Arquivo do mês: abril 2013

Assim não se faz saúde

Apenas duas vezes na vida passei sufoco com a saúde do meu filho. Uma dessas foi nesta virada de sábado para domingo. O garoto, com febre de QUARENTA GRAUS, não abaixava nem com decreto da presidente Dilma. E toma antitérmico, e toma banho frio, e faz compressa nas juntas, e faz oração… Nada fazia ceder. O jeito foi apelar para o bom, velho e pouco usado plano de saúde.

Lá fomos nós para o Hospital Balbino, mais próximo aqui de casa, afinal de contas ele estava com espasmos por conta da febre alta de mais. Chegando lá, tivemos a notícia que não se atendia mais emergência pediátrica.

– Mas, olha só, ele não é mais tão criança. Será que um clínico não poderia avaliar, apenas para estabilizar ele para procurarmos outra emergência?

troll3

A recepcionista sem nem olhar na minha cara, jogou no balcão um papel com uma listinha de onde atendiam pediatria e entre os dentes mandou um “não, senhora”.

Agora, atenção aqui você que não tem plano de saúde, bate na porta do SUS, ouve um não e se joga no chão e chama a imprensa porque é um absurdo. Realmente é um absurdo! Mas não se faça de vítima, não. Porque gente como eu PAGA CARO plano de saúde, além de pagar os impostos e tem a saúde negligenciada duas vezes.

Conclusão: Tarde da noite, eu sozinha com um menino de 13 anos, passando mal, e um papelzinho de lugares que indicavam Ilha do Governador, com aquela crackolandia na saída, Tijuca, com a Avenida Brasil inteira a cortar e sem conhecer bem o lugar… Voltei para a casa sem atendimento médico, pedindo a Deus que a febre abaixasse um pouco até o dia clarear e ser menos perigosa a aventura.

Indignada, mando um email para o atendimento Assim. Detalhei o ocorrido e mencionei uma cartinha de Feliz Ano Novo que recebi. Era muito fofa, mas não tinha qualquer aplicabilidade.

“Prezada Sra Fernanda, solicitamos por favor, o reenvio do seu e-mail com nº do contrato e nome completo do titular do plano.”

troll

Não interessa o nome completo do titular, não importa a matrícula. Importa é a reclamação de um usuário que paga esta merda em dia e NUNCA CONSEGUE ATENDIMENTO. O que você teria a dizer para qualquer um dos seus 400 000 clientes que não estão satisfeitos com o que passaram? É isso que eu quero saber…

De toda forma, informei os dados que eles queriam só para ver o nível da cara de pau.

troll2

“Prezada Sra Fernanda, recebemos seu e-mail e ratificamos nosso interesse permanente em ouvir nossos associados.  Esclarecemos que o Hospital  Balbino encerrou as atividades na urgência pediátrica para todas as Operadoras de saúde.  Desta forma, informamos abaixo locais para atendimento de urgência em pediatria:”

E seguiu aquela mesma listinha que recebi no Hospital Balbino.

 O Engenho de Dentro fica a 19km da minha casa. Botafogo a 24,9Km. A Tijuca a 17Km. E caso não saibam, não dirijo uma ambulância, tenho um carro de passeio 1.0 e sorte a minha! Imagine quem anda de ônibus e precisa socorrer o filho no meio da madrugada?

Entendi que o Hospital Balbino não atende mais pediatria em geral, não precisava que o atendimento me explicasse isso, então, a providência a ser tomada é encontrar na região hospital que queira se credenciar e não deslocar o paciente pra puta-que-pariu-vinte-e-quatro-quilômetros-depois-se-vira-cretina. Se for pra ficar correndo atrás de lugar onde tenha pediatra e batendo com o nariz na porta, deixo de pagar essa porra e fico no SUS. Qualquer emergência gasto só com a gasolina para ir ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, porque lá tem pediatria funcionando (por enquanto). 

Qualquer um que paga plano de saúde o faz para ter tranquilidade. Cadê o diferencial? Não há.

Dizem que eu reclamo de mais. Eu vou reclamar sempre. Quero apenas o que é meu por direito, quero que me entreguem aquilo que meu dinheiro está comprando e aqui no Brasil, somos roubados de múltiplas formas. Eu NUNCA vou ser conivente com isso. Vou continuar reclamando, lutando, e sofrendo porque sei que não vou ver nada mudar.  A Assim que não é fiscalizada (como nada no país é)  não está nem ai para o que penso ou para as minhas necessidades. Mas não vou me calar. No mínimo, desabafo.

1 comentário

Arquivado em Descaso

Eterna Escolha

 

 

Já cantava o Chorão “cada escolha, uma renuncia, isso é a vida”. A nova descoberta da Ciência foi: Pobre tem melhor pegada que os playboys. Uau! Eu nunca tive o privilégio de ter na minha cama nenhum homem endinheirado, mas a se tirar pelo troca-troca de casais nas revistas de fofoca, é no mínimo de se desconfiar.

Quer dizer, ou você escolhe dar o golpe do baú (feliz de quem tem esta oportunidade) e ter a tranquilidade das contas pagas e outros mimos ou se satisfaz com um companheiro mais atento e caloroso, por dizer assim.

Que escolha você faz? Vamos discutir nossa relação no Mulheres à la Carte? Clica ae

mulheres2

 

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano

Ninguém vê o irmão

Então uma das coordenadoras do local onde trabalho fica de frente com uma suspeita de câncer. Internação, falta de respostas, morosidade… É. Eu já vi esse filme (não gosto nada do final), com a diferença que estamos dentro de uma instituição de saúde e, portanto, com a faca e o queijo na mão para nadar contra esta maré, certo? Errado!

No lugar onde deveríamos encontrar pessoas mais humanas, afinal de contas, não há problema mais sério na vida de um ser humano do que a falta de sua saúde é justamente onde se colocam mais entraves (pelo menos aqui no Brasil): Corre para um lado, porta fechada. Vai para outro, janela emperrada. Pula o muro, dá de cara com um cachorro. E o tempo vai passando.

Não é Murphy, não. É má vontade sistêmica. As pessoas olham para você, mas não te veem (acho incrível que no filme Avatar, “eu te amo”, em Pandora seja “eu vejo você” porque muitas vezes a atitude de ver e não de olhar é que faz toda diferença). Fica aquele gosto de abandono. Imagine o que é para uma pessoa que serve em um hospital, lidando com as mazelas da vida todos os dias, sem receber o justo por isso, sem perspectivas (porque o Brasil também é muito isso), mas ainda assim entregando o melhor da sua mão de obra, de repente se sentir com dor e sozinho?!

Enquanto Ouvidora, que trata diariamente de resgatar pessoas desconhecidas do desvio de conduta dos meus colegas, não podia deixar uma amiga para trás. Movi sim, céus e terra para obter respostas satisfatórias. Pedi em seu nome as chaves das portas, escadas para os obstáculos mais altos e, ainda sabendo que meu trabalho é só uma gota no oceano, fiz questão que ao menos isto não lhe faltasse. E degrau a degrau, subimos. Tomografia pronta, biopsia agendada, consulta oncológica marcada, processos coordenados em nome da cidadania e dignidade que tentam nos roubar todos os dias.

rosa

Não quero com isso qualquer homenagem. Tampouco escrevo isso para me vangloriar. Não! Eu fiz porque ainda tenho capacidade de ver as pessoas, apesar de tudo o que já me aprontaram e pela dor de perder meu pai para o sistema.

Naquela época eu não tinha nem faca, nem queijo. A dor era só minha, e ele só mais uma estatística. Mas agora, do outro lado da cortina deste espetáculo eu pude fazer minha pequena participação e doei. Doei como filha, não como amiga ou companheira de trabalho. Doei aquele sonho que tinha de ver alguém me ajudando neste momento tão difícil. Doei a necessidade que eu tinha de alguém pegando na minha mão, garantindo que o pior não ia acontecer, por mais risco que a situação oferecesse.

No fim sou eu quem deve agradecer a oportunidade. Hoje eu tenho a certeza de que estando do outro lado, se eu pudesse fazer qualquer coisa, eu faria. E, ao menos desta vez, ao invés de revoltada, estou muito grata por segurar na mão de alguém.  É apenas uma gota, mas é o frescor que mais me orgulha. Ao menos esta batalha está vencida. Caminhemos…

 

Rosa

Deixe um comentário

Arquivado em Hospitais Públicos

Trollando a namorada

A moda agora é trollar as pessoas contando mentiras e postar no Youtube. É mentira que virou gay, que engravidou ou está trocando a namorada. Neste último caso, então, o vídeo bombou na web, mas em mim, gerou certa vergonha alheia. Mas, então, fui ficar Fê da Vida, lá na casa de praia. Clica ae:

mulheres2

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano

Esperar Sentado

Na ocasião do falecimento do meu pai, entramos com um pedido de alvará para retirarmos uma quantia que havia depositado no Banco Itaú. Poupança de pobre. Sabem como é. Não chega a ser quase nada para cada uma das herdeiras (minha mãe e duas irmãs). Ainda assim, merrequinha nossa, com planos em conjunto para ela. União faz a força, afinal.

Primeiro foi um tal de pagar isso, pagar aquilo, custas disso e mais aquilo. Até o famigerado Imposto de Transferência nos debitaram: R$600,00 assim, de uma hora para outra… Uma merrequinha também se formos pensar no custo de vida do brasileiro, mas justamente por isso, um rombo no orçamento. Quase abrimos mão de receber o dinheiro, por não ter de onde tirar o tal imposto.

Quatro anos depois, abro o site do TJ e levo um susto (bom): A grana está enfim liberada. Ligo para o advogado eufórica e sou informada que ainda não há nada nosso. Precisa ainda ser publicado em Diário Oficial.

– Quando tempo leva isso, doutor?
– Não sei. Você tem algum conhecimento por lá?

dinheiro

Que justiça é essa me digam? Deixam viúva e filhas em suspenso em um intervalo interminável e ainda pra ser feita com alguma agilidade precisa conhecer alguém?

É uma agressão, um desrespeito. Neste país simplesmente sambam na cara dos cidadãos. Ninguém é capaz  de cumprir os direitos básicos. Meu pai juntou um dinheirinho para nos dar alguma tranqüilidade e o que recebemos é pânico. Sim, porque eu não durmo direito pensando se o banco já passou a mão no que é meu, se um dia vou receber… São entraves e entraves… Não existe briga entre os herdeiros, não há qualquer embargo, apenas a morosidade, a injustiça, a existência de pessoas de má vontade, a espera de que lhe caia alguma migalha para abrir a porta.

Tudo isso, mais uma vez, culpa do jeitinho brasileiro que muita gente se orgulha, mas eu repudio. Essa democracia não me representa.

2 Comentários

Arquivado em Descaso

Ninguém vai pagar por isso

 Via G1:Rio de Janeiro denunciou, nesta terça-feira (9), a manicure Susana do Carmo de Oliveira Figueiredo, assassina confessa do menino João Felipe Bichara, de 6 anos. Ela é acusada dos crimes de homicídio doloso triplamente qualificado – motivo torpe (vingança e ódio), meio cruel e impossibilidade da defesa da vítima –, e tentativa de ocultação de cadáver”.

03-Deah

Está tudo muito certo. Mas, como mãe, eu devo perguntar: e a escola que liberou o menino, vai responder pelo que? Sim, porque segundo as notícias que venho acompanhando desde a primeira manchete mostram que a criança só ficou em posse da bandida, porque ela ligou para a escola onde o menino estudava se passando por mãe dele, pediu para que ele fosse liberado da aula e, quem entregou a criança o colocou em um táxi, mesmo não vendo o responsável presente.

Que tipo de escola é essa? Que tipo de gente é essa que trabalha com crianças as entregando a qualquer taxista?

Lembro de quando o Gustavo era pequeno e meu pai foi busca-lo na escola:

Todo ano, no ato da matrícula, havia uma ficha a ser preenchida com os nomes, telefones e documentos de identidade das pessoas autorizadas a tirá-lo da instituição. Isso valia até para a “tia” da condução e, neste caso, até o veículo tinha que estar regiamente identificado na tal planilha. Pois bem. Todo o ano autorizava os meus pais e minha irmã a trazê-lo, caso eu não conseguisse chegar. Mas não bastava isso, se fosse mudar a rotina ou deveria avisar na agenda ou ligar para a escola avisando.

Neste dia, uma emergência, não havia descrito na agenda e não consegui falar com a secretaria da escola, porque estava em uma externa com a rádio. Na hora da saída, lá estava meu pai, que raríssimas vezes foi incumbido da missão, mas neste dia era o único disponível. Pediram a identidade dele e foram lá dentro catar no registro para ver se conferia. Ok. Do lado de dentro da primeira grade, bem longe do portão, apontaram o “homem” para o Gustavo e perguntaram se ele o conhecia. “É o vovôôô”, ele sorriu acenando. Checagem 2 OK.  Mas ainda assim, meu telefone tocou insistentemente e, só quando atendi informando que meu pai estava autorizado a leva-lo foi que liberaram.

Na hora, cheia de trabalho, fiquei Fê da vida. Afinal de contas, pra quê documento e prévia autorização se em uma emergência era toda essa burocracia?

Mas acompanhem comigo: Vai que eu não pedi a ele que fosse buscar o menino e chegasse logo depois? Ou então, vai que autorizei no início do ano, mas então brigamos e ele resolve sequestrar meu filho para me punir? Eu não tinha avisado nada. Fugi do protocolo…

E agora, vendo uma notícia bizarra dessas nos jornais… Quanto alívio eu tenho de ter escolhido pessoas responsáveis para ajudar na educação do meu único filho! Se o pequeno João Felipe estivesse em boas mãos, não teriam lhe enfiado em um taxi qualquer, sobretudo com a criança dizendo que estava bem e não precisava de um médico.

Me fluem lágrimas pensando nisso… A criança ia para o matadouro como um bezerro em comitiva, já pressentindo o mal, mas ninguém se importou com isso. NINGUÉM CHECOU A LIGAÇÂO! E pelo visto, ninguém será responsabilizado por isso. Lamentável!

1 comentário

Arquivado em Opinião Pública

Gente Bicho

A gente acha que já viu de tudo e ai vem um crime mais bárbaro que todos os outros já vistos e coloca a gente com o queixo no chão. Pode ser chamado de gente um sujeito que passa 6 horas em uma van estuprando uma jovem, enquanto espanca o namorado da vítima? Os caras só paravam para estourar os cartões de crédito do casal…

E a delegada que poderia ter prendido os tarados violentos se tivesse dado ouvidos a queixa da primeira mulher estuprada por eles, pode ser classificada como humana?

Não vou nem entrar no mérito de que a Van não estaria circulando, se houvesse fiscalização, porque estava irregular. Até porque, não fosse esse veículo seria outro, afinal de contas quem quer o mal até rouba carro para praticar o mal. É ou não é?! Neste caso, aliás, roubo seria o de menos.

O que me choca muito é uma delegada, que estudou, PRESTOU CONCURSO PARA FAZER O QUE FAZ, portanto, escolheu sua profissão e batalhou por ela, vai atender na Delegacia da Mulher e não corre atrás de fazer justiça a outra mulher que foi estuprada.

Esse é o pior dos crimes! Você ser invadida por um cara… Neste momento não estão roubando os seus anéis, estão levando os seus dedos… A sua dignidade humana! E quem deveria lhe proteger, simplesmente dá de ombros.

É tanto horror que até a mãe de um dos animais ficou chocada com o próprio filho.  Até os outros policiais que honram a farda que vestem se disseram comovidos com a história. Quem não sente vergonha de estar na mesma categoria humana de monstros assim (E eu incluo a delegada, hein, porque cumprir com seu trabalho, obrigação do cidadão é o mínimo que se espera)?! Eu, nessas horas, preferia ser um cachorro, um gato, um ornitorrinco…

Foto G1: Para não esquecer a cara dos nojentos

Foto G1: Para não esquecer a cara dos nojentos

Agora indignação mesmo é saber que caso sejam condenados, diante de tanta perversidade,  vão cumprir uma parte da pena e daqui a pouco estão na rua. Ou então, os Direitos Humanos vão ficar de olho nos maus tratos que podem receber na penitenciária… Nos Direitos Humanos que eles roubaram daquela pobre jovem, não, isso ninguém pensa, aliás, nem há como ser devolvido, mas hão de pensar e protege-los.

Esse tipo de gente não é humana. Não tem jeito. Ainda vão sambar na cara da sociedade. Não sou a favor da Pena de Morte, porque não temos competência sequer de assegurar a preservação da vida em uma esticada na night, mas sou a favor da vida! Que nos garantam o nosso direito de ir e vir. Trancafiem os animais em selas próprias pra eles, certifiquem-se que jamais sairão de lá e, quanto a delegada… Minha senhora, com todo respeito, deveriam jogá-la junto com eles para sentir na pele o crime para o qual a senhora fechou os olhos.

1 comentário

Arquivado em Descaso