Adolescência sem fim

Das verdades indiscutíveis da vida: A idade pesa. Não que eu esteja dobrando o cabo da Boa Esperança, mas é que essa coisa de espírito jovem nunca foi comigo. Percebam que mantenho há anos um blog cujo nome é “FÊ DA VIDA”.  Sempre fui de reclamar como uma velha de 80. Quer dizer, reclamo do que está errado, do que é perverso, mas vivendo no Brasil, acabei não encontrando muita saída para ser diferente.

Se chover, então, ai que eu dano a reclamar mesmo. O Rio é de açúcar e desmancha a qualquer gota d’água. Se chover muito, pode começar a rezar porque terá desabamentos, o sinal do Vírtua vai cair, a luz vai faltar, se for seu dia de falta de sorte então, não vá a lugar nenhum, porque certamente você não vai chegar: Como já se sabe, a Praça da Bandeira vira uma Banheira. A Lagoa também. A Avenida das Américas, a Presidente Vargas, a Oliveira Belo aqui na Vila da Penha, não há exceção. Tudo vira mar, desde sempre e há décadas. Mas tudo bem, o povo sempre vive feliz, só a velha resmungona aqui acha absurdo e posta no blog.

Mas voltando a idade que avança e me piora…

Estou aqui com quase quarenta querendo voltar a faculdade para ver se minha vida financeira tem jeito. Sabem aquele discursinho: “vou ter minha independência, ajudar minha mãe com as responsabilidades da vida, mas dentro do meu canto…”

Quando eu tinha 15 anos, chegava a discoteca no horário de entrada gratuita para fazer malabarismo com os R$10,00 que tinha juntado da merenda durante a semana. Quando saía para fazer um lanche com um namoradinho da época, a gente dividia o refrigerante pra sair mais em conta. Claro, dois estudantes equilibrando os trocadinhos que os pais soltavam eventualmente (Ninguém era filho do Eike Baptista, afinal de contas).

Mas na minha idade, sentir calafrio quando o filho pede para ver Homem de Aço, porque daí você imagina que, mesmo indo no dia que é promocional de meia entrada, após a sessão tem que rolar lanchinho e que não é barato e teu cartão já estourou antes do mês virar… É um constrangimento adolescente.

Quando penso em voltar para a faculdade, retomo a questão vocacional de outrora: Faço o mestrado para dar aulas ou mudo radicalmente de profissão? Abro uma possibilidade para mim. E se abrir essa possibilidade, o mercado para um quarentão, será generoso? Onde tem uma saída para o meu caos?!

vem

Medos juvenis!

E o pior, é que se os Kardecistas estiverem certos, tenho um espírito velho, preso aqui na Terra há muito tempo, sem evoluir. Apenas purgando coisas das quais eu nem me lembro. Me desespera ainda mais pensar que ao longo dos milênios, passaram por mim pessoas que já estão em planetas fodas, enquanto eu nem decidi ainda o que vou ser quando crescer. Estupida mesmo me sinto quando imagino que muitas vezes tive que escolher um plano de encarnação e fui pedir talentos que não servem pra nada neste mundo.

A anciã aqui quer sossego, mas não acho um veio de quietude.

Não me venham dizer que sou inteligente pra cacete, engraçada pra caramba… Nada disso paga as minhas contas no fim do mês. Nada diminui a frustração de ser uma pessoa mais velha com medos pueris.

2 Comentários

Arquivado em Besteirol

2 Respostas para “Adolescência sem fim

  1. Então vou ali ficar quietinha, sabe, que é melhor. Voltar pra faculdade ajuda a melhorar a auto estima, dizem. 🙂
    Apoio!

  2. Cleto Guedes

    Olha moça, com relação às suas reclamações dos problemas gerados por quem devia consertá-los, no caso, o poder público, infelizmente são poucas as pessoas que ainda possuem o tal “poder de indignação”, já que pelo jeito são poucas as pessoas que nascem com isso. Espero que você não perca nunca. Com relação a voltar à faculdade, nenhum problema, só que eu não mudaria o que você já sabe fazer. Aos 36 anos a empresa onde eu trabalha e era gerente de vendas resoveu que iria fechar, já que os filhos assumiram posições de gerência e a coisa ia ir pro brejo mesmo. Com uma filha de 8 anos e um menino de 1 ano, me vi desempregado, com prestação da casa e outras muitas contas para pagar. Minha esposa me dizia pra largar o ramo gráfico e procurar coisas novas, diferentes, ao que eu respondia que minha chance de cometer erros era nenhuma. Lembra do Collor com uma bala para matar o tigre? Pois é. Eu respondia que como eu não podia cometer erros, deveria ficar em terrenos que eu conhecia. Fiquei 6 anos como apenas representante comercial, onde dinheiro só quando vendia e o cliente pagava, até iniciar um negócio proprio, que até o presente momento me sustenta. E aí já vão 16 anos. Acho que fiz a opão correta. Então, matricule-se e reaprenda, já que títulos e diplomas ainda valem alguma coisa nesse país. Beijo moça.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s