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Esperando na Janela

As vésperas de colher mais uma primavera estou aqui, mais um sábado a noite, sem convites, sem idéias, olhando o mundo pela tela do computador e convicta que alguma coisa deu errado na minha vida. Começou lá atrás, na minha formação. Deformou-se de modo aparentemente irreversível.

Vejo nas redes sociais os amigos de infância, de início de adolescência. Eles se agruparam em interesses comuns e se freqüentam até hoje. Por que será que não fizeram questão de manter o contato comigo? É forte o que vou dizer, mas sinto inveja desse laço. Hoje não há quem relembre uma travessura comigo, não tive quem batizasse meu filho… Seus padrinhos são meus pais, porque naquele momento de necessidade, não houve quem ficasse, em quem eu pudesse confiar que se um dia eu faltasse, acolheria meu filho. Vejo as pessoas daquele tempo casando, nunca sou convidada, claro. Vejo as festas de aniversário, reencontros, despedidas, nascimentos… De nada faço parte. Sou uma foto no perfil das redes, como se nunca tivesse existido de fato ou seja só “você lembra dela?”

A sensação que eu tenho é que nunca existi.

Quando comecei a sentir que as pessoas não sentiam minha falta, fui me afastando mesmo. Pensando “Eu que não vou correr atrás”. Hoje acho que deveria ter corrido. Deveria ter me feito presente, perguntado se houve mágoa, pedido desculpas por qualquer coisa. É muito triste vagar pelo mundo.

Hoje quando meu telefone toca é trabalho ou alguém pedindo ajuda com algum problema de saúde seu ou de terceiros (mais trabalho). Agradecem o favor, mas não retornam para convidar para o aniversário, só mesmo para pedir de novo.  Eu sempre digo que não vou atender nunca mais, porém, acabo sendo solícita sempre, admitindo que é só mesmo pra isso que devo existir. Já andei pensando em quando aparecer #AoVivo na rede, eu ligar e me convidar:

– Lembra aquela consulta? Pois é. Me paga ela me incluindo na tua Pool Party?

Mas acabo achando que sou mais que isso. E aguardo o carinho de ser lembrada. Talvez por outras qualidades que não seja o cargo que ocupo hoje.

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Sexta da Sorte

Então, para receber membros do Ministério da Saúde, Secretaria de Estado e Município, acorda mais cedo, se veste elegantemente, escova cabelo… Perde a hora do almoço, em reunião que se estende até o limiar do desespero e sai para fazer um lanche até a hora do próximo compromisso, quando o cara dentro do boteco puxa aquele escarro vindo lá da próstata. Sem se levantar da cadeira, lança ao vento em direção a rua e acerta o seu scarpin, que deu o próximo passo a frente bem na hora. Neste momento, vendo aquela coisa grossa bem na ponta do seu sapato caríssimo, há de se dar Graças a Deus pelo alvo não ter sido o peito do pé!

E o povo ainda tem medo de gato preto! Um brinde a sexta-feira 13.

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Frases Soltas

Então senta ao meu lado no ônibus, uma “mocinha” falando ao celular:

“Pimenta no cú dos outros é refresco, no meu é R$100,00”.

De imediato fui levada a uma viela da memória no vale da minha tenra juventude. Nesta idade eu queria apenas refresco. Sabe o refrigério do amor do príncipe encantado, mesmo que  ele não fosse príncipe (nunca namorei ninguém escandalosamente bonito) e nem encantado, afinal de contas que tipo de encanto pode-se esperar num reino suburbano?!

Enfim, com tanto pseudopríncipe  e tanto desencanto, se tivesse cobrado cenzinho em cada desencanto, hoje estaria frustrada em Paris, quem sabe?!

Hora de descer!

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Adolescência sem fim

Das verdades indiscutíveis da vida: A idade pesa. Não que eu esteja dobrando o cabo da Boa Esperança, mas é que essa coisa de espírito jovem nunca foi comigo. Percebam que mantenho há anos um blog cujo nome é “FÊ DA VIDA”.  Sempre fui de reclamar como uma velha de 80. Quer dizer, reclamo do que está errado, do que é perverso, mas vivendo no Brasil, acabei não encontrando muita saída para ser diferente.

Se chover, então, ai que eu dano a reclamar mesmo. O Rio é de açúcar e desmancha a qualquer gota d’água. Se chover muito, pode começar a rezar porque terá desabamentos, o sinal do Vírtua vai cair, a luz vai faltar, se for seu dia de falta de sorte então, não vá a lugar nenhum, porque certamente você não vai chegar: Como já se sabe, a Praça da Bandeira vira uma Banheira. A Lagoa também. A Avenida das Américas, a Presidente Vargas, a Oliveira Belo aqui na Vila da Penha, não há exceção. Tudo vira mar, desde sempre e há décadas. Mas tudo bem, o povo sempre vive feliz, só a velha resmungona aqui acha absurdo e posta no blog.

Mas voltando a idade que avança e me piora…

Estou aqui com quase quarenta querendo voltar a faculdade para ver se minha vida financeira tem jeito. Sabem aquele discursinho: “vou ter minha independência, ajudar minha mãe com as responsabilidades da vida, mas dentro do meu canto…”

Quando eu tinha 15 anos, chegava a discoteca no horário de entrada gratuita para fazer malabarismo com os R$10,00 que tinha juntado da merenda durante a semana. Quando saía para fazer um lanche com um namoradinho da época, a gente dividia o refrigerante pra sair mais em conta. Claro, dois estudantes equilibrando os trocadinhos que os pais soltavam eventualmente (Ninguém era filho do Eike Baptista, afinal de contas).

Mas na minha idade, sentir calafrio quando o filho pede para ver Homem de Aço, porque daí você imagina que, mesmo indo no dia que é promocional de meia entrada, após a sessão tem que rolar lanchinho e que não é barato e teu cartão já estourou antes do mês virar… É um constrangimento adolescente.

Quando penso em voltar para a faculdade, retomo a questão vocacional de outrora: Faço o mestrado para dar aulas ou mudo radicalmente de profissão? Abro uma possibilidade para mim. E se abrir essa possibilidade, o mercado para um quarentão, será generoso? Onde tem uma saída para o meu caos?!

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Medos juvenis!

E o pior, é que se os Kardecistas estiverem certos, tenho um espírito velho, preso aqui na Terra há muito tempo, sem evoluir. Apenas purgando coisas das quais eu nem me lembro. Me desespera ainda mais pensar que ao longo dos milênios, passaram por mim pessoas que já estão em planetas fodas, enquanto eu nem decidi ainda o que vou ser quando crescer. Estupida mesmo me sinto quando imagino que muitas vezes tive que escolher um plano de encarnação e fui pedir talentos que não servem pra nada neste mundo.

A anciã aqui quer sossego, mas não acho um veio de quietude.

Não me venham dizer que sou inteligente pra cacete, engraçada pra caramba… Nada disso paga as minhas contas no fim do mês. Nada diminui a frustração de ser uma pessoa mais velha com medos pueris.

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Lá vem Dezembro

Gente… Entrei na máquina do tempo? Pisquei o olho e já é natal de novo. E, como sempre, tudo igual: Estou a-pa-vo-ra-da! Como no ano passado, não fui contratada pelo emprego dos sonhos, minha carreira no emprego atual não deslanchou, não tive mais dinheiro, não fui mais alegre, sequer cheguei perto de conhecer Fernando de Noronha, amor… Desse ai melhor nem comentar.

Estão dizendo por ai que azul é a cor do ano novo. A minha vida toda fui louca pelo tom: azul royal, o azul anil, o azul caneta esferográfica… Então, sei lá, pode ser que 2013, ao invés de prometer cumpra, só pelo fato de estar na cor da numerologia ou sei lá qual outra mandinga.

Tem numerólogo jurando de pés juntos que o novo ano será o momento do renascimento da família, do afeto, das raízes, da segurança interior, da harmonia que nos levam a concretizar projetos e sonhos, de preferência os mais bonitos.

Será um tempo de parcerias firmadas com base na amizade, em que a humanidade vai viver um salto evolutivo. Será um ano em que os negociadores de conflitos vão ser ajudados pelo Universo a ter sucesso nas empreitadas pela paz , as borboletas azuis serão os arautos da felicidade, e a ala do bem vai, cada dia mais, virar a mesa sobre a ala do mal.

PUTAQUEMEPARIU, tirando a cor que mudou, as previsões não são copiadas e coladas das previsões anteriores, não?!

A tirar por este Déjavu de previsões, estou com minhas barbas de molho pro fato de que mais uma vez o ano vai passar como a velocidade da luz e nada vai ter de novo, porque não dá tempo de ser viver, quando o governo só ajuda a sobreviver umas classes minoritárias que escolhem para subsidiar dependendo da sazonalidade (e só ajuda a viver bem a sua própria classe).

Aguardem… 2013 é nós mais Fê da Vida (como sempre, com as previsões de sempre e a vida de sempre), vestida com tons de azul como sempre.

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Parabéns para o Blog

Meu cérebro é meio masculino para essa coisa de guardar datas.  Antes do Orkut, e essas outras ferramentas que avisam o dia dos aniversários (oh, como são adoráveis!), eu vivia passando datas por brancas nuvens e, não raro, contornando mágoas de amigos e ex-namorados. E se não me lembro de data de nascimentos e daquelas que nos conhecemos, que nos beijamos, etc, muito menos lembraria de dizer o quanto tempo escrevo num blog.

Pois bem meus poucos amigos que visitam a página: este mês, completou 4 anos que despejo aqui minhas abobrinhas. Ou não. Existe alguns posts que são de utilidade pública e, que, respondo com todo carinho aos que me enviam emails ou comentários, como o “Mapa da Mina dos Pensionistas da PM”, que escrevi na ocasião da morte do meu pai e o “Projeto Imagem Solidária” que realiza exames de alta complexidade a um preço baratinho, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

Em geral, o pessoal que lê e manda comentários, não o fazem pela minha iniciativa ou pela acertividade em dividir um conhecimento, uma experiência de vida que pode ajudar os demais. Sequer percebem que sou jornalista e apenas divulgo os serviços. Eles me perdem informações ou reclamam dos números de telefone que não atendem, como se eu trabalhasse nos locais. Sequer perdem mais algum tempo para descobrir que este é um blog de generalidades. Tudo bem. A internet faz isso mesmo com a gente, nos deixa “apressadinhos”.

O importante é que, de alguma forma, tenho a visita das pessoas e, mesmo não sabendo ou não conseguindo capitalizar o blog, acabei fazendo um trabalho social bacana. E, espero com isso, que a vida me recompense de alguma forma.

Por hora, sinto-me feliz em poder ajudar, sinto-me ainda mais feliz quando estou revoltada da vida com alguma coisa e tenho aqui meu refúgio para escrever minhas memórias. O Fê da Vida, leva para posteridade aquilo que tenho de mais ácido, lúcido ou divertido e, por isso, mesmo todas as vezes que deixei de falar alguma coisa e, pensei em abandonar o espaço, sempre voltei atrás na minha terapia. De algum modo, estou olhando para o futuro, plantando aqui meu passado. E, afinal, quem não quer ser eterno?!

Parabéns para mim pelos 413 mal escritos posts. Sempre bom sonhar ou desabafar com vocês.

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De cabeça para baixo

Algumas vezes, o mundo dá voltas, justamente para te colocar de cabeça pra cima, reordenar as coisas… Mas não é o meu caso. A rotação da Terra para mim deu 90° apenas e ficou tudo de ponta cabeça. Deve ter um motivo. Pode ser que seja para mais amadurecimento. Nada é por acaso… Poupem seus comentários positivistas, porque são eles que tenho repetido no espelho tentando não pirar.

Apesar disso, a revolta não se dissipa. Tudo o que sei nesse momento, é que eu colocaria uma escada até o céu, invadiria o trono do altíssimo e diria: “Escuta aqui, eu não mereço isso”. Com o dedo bem apontado para o Seu nariz, usando de toda a petulância que Ele mesmo me agraciou.

Desejo absurdo!

Tristeza infinita.

Apreensão sem limites.

Arrependimento. Amargura. Lágrimas. Insônia.

Corrida contra o tempo… Como se isso fosse possível!

Silêncio.

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