Arquivo do mês: junho 2013

Vagabunda é a mãe!

– Alô! É do Hospital?
– É, sim, senhora. No que posso ajudar?
– É que meu médico me deu um papel para cirurgia bariátrica, e eu quero saber se vocês têm endocrinologista.
– Temos endocrinologista ambulatorial. Não realizamos cirurgia bariátrica. A senhora tem que se informar na Clínica da Família ou posto de saúde como pode agendar o atendimento em uma unidade que realize o procedimento. Será mais ágil encaminhá-la a uma unidade que já realize a cirurgia que a senhora precisa.
– Ele me deu papel, minha filha, e disse que qualquer lugar que tivesse endócrino ia receber…
– Ele lhe informou errado. A senhora deve pegar sua guia, levar até a Clínica da Família e se orientar. Peço desculpa em nome do SUS pelo engano. Em geral, os médicos não estão a par dos procedimentos para agendar. Deste modo que lhe informei é o correto e será rápido.
– Rápido? Voltar lá é rápido? Não to te entendendo, minha filha, se fosse a tua mãe… Você é uma vagabunda, de vagabundagem ai, sem querer trabalhar… Por isso que o povo está na rua quebrando tudo!
– É… Tem gente quebrando tudo porque não sabem agir com cordialidade, como a senhora agora. Estou gentilmente reparando um equívoco, passível a qualquer profissional e a senhora ofendendo quem não tem nada a ver com isso. Este não é um problema de saúde. É de educação. Boa tarde, pra senhora!

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Vontade mesmo foi concluir:
A vagabunda aqui sugere que a senhora enfie o papel do seu encaminhamento no rabo da sua avó, que deve ser mais amplo que o Túnel Rebouças.

Mas preferi acreditar que gentileza gera gentileza.

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O povo unido jamais será vencido

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Fonte: Gazeta Digital

Enfim, depois de muito barulho, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, deu sua cara pra bater na TV e revogou o reajuste da tarifa de ônibus, de R$ 2,95 para R$ 2,75. A medida já será aplicada a partir desta quinta-feira. Na sequência, o governo do estado informou que, a partir de sexta-feira, as tarifas para  trens, barcas e metrôs (que haviam sido reajustadas para R$ 3,10, R$ 3,30 e R$ 3,50, respectivamente) voltam aos valores anteriores ao reajuste: R$ 2,90, R$ 3,10 e R$3,20.

Viram como é “fácil”?

Quando todos remam para um mesmo lado, não aceitam ser abusados, é possível fazer um país mais justo. Colocamos os políticos no poder, para nos representarem, mas quando eles se fazem de surdos, podemos, nós mesmos tomar o que é nosso.

Claro que, não acostumados a esse tipo de manifestação por parte dos brasileiros, a cúpula decidiu rapidinho baixar a passagem, para tirar o povo das ruas e, assim, minimizarem os estragos na Copa das Confederações. O que não aconteceu: agora temos que impedi-los de votar a PEC 37, melhorar o nosso próprio salário, porque claro, nisso eles também não pensam, entre outras coisas. Dessa vez, parece que ninguém está disposto a aceitar pão e circo.

Aliás, Copa do que mesmo está acontecendo? Quase não se mostra nos noticiários, ao contrário do que aconteceria normalmente por aqui. Até o Willian Bonner, que estava vestido pra festa, teve que se render, sair do estádio e sentar a bunda de volta na bancada do JN. Temos coisas mais importantes para fazer por aqui.

O que espero daqui pra diante? Que o povo continue unido, remando para o mesmo lado. Não adianta um pequeno grupo pedir uma coisa, outro pequeno grupo outra; A redução da passagem demonstra que devemos todos brigar por um mesmo objetivo, cada um gritar por uma coisa diferente vira carnaval. E não é esse o objetivo. Ideais diversos, a gente deixa pras urnas, nas eleições escolhendo bem os candidatos, quando saímos para brigar na rua têm que ser com uma proposta bem definida para que os governantes possam nos ouvir. Pensem nisso.

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O despertar do Guerreiro

Vinte centavos? Não. Digamos que foram os últimos vinte centavos que quiseram nos roubar a gota d’água para o povo tomar as ruas do Brasil. Coisa mais linda de se ver!

Um mundo de gente “Fê da vida” tomou a Cinelândia gritando: “Olê, olê, olê, se a passagem não baixar, o Rio, o Rio, o Rio vai parar”, “vem pra rua, vem, vocês também”. Os prédios do Centro do Rio viraram verdadeiros piscas-piscas gigantescos em sinal de apoio e uma chuva de papel foi surgindo… Senhores, eu vivi para ver o Brasil acordando e ainda nem posso acreditar nisso.

Eu nasci no final da Ditadura Militar e, pude acompanhar pela TV o povo se movimentando em Diretas Já. O Hino Nacional se cantava acalorado, ávido por mudança, pelo direito a esta democracia que o povo até então, não sabia usar. Quando adolescente, vi o povo ir pra rua pedir o Impeachment do Collor, mas de verdade? Nunca me pareceu um movimento do povo para o povo, como aqueles noticiários que vi quando criança. E, já na faculdade, tive a certeza da grande orquestra partidária que comandou a queda do então presidente.

Fonte: O Globo

Fonte: O Globo

Mas esta semana eu acordei com o povo marcando pela internet os pontos estratégicos, pedindo a cor branca em apoio, mesmo para quem não pudesse ir. E eu usei branco. E chorei por este ato democrático, pela esperança de que agora terei um país que realmente não foge a luta e não se cala com os desmandos.

E eu que tantas vezes disse que nosso Che Guevara sairia da Internet, presenciei um movimento apartidário, sem liderança definida. Apenas um monte de gente de saco cheio de ser oprimida, resolveu gritar pro mundo inteiro “chega!”. E, de maneira inteligente, articularam isso na Copa das Confederações, quando a imprensa internacional está aqui dentro do país, aguardando as atualizações.

Claro que teve quebra-quebra, saque, furto… Assim como não se muda a política da noite para o dia, o povo daqui também não ia mudar. Tem muita gente que espera o pretexto de se dar bem. Não seria diferente agora. Enquanto milhões falam de justiça, uma centena quer ainda se dar bem. Desculpem os transtornos! Tem muito a que se mudar neste país, até a filosofia de “jeitinho brasileiro do povo”. Isso demanda tempo. Demanda força. Demanda o prejuízo de alguns. Mas se tudo der certo, será por um bom motivo.

Que o mais importante não se esqueça: O movimento começou na internet, ganhou as ruas e terminará na urna eletrônica. Não vamos votar em ninguém que queira se reeleger ou que já cumpriram mandato em alguma época. Está na cara que nenhum destes nos representa, de outra forma, já teriam usado suas oportunidades para fazer diferença. Agora, sim, estamos de olho.

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Pela Hora da Morte

Gente, alguém tem uma fórmula para sobreviver ao Rio de Janeiro?! Sim, porque cada dia que passa tenho a vida mais comedida para caber no meu orçamento e, na contramão, as contas não cabem no meu bolso. Em contraponto, não há fiscalização (e quando há, os fiscais corruptos, só pensam em receber suas cocadas e mariolas depois da vistoria), de forma que os patrões são cada vez mais injustos no uso da nossa mão de obra, enquanto os preços não param de subir.

Passou a fase do tomate, agora é o feijão que assusta: praticamente dobrou de preço. Mas não é ele o único vilão, infelizmente. A todo instante aumenta o tamanho do prejuízo. Fui ao supermercado rapidinho, apenas comprar aqueles supérfluos para o meu “adolescente draguinha”… R$84,00. OITENTA E QUATRO por duas sacolinhas de guloseimas. Não dá nem para 15 dias.

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E, não pense que é porque está caro que o serviço é bom, não, viu?! Olho na prateleira! Nos últimos 20 dias, o Procon Carioca multou várias redes de supermercado em diferentes pontos da cidade. Dos estabelecimentos de luxo a  locais mais populares, em todos eles, havia produtos estragados. Na Ilha do Governador, foram encontrados 360 quilos de alimentos impróprios para o consumo. Em São Conrado, 132 quilos. Nos dois casos a multa foi de R$ 46.123,80. Quem paga essa conta? Nós mesmos. Porque tudo volta ao normal (será por quê?), ou seja, os produtos vencidos voltam as prateleiras. Claro! Eles precisam da compra dos desavisados para não perderem.

Ninguém quer perder nada no Brasil. Exceto o povo. Sim, porque, como é que sobrevive a esta maré, como se nada acontecesse?! A cada dia a gente (povo) perde em qualidade de vida, quantidade de consumo, soma em sufoco… Pagode e feijoada, gente, não é boa vida pra ninguém! Boa vida é outra coisa… É receber seu pagamento e, com disciplina poder fazer tudo, até o pagode e a feijoada, com espaço. Pra se fazer festa, meus caros, vocês estão perdendo em rotina. É desesperador!

Protesto não é vandalismo, não. Detesto vandalismo. Está na hora da gente aprender a ser democrático, lutar por nossos direitos. Lutar contra os desmandos. Dormir uma noite tranqüila sem pensar em como fazer surgir mais oitenta e quatro Reais para as comprinhas da próxima semana.

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O poder do argumento

– Mãe, por que a vida é assim? Amanhã tudo de novo. Acordar, sair da minha cama quentinha e encarar o vento frio na cara, a chuva fina na cabeça, ouvir aquelas aulas intermináveis que eu tenho a certeza que serão inúteis no resto da minha vida… Eu queria um feriado que chegasse amanhã e durasse até o dia 25 de dezembro, quando então, a gente teria pausa para o ano novo.

– A vida não é assim, Gustavo. A vida é pior. Amanhã, talvez, você acorde cedo, passe por isso tudo e tenha que pagar escola pra um menino resmungão se rebelar contra o sistema.

– Ou talvez, não. Talvez amanhã você descubra que seu menino é um gênio que mudou o mundo e revolucionou esse jeito patético de ver as coisas. Talvez você se arrependa de não ter me deixado fazer feriado para ter ideias brilhantes de verdade, mas este momento já terá passado.

(pausa para ficarmos nos olhando fixamente, como quem confronta)

– E ai, feriado amanhã?!

E ai, tão olhando o que?

E ai, tão olhando o que?

Sim. Ele vai amanhã. Mas esse argumento será imortalizado pelo poder deste texto. Morro de orgulho dessa criança e, as vezes, até penso se ele não é superdotado e eu realmente ando desperdiçando tanto talento… Talvez eu me arrependa, mas estou sufocada pelo sistema, sem ter tempo de conduzir para além dessas asas que ele encontrou naturalmente para voar.

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