Arquivo do mês: agosto 2013

Frases Soltas

Então senta ao meu lado no ônibus, uma “mocinha” falando ao celular:

“Pimenta no cú dos outros é refresco, no meu é R$100,00”.

De imediato fui levada a uma viela da memória no vale da minha tenra juventude. Nesta idade eu queria apenas refresco. Sabe o refrigério do amor do príncipe encantado, mesmo que  ele não fosse príncipe (nunca namorei ninguém escandalosamente bonito) e nem encantado, afinal de contas que tipo de encanto pode-se esperar num reino suburbano?!

Enfim, com tanto pseudopríncipe  e tanto desencanto, se tivesse cobrado cenzinho em cada desencanto, hoje estaria frustrada em Paris, quem sabe?!

Hora de descer!

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Traição

Esses dias me perguntaram o que ando fazendo da vida. Eu pensei por alguns instantes, dei uma resposta en passant, mas lá no fundo eu suspirei e disse: “sendo traída”. E não estou falando de ser traída com o outro ou com outra. Quer dizer, não me refiro a amor, desamor, paixões. Falo mesmo das traições cotidianas. Esse tipo de traição pode ser terrível. Algumas vezes você trai porque o relacionamento desgastou, então se arrepende, mas não pode mais voltar atrás. A dor que se causou (ou sofreu) já não permite mais voltar atrás, e você olha, da janela, sem ter nem o direito de sacudir o lencinho branco, o outro partir.

Entretanto, apesar da dor se arrasta e a cicatriz que deixa lá a marca, a vida passa e em algum momento, o traído se recupera, a vida se transforma ou a gente faz de conta que tanto faz.

Triste mesmo é você pagar um plano de saúde, porque o SUS não te atende, confiar em um médico, que nem tinha o direito de ser chamado como doutor, e este te dar um diagnóstico errado ou não te prevenir quanto aos efeitos colaterais de um determinado medicamento e você se sentir pior. Ou até ver um problema maior nascer.

Triste é você se encantar com os benefícios oferecidos por uma data instituição financeira, de repente sofrer um revés e, quando tenta reparar as dívidas, é atendido por um profissional que não está nem ai para sanar o problema. Como se quem não tivesse milhões para investir fosse menor. Alguém disse pra eles que é o pobre que paga as contas?

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Tristeza profunda ver um ser humano cheio de arrogância, passar a sua frente e assumir um lugar que a vida nunca te deu direito, com a simplicidade de quem masca um chiclete. E o pior, usando daquele amigo que você tem em comum. Amigo? Melhor nem mencionar título, né? Que amigo é esse que colabora com um e ignora o outro. Talvez bom mesmo seja ser ruim. Ou então meus conceitos de bom e mau estão meio deturpados, o que não me faz sentir menos traída.

Pior ainda é a traição com uma população inteira! O Morro do Bumba reconstruído em cima do que já foi tragédia. A Região Serrana sempre com a corda no pescoço ao menor anúncio de chuva. A situação do bonde de Santa Teresa, depois de dois anos sem solução. O povo resolve ir para a rua lutar por dignidade, porque ninguém aguenta mais o Brasil como está e os baderneiros, que comprados ou não, deveriam estar dedicados a fazer um país diferente pra si, saqueiam, quebram, desorganizam. Vocês não se sentem traídos pelo próximo? Pelo sistema? Pelo destino? Será que ando traindo a mim mesma?

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Que merda é essa?!

Então eu, que estudei jornalismo, investi uma grana pesada em faculdade, cursos de especialização/atualização, cultura geral, idioma, não consigo deslanchar com a carreira (meu sonho). Fico aqui olhando para este blog que mantenho há anos, pensando na mesmice, na falta de criatividade ou o que mais não me permite transformá-lo em um conteúdo realmente visível para me jogar no mundo, sem ter muito sucesso.

E é justamente no meio desta crise que o Faustão joga no ar o PUM DA ANITTA!

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Exatamente, senhores, em cadeia nacional, a bailarina de cabelo em chamas contou para todo o Brasil que a funkeira poderosa peida igual a todos os mortais e, pior, obriga sua equipe a ficar cheirando seu pum na van. Constrangimento! Não digo constrangimento para a Anitta, não, que sim ficou com sorriso amarelo (não era pra menos), mas pelo conteúdo desnecessário, escatológico e sem razão de ser.  Me senti ofendida como espectador secundário (porque  detesto o Domingão do Faustão, mas minha mãe adora a Dança dos Famosos e por conta disso, assiste a palhaçada inteira pra não perder a hora), como profissional com poucas chances de mercado,como estudante, como brasileira. Não fosse a política do QI, que nada mais é que um jeitinho brasileiro, talvez eu tivesse chances de ser produtora de TV e apresentar uma pauta menos idiota.

Se alegar que era brincadeira, vai brincar mal assim no inferno. E que no inferno não tenha transmissão via satélite para nenhum outro lugar quente ou frio do planeta. Aplausos para o mais “edificante” momento da TV em 2013, só que não! Só que blerc! Só que… Fala sério! Não vou pensar em mais nada útil. Vai ver que cagando pra esta merda toda e malhando glúteo alguém me descobre.

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Cinema: Círculo de Fogo

Sala escura. Tela com seqüências de cenas entre amarelos (introspecção) e vermelhos (extravasos)  que resumem o estado de espírito dos personagens, tiros, porradas em larga escala, bombas de tamanhos fenomenais  e a certeza que há uma nostalgia no cineasta: Certamente esse cara cresceu na década de 80 com todos aqueles seriados japoneses.

Em certo momento do filme, o Gustavo dispara: “Ai, mãe, agora é a hora de chamar o Megazord”.  Quer dizer, a sensação não era só minha, mas também no meu filho gênio, nascido no ano 2000.

Pacific Rim

Como eu brincava de, Power Ranger (rosa), logo me identifiquei com a coreografia para entrar, acoplar e fazer Jaeger se mexer. Quase no final, então, quando aparece um botão dentro dele com um desenho de espada, que põe fim a todos os problemas da Terra… Uau! Eu poderia pilotar um daqueles bichões, sem dúvida nenhuma.

Enfim, não dá para ter muitas expectativas da história, embora o Guillermo Del Toro tente extrair algumas virtudes humanas de um cenário francamente pessimista, como por exemplo, a solidariedade em se adotar uma menininha órfã, no primeiro ataque de Kaiju e fazer dela uma heroína.  O estender de mão, desta que ainda não era a heroína, e que precisava de um empurrãozinho para se livrar do passado nesta batalha de contornos épicos… Fica até bonitinho esse lugar comum.

Mas quando a gosma azul (sangue azul) toma conta da tela, levando de volta a “Geleca” nojenta da década de 80, fica a certeza que o longa nada mais é que o encontro de Godzila com Optimus Prime. É embarcar nessa nostalgia e consumir rápido, como todas as produções deste nível.

Eu aproveitaria para fazer um álbum de figurinhas, com aqueles cromos que brilham no escuro. Nada mais retrô!

Vai uma pipoquinha?

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Revelação

Há um tempo, minha mãe reclamou que eu não registro os momentos do Gustavo e, vou acabar me arrependendo de ter poucas imagens dele na infância/adolescência. Ao que disse que fotografava ele o tempo todo, até quando ele não estava posando, mas estava tudo no computador ou nos CDs de Backup. Ao que ela logo reclamou: “Depois que inventaram essa coisa de fotografia digital, nunca mais consegui ver nenhuma foto”.

Realmente, se pararmos pra pensar, antigamente era gostoso pegar os álbuns e fazermos a viagem no tempo. A gente sabia exatamente em que álbum ou caixa estava determinada imagem. Eu mesma quando era criança, quando entrava na casa da minha avó, corria para o armário dela, pegar uma caixa de madeira onde estavam os ancestrais da nossa família alemã. E perguntava várias vezes sobre esse ou aquele personagem. Mesmo que já soubesse, havia histórias que queria ouvir de novo.

Hoje em dia, todo CD é igual. Para buscar as imagens tem que ter o notebook, o DVD com leitura JPEG ou sei lá mais o que. O resgate das memórias, principalmente para minha mãe que não tem habilidade com tecnologias ficou impossível. E foi ai, que resolvi imprimir as 100 primeiras fotos. E lá estava o Gustavo pequenininho de novo, e as histórias que naquela idade ele fazia: apaixonado por carros, conhecedor das bandeiras dos países mais distantes, os jogos de futebol no quintal onde ele era o Romário, o Ronaldinho… O meu pai (com babador) para o primeiro e único neto homem. Que prazer especial neste reencontro.

Fotografia

Como antes, organizei tudo em um álbum e de repente a sensação é que tudo era muito bom. Que barato incrível a sensação de que podemos nos reencontrar com momentos únicos apenas abrindo uma página. Coisa de gente velha, que hoje sei, não vai ficar obsoleta. Não lá em casa. Já enchemos o primeiro álbum de 200 fotos, com um tempo que passou sem passar, porque deixou lá a marca de muito afeto, agora impressos em papel fotográfico. Para sempre, como deve ser. Experimente essa energia.

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