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Vazio

MACACO SEM IDEIA

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novembro 17, 2013 · 2:28 pm

Uma pedra no caminho

Aos vinte e poucos anos e já com um filho pra criar eu decidi: vou abandonar tudo. Larguei o casamento que já não me satisfazia, deixei pra trás o comércio, investi em uma faculdade que pouco mercado tinha, mas era meu sonho. Mudei de vida! E como a ideia é colher o que se planta, alimentei durante todos esses anos minha independência financeira (e porque não uns minutinhos de alegria, sossego…). Não consegui. Não tenho mais idade para levantar velas de modo tão ousado, mas ainda continuo em busca do meu próprio sustento.

Numa dessas recebi uma proposta para um novo emprego. Ainda não era a empresa dos sonhos,  mas tinha alguns benefícios, entre eles, o chefe ser justo. Meu sonho de consumo! Nunca passei por uma empresa que o líder valorizasse meu trabalho, a estilo Max Gehringer, entendem? Não pensei duas vezes. Era hora de mudar e fiz minhas malas. Quando estava tudo acertado entre mim e os chefes, toca o telefone:

– Olha, Fernanda, eu sinto muito, mas perdi um contrato esta semana, de forma que não justifica mais trazer você pra cá. Vou me empenhar ao máximo para fechar novos contratos e quando der, faço contato de novo.
– Mas espera ai… Eu já me desliguei da empresa, estava tudo acertado… Você dispôs da minha vida. Quem paga minhas contas até lá? Eu pedi demissão, não tenho direito nem a seguro desemprego.
– Eu entendo sua situação. Realmente sinto muito.
– Olha só, você me chamou porque uma outra pessoa estava de aviso prévio, certo? Se esta pessoa não tivesse pedido demissão você a demitiria porque perdeu um contrato?
– Não. Neste caso eu honraria o salário dele, mas entre nós não tem vínculo. Sorte a dele, que saiu. Sorte a minha ter hoje menos um profissional para saldar o salário…
– E azar o meu que confiei em você, né?!

pegadinha

A princípio pensei em pegar todas as mensagens trocadas e processar o “chefe justo”, porém, o novo emprego foi a base de indicação de um colega de faculdade, isso o colocaria em maus lençóis, porque no final, ele seria a única testemunha e o dono da tal empresa não seria sensível a este imbróglio.

E foi assim que engoli meu ódio, porque o azar foi o meu. E foi mesmo. Temperado com meu orgulho, porque aceitei voltar ao antigo emprego por pura falta de opção. Acompanhado com minha frustração de um cão correndo atrás do rabo, sem conseguir chegar a lugar algum. Aquilo que plantei aos vinte e poucos, devo ter feito em solo árido, capaz de nem brotar. Chefe justo, príncipe encantado, Papai Noel. Tenho andado atrás de coisas erradas.

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