhor sofrer enfiando a cabeça no vaso. Até porque depois do porre, você sempre pode ter como culpado o álcool (mesmo que ele seja só a justificativa suja) porque estando no zero a zero… Não há alternativa senão dar a cara pra bater.

Então, estava eu curtindo meu retiro carnavalesco, fora das tentações da carne, coração na paz, sistema hepático completamente saudável quando toca o telefone:

– Estou aqui perto da sua casa. Vim pegar minha sobrinha que estava viajando com o namorado. Não quer comer uma coisa na festinha de rua?
– É. Acho que seria mesmo bacana ver gente. Sim, vamos fazer um lanche.

E, lá, entre todas as pessoas agradáveis do mundo, que poderia se juntar a nós para uma confraternização digna de confetes e serpentinas, encontro logo o casal “língua de trapo”, para despertar as recordações mais desagradáveis que eu poderia ter, incitando a fofoca mais cabeluda, que poderia deflagrar.

Um aceno de longe com aquele riso amarelo. Uma golada na Coca-Cola. A certeza de que ainda posso me arrepender do programinha mais light de todos os tempos. Podem estar certos: a pior ressaca é a moral da culpa que você não tem, por aquilo que não fez. Me proteja Pierrot, Arlequim e Colombina!

Ao menos a comida da barraquinha não me fez mal e, desta vez, o armário não ficou rodando na minha cabeça até que eu pegasse no sono. Se é que para isso existe consolo (mas peraí, quando foi mesmo que me importei com a opinião de alguém?).

máscara

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