E 2013 foi tarde

Quanto a este ano só penso que deveriam cortar-lhes os dias. Sabem a lógica do ano bissexto, em que acrescenta-se mais um dia, em fevereiro, para manter o calendário anual ajustado a translação da Terra? Então. Podiam descobrir que não era nada disso, contamos dias demais e, por conta deste fato se diminuriam alguns meses deste tal ano da graça de dois mil e treze.

Graça? Não. Não teve graça nenhuma.

No ano passado terminei dizendo de algo que andava acelerando meu coração. Sim. Foram semanas maravilhosas. Como adolescente que descobre o mundo. Mas havia um impedimento nos processos de trabalho e não é que, logo em janeiro, minha ex-chefe, que era o principal entrave descobriu tudo?  Em uma ida ao shopping meu mundo caiu. Simples assim.

O antídoto foi entender que não estava perdendo nada com a descoberta. Na verdade acabei me libertando, ainda que do modo mais doloroso. Pensei: O que ela mudou minha vida até agora? No que ela pode mudar? Nada a duas perguntas? Então… Minha vida que segue. Emagreci e a saia justa acabou me cabendo como luva.

Diante disso, o jeito foi curtir meu aniversário. Várias comemorações: Festa no boteco da Guaiuba com o pessoal do hospital, alguns amigos extras e mais alguns pacientes que ajudei e tiveram a gentileza de comparecer (e trouxeram presentes fofos). Depois, uma amiga radialista me presenteou com um show do Roupa Nova, na Ilha do Governador. Lá fui eu de rainha, com acompanhante. Depois, almoço com a família, com direito a tradicional torta de chocolate da mamãe. E quando achava que não tinha mais o que festejar, me pegam em uma festa surpresa no hospital. Meu Deus! Fiquei emocionada! Em 2011 sequer me cumprimentaram e este ano gente de todos os setores. Realmente surpreendente, afinal de contas, achava que havíamos nos resolvido na Guaiuba. É legal a gente se sentir querida, principalmente depois de tudo que chorei por causa da situação com a ex-chefe que me tratou como se eu fosse qualquer coisa.

Enfim… Parecia que a vida estava estabilizando. Realmente me senti feliz depois de muito tempo. Foi então, que uma amiga, que também trabalhava comigo (dessas pessoas que curtem a vida como se não houvesse amanhã) fica doente. Primeiro foi uma trombose, que conseguimos contornar com eficiência. Na sequência, a dor não passou e começaram a tratar como gases, que nunca eram elimidados. Até que a notícia cai como bomba: Câncer avançado no útero. Foram 8 meses do diagnóstico até a perdermos para a doença. Ainda não posso acreditar nessa notícia!

Durante essa correria, Gustavo fez 13 anos. Uau! Já tem barba, bigode e não está nem aí para o barbeador que lhe dei de presente no aniversário. Fomos em uma churrascaria, como uma família: Ele, eu, André, D. Lúcia, Felipe e a namorada e a Bruna. Teria sido bonito se tivéssemos chegado até ali juntos, mas eu nunca me senti realmente parte integrante disso. Na verdade, acho que nunca fui parte integrante de nada. Não sei muito bem onde é meu lugar. Sempre acho que estou incomodando e incomodamente instalada na vida dos outros. Talvez eu faça análise algum dia.

Em abril, ganhei uma afilhada. Participei do parto (que foi difícil), cortei o cordão umbilical e me apaixonei. Sempre achei minha madrinha incrível! Tenho grandes lembranças dos meus padrinhos na infância: O melhor brinquedo, as férias na casa deles (que ainda eram casados), os passeios, os primos… Acho que muito por conta disso sempre quis ser “dinda”, mas… A primeira vez que me convidaram, me desconvidaram logo em seguida e depois, não tinha tantas possibilidades. Não tenho tantas amigas, cada dia tenho menos, aliás, e as minhas primas nunca me deram a honra. Veio da minha sobrinha o convite e, me emocionou. Aceitei de coração mesmo, sou apaixonada pelo meu “quindim”.

Chega maio e acaba o recreio. O poderoso chefão pede um Simpósio para os médicos que não comparecem e ele, pra variar, culpa a falta de comunicação. Claro que ele não vê que a empresa toda está infeliz e desmotivada e o não comparecimento é um jeito de dizer: “não estamos satisfeitos”, mas claro que é melhor colocar a culpa em alguém. Cansaço! Vou remoendo isso até 28 de setembro quando recebo convite pra trabalhar em uma agência. Dia 30 do mesmo mês peço demissão, informando que ficaria apenas para a missa de um ano em memória do falecido diretor administrativo.  Depois de tudo combinado, o Paulo, diretor da tal nova empresa me liga dizendo que “sente muito mas não tem mais a vaga”. Desespero! Já tinha pedido pra sair sem aviso prévio, pego todo mundo de calça arriada  e ai? Para fechar com chave de ouro: consigo meu cargo de volta, perdendo 2 anos e meio de emprego, ganhando a mesma coisa e sem carteira assinada como antes até sabe Deus quando.

Fico revoltada, procuro um advogado pra entrar com ação contra o tal do Paulo e sou informada que não posso fazer isso, porque pode prejudicar o antigo amigo de faculdade que me indicou ao emprego. Prejuízo. Entro em contato com o escritório de advogados da Rádio Tamoio que ainda não me pagou pra ver se posso passar por cima do Dr. Rafael (Aquele que se dizia meu amigo e esqueceu da causa) e consigo receber o que eles queriam me pagar. Não me retornam. Leio no jornal que agora os antigos processos de trabalho podem ser definitivamente arquivados depois de um prazo porque os patrões safados, coitadinhos, não podem sofrer prejuízos que não estão esperando tanto tempo depois. É. Parece que mais um prejuízo!

É, Max Gehringer, você não serve pra minha vida! Estou totalmente perdida, estagnada, triste. Mas em 2013 muito mais que em 2012. Que daqui pra frente hajam boas novas. Feliz ano novo!

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