Arquivo do mês: julho 2013

Adolescência sem fim

Das verdades indiscutíveis da vida: A idade pesa. Não que eu esteja dobrando o cabo da Boa Esperança, mas é que essa coisa de espírito jovem nunca foi comigo. Percebam que mantenho há anos um blog cujo nome é “FÊ DA VIDA”.  Sempre fui de reclamar como uma velha de 80. Quer dizer, reclamo do que está errado, do que é perverso, mas vivendo no Brasil, acabei não encontrando muita saída para ser diferente.

Se chover, então, ai que eu dano a reclamar mesmo. O Rio é de açúcar e desmancha a qualquer gota d’água. Se chover muito, pode começar a rezar porque terá desabamentos, o sinal do Vírtua vai cair, a luz vai faltar, se for seu dia de falta de sorte então, não vá a lugar nenhum, porque certamente você não vai chegar: Como já se sabe, a Praça da Bandeira vira uma Banheira. A Lagoa também. A Avenida das Américas, a Presidente Vargas, a Oliveira Belo aqui na Vila da Penha, não há exceção. Tudo vira mar, desde sempre e há décadas. Mas tudo bem, o povo sempre vive feliz, só a velha resmungona aqui acha absurdo e posta no blog.

Mas voltando a idade que avança e me piora…

Estou aqui com quase quarenta querendo voltar a faculdade para ver se minha vida financeira tem jeito. Sabem aquele discursinho: “vou ter minha independência, ajudar minha mãe com as responsabilidades da vida, mas dentro do meu canto…”

Quando eu tinha 15 anos, chegava a discoteca no horário de entrada gratuita para fazer malabarismo com os R$10,00 que tinha juntado da merenda durante a semana. Quando saía para fazer um lanche com um namoradinho da época, a gente dividia o refrigerante pra sair mais em conta. Claro, dois estudantes equilibrando os trocadinhos que os pais soltavam eventualmente (Ninguém era filho do Eike Baptista, afinal de contas).

Mas na minha idade, sentir calafrio quando o filho pede para ver Homem de Aço, porque daí você imagina que, mesmo indo no dia que é promocional de meia entrada, após a sessão tem que rolar lanchinho e que não é barato e teu cartão já estourou antes do mês virar… É um constrangimento adolescente.

Quando penso em voltar para a faculdade, retomo a questão vocacional de outrora: Faço o mestrado para dar aulas ou mudo radicalmente de profissão? Abro uma possibilidade para mim. E se abrir essa possibilidade, o mercado para um quarentão, será generoso? Onde tem uma saída para o meu caos?!

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Medos juvenis!

E o pior, é que se os Kardecistas estiverem certos, tenho um espírito velho, preso aqui na Terra há muito tempo, sem evoluir. Apenas purgando coisas das quais eu nem me lembro. Me desespera ainda mais pensar que ao longo dos milênios, passaram por mim pessoas que já estão em planetas fodas, enquanto eu nem decidi ainda o que vou ser quando crescer. Estupida mesmo me sinto quando imagino que muitas vezes tive que escolher um plano de encarnação e fui pedir talentos que não servem pra nada neste mundo.

A anciã aqui quer sossego, mas não acho um veio de quietude.

Não me venham dizer que sou inteligente pra cacete, engraçada pra caramba… Nada disso paga as minhas contas no fim do mês. Nada diminui a frustração de ser uma pessoa mais velha com medos pueris.

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Teatro: Vem transar com a gente

Há um mês, mais ou menos, me encontrei com a sexpert Tatiana Presser e o ator Nizo Neto – marido da Tatiana, diga-se de passagem -, no Teatro Vanucci. Quer dizer, não foi um encontro propriamente dito, fui assistir a peça do casal, mas o climinha é de um bate papo informal, sobre o que mais brasileiro gosta de falar: sacanagem!

O caso é que estou com a Tatiana e não abro: Muita gente gosta de falar de sexo, posar de quem manda bem na cama, mas na real… Na real tem muita gente deixando a desejar (ou não desejando). E o espetáculo mescla stand-up comedy (muito mais conduzido pelo Nizo) com uma espécie de palestra (brilhantemente articulada pela Tatiana). Com isso, desperta o público para o fato de que sexo é uma arte da conquista, da criatividade, da entrega…

Foto Divulgação

Foto Divulgação

Super indicaria a casais que, há muito tempo juntos, estão virando colegas de quarto. Ou para aqueles que até gostariam, mas neste friozinho, ai que preguiça. Indico também a esses garanhões ai que acham que é só penetração e fui. Chega um momento na vida da gente que é bom ser sincero com sua conduta, com seu corpo, com seus gostos… Ou falta deles.

A peça ainda é pontuada por momentos nos quais o público fica à vontade para perguntar o que quiser. E nesse momento palestra, dá pra sair do armário. As perguntas que não rolam de ser respondidas na hora, por falta de tempo, acabam entrando no blog da dupla: http://vemtransarcomagente.blogspot.com.br/

E não pensem vocês que depois de tudo isso, eles fumam um cigarrinho e viram pro lado na coxia, não. Os dois ficam lá fora agradecendo o público, entregando  certificados de participação (como em uma boa palestra) tirando fotos, trocando idéias… Um poço de gentileza! Coisa de gente bem comida, sabe?!

Enfim… Desculpem o atraso na divulgação (como se alguém estivesse esperando), mas ando sem muita motivação para escrever. Sabem como é, tive que experimentar vários outros brinquedinhos. Hehehe Brincadeirinha!!!

De toda forma, aproveitem que é sexysta e apareçam no Teatro Vanucci. O espetáculo rola de luz apagada mesmo, ninguém vai te apontar como brocha depois. Só, claro, não tire foto pro site na portaria.

Divulgação capturada por ai

Divulgação capturada por ai

OBS.: Eu sei que o valor do ingresso inteiro assusta um pouco, então, vai mais uma dica: fiquem de olho no Groupon, sempre rola promoções para a peça. 

OBS2: Alô, Serginho Groisman, eu daria férias a Laura Muller e colocava a Tati (olha a intimidade que o sexo dá) no Altas Horas instigando a galera. Seria uma respirada no programa. Ah, e pode me levar também como produtora, só a título de experiência. 

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Fazendo Arte: Banner Infantil

Quem olha pra mim não diz, né? Mas a titia aqui tem um sobrinho-neto, que completa hoje 4 primaverinhas. Daquelas bem cheias de sonhos, viagens super-poderosas, coisa e tal. Pois bem, inspirada neste universo coloquei o moleque pra viajar sobre os prédios do Centro do Rio de Janeiro, com o Homem Aranha.

Gente, não vou usar de falsa modéstia  (até porque nem sei se tenho isso em casa =P ). Até eu dei uma de Anitta e fiquei “ba-ban-do” no projeto do banner (1,0mX0,70m).

BANNER_ARANHA


A decoração da mesa também foi arte minha.  A parede estava em tão mau estado, que se tivesse visto antes, teria feito um banner maior para não dar esse aspecto sujo na foto, mas… Quando vi era tarde. 

BANNER_ARANHA2

O arco de bolas também não ficou propriamente um arco, eu sei. Sabem como é: “Quem quer faz e não manda”. Fui eu pedir a mãe da criança para comprar bolas redondas, nº9 e ela me traz balões ovais de 6,5. A qualidade era tão boa, que 200 bolas viraram 50, que começaram a festa com 30. O que não tirou a expressão de “caraaaaaaaaca”, da criança no início da festa. Então… Acho que valeu! 😉

Ah, nessa fiz barba, cabelo e bigode. Além do banner, mesa, bolas (embora este nem sirva de portfólio) , ainda ataquei de animadora de festa. Imperdível minha peruca de Rita Lee.

BANNER_ARANHA3

Bjo pra quem fica. 

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Audioteca Sal e Luz

Olhem que coisa interessante: A Audioteca Sal e Luz é uma instituição que produz e empresta livros falados (audiolivros) para deficientes visuais. Serviço gratuito (para quem não puder pagar a taxa de R$30,00/ano) e pouco divulgado.  O acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. Para ter acesso, basta se cadastrar na Rua Primeiro de Março, 125 – Centro. RJ ou pelo telefone 2233-8007, das 8h às 16h.

audioteca

Depois de cadastrado, é possível até receber os livros em casa. Basta entrar no site, escolher o título e o volume vai pelos Correios.

A audioteca recebe ajuda governamental, mas é preciso que se apresentem resultados para continuar funcionando. Ou seja, é necessário que se aumente o número de associados, senão o trabalho irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da literatura.

Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros…

Por isso, amigos, se vocês conhecem deficientes visuais que possam desfrutar do projeto, indiquem. Se não conhecem, façam como eu: divulguem. Aposto que tem muita gente por ai precisando estudar, ampliar conhecimento… Mãos a obra!


sal e luz

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Catedrática

Se dois anos de Saúde foram árduos, também me deram a experiência de gerenciar conflitos de uma maneira, digamos, “vaselina”. Vejam vocês, que após esperar algumas semanas pelo dia de realizar uns exames de rotina, chego a clínica e o médico está mal humoradíssimo. Uma das pacientes já havia se queixado que o médico estava sendo ríspido e, fiquei muito brava, quando de pé em frente à porta, apenas porque o bebedouro estava ali (e não porque quisesse assuntar o que acontecia lá dentro) ele bateu a porta na minha cara, de um jeito que fez trepidar as paredes.

Eu não gostei nada. Já fiquei tensa dali mesmo. Pronta pra morder ele na primeira oportunidade.

Quando fui chamada, a assistente dele, me mandou tirar a roupa, me cobrir com o lençol e aguardar. Enquanto isso ele esbravejava que ia pegar a mochila dele e ia embora, que não tinha necessidade de aturar aquilo (que não consegui definir o que era)… Um desabafo daqueles!!!

Ele entrou na saleta empurrando a porta, quase despencando a divisória. Chutou a escadinha da maca, empurrou a cadeira pra sentar. Sem olhar pra minha cara:

– Quantos anos você tem?
– 34.
– Filhos?
– Um. 13 anos.
– Amamentou?
– Sim.
– Data da última menstruação?
– Tal.
– Pode deitar…
– Desculpa, mas eu posso dar uma palavra com o senhor antes?

Ele ficou olhando pra minha cara, meio impaciente

– Eu sei que os profissionais de saúde não são valorizados. Pelo que pude entender ai, de tudo o que senhor reclamou, é  justa sua insatisfação. Acontece que eu sou cidadã, e como tal, pago meus impostos, mas não recebo do SUS aquilo que acho que mereço. Então, eu pago um plano de saúde, com um sacrifício danado, e de novo não acho que recebo o que mereço. Se as fichas demoram 40 minutos para chegar até o senhor, eu já estou lá fora esperando por um atraso de 1h20min. Sem contar que demorou semanas para me marcarem um examezinho de rotina como esse. Quando chego aqui, tenho que ficar nua, na frente de um desconhecido, com uma sonda desconfortável que será introduzida por um profissional estressado. Imagina o senhor aqui fazendo uma transretal? Não ia se sentir desrespeitado? Envergonhado? E humilhado por essa situação?! Eu tenho certeza que o senhor não fez medicina pra isso. Havia um sonho ai dentro. O que eu espero é que você me entregue o seu sonho e leve sua insatisfação para a Direção dessa casa. Porque eu não tenho culpa, não vou resolver seu problema… Aqui não é o lugar indicado para isso, doutor.
Pausa.
– Você se incomoda que eu vá ao banheiro e beba uma água?
– Não. Fique a vontade.

Ele foi e quando voltou sorriu. E ao chamar o próximo no corredor usou um tom mais ameno. É que agora ele está ali entregando sonhos…

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