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Plano de Saúde: A saga continua.

Depois de não receber uma resposta a contento para meu problema de falta de emergência pediatria próxima a minha casa pelo plano que pago há anos, voltei a entrar em contato com a ASSIM, questionando onde posso ser atendida nas especialidades ginecologia e oftalmologia.

Detalhe: Trabalho em um hospital do SUS, que não possui atendimento oftalmológico e não quero que um colega meu de trabalho me atenda na ginecologia. Problema pessoal meu! Quem é mulher sabe como é desconfortável ir a um ginecologista, imagina ter que se mostrar na intimidade para uma pessoa que você vai encontrar no refeitório na hora do almoço? Não quero!

Entretanto, não posso dizer ao meu chefe, que também é médico, que vou ter que sair mais cedo para ir a um consultório de ginecologia fazer exames de rotina porque não quero ser “invadida” pelo especialista que temos na casa. Ele, claro, vai vir com discurso que não tem nada a ver, que o sigilo do consultório e que o médico não vê paciente como mulher, etc. Ok. Concordo com tudo, mas não me sinto a vontade.

Portanto, preciso de um médico que me atenda aos sábados. E preciso logo. Primeiro porque estou ficando cega e tenho que renovar carteira de motorista logo no início do ano que vem, segundo porque preciso fazer o preventivo que tem séculos que não faço.

No entanto, quando ligo para as clínicas disponíveis no livro da rede credenciada a resposta é basicamente a mesma: me dão dia e hora para ligar e TENTAR o atendimento. Uma situação vergonhosa, visto que pago plano de saúde e, se faço isso, é para ter conforto e privilégio. Do contrário me despencava para um Posto de Saúde para “TENTAR A SORTE”.

Dia 25/05, às 11h26, relatei em um email toda esta “lenga-lenga”. Dia 27/05, às 17h21:

ASSIM 1

Dia 28/05, às 11:01:

ASSIM 2

Conclusão: Se está difícil para eles solucionarem meu caso, imagina para mim que tenho que trabalhar o dia todo e não tenho tempo de ligar para todos aqueles números?

Depois de quase dez dias me deram retorno marcando uma especialidade em cada sábado. Foi sofrido, mas vou conseguir usar esse plano de saúde pelo menos por hora.

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Assim não se faz saúde

Apenas duas vezes na vida passei sufoco com a saúde do meu filho. Uma dessas foi nesta virada de sábado para domingo. O garoto, com febre de QUARENTA GRAUS, não abaixava nem com decreto da presidente Dilma. E toma antitérmico, e toma banho frio, e faz compressa nas juntas, e faz oração… Nada fazia ceder. O jeito foi apelar para o bom, velho e pouco usado plano de saúde.

Lá fomos nós para o Hospital Balbino, mais próximo aqui de casa, afinal de contas ele estava com espasmos por conta da febre alta de mais. Chegando lá, tivemos a notícia que não se atendia mais emergência pediátrica.

– Mas, olha só, ele não é mais tão criança. Será que um clínico não poderia avaliar, apenas para estabilizar ele para procurarmos outra emergência?

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A recepcionista sem nem olhar na minha cara, jogou no balcão um papel com uma listinha de onde atendiam pediatria e entre os dentes mandou um “não, senhora”.

Agora, atenção aqui você que não tem plano de saúde, bate na porta do SUS, ouve um não e se joga no chão e chama a imprensa porque é um absurdo. Realmente é um absurdo! Mas não se faça de vítima, não. Porque gente como eu PAGA CARO plano de saúde, além de pagar os impostos e tem a saúde negligenciada duas vezes.

Conclusão: Tarde da noite, eu sozinha com um menino de 13 anos, passando mal, e um papelzinho de lugares que indicavam Ilha do Governador, com aquela crackolandia na saída, Tijuca, com a Avenida Brasil inteira a cortar e sem conhecer bem o lugar… Voltei para a casa sem atendimento médico, pedindo a Deus que a febre abaixasse um pouco até o dia clarear e ser menos perigosa a aventura.

Indignada, mando um email para o atendimento Assim. Detalhei o ocorrido e mencionei uma cartinha de Feliz Ano Novo que recebi. Era muito fofa, mas não tinha qualquer aplicabilidade.

“Prezada Sra Fernanda, solicitamos por favor, o reenvio do seu e-mail com nº do contrato e nome completo do titular do plano.”

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Não interessa o nome completo do titular, não importa a matrícula. Importa é a reclamação de um usuário que paga esta merda em dia e NUNCA CONSEGUE ATENDIMENTO. O que você teria a dizer para qualquer um dos seus 400 000 clientes que não estão satisfeitos com o que passaram? É isso que eu quero saber…

De toda forma, informei os dados que eles queriam só para ver o nível da cara de pau.

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“Prezada Sra Fernanda, recebemos seu e-mail e ratificamos nosso interesse permanente em ouvir nossos associados.  Esclarecemos que o Hospital  Balbino encerrou as atividades na urgência pediátrica para todas as Operadoras de saúde.  Desta forma, informamos abaixo locais para atendimento de urgência em pediatria:”

E seguiu aquela mesma listinha que recebi no Hospital Balbino.

 O Engenho de Dentro fica a 19km da minha casa. Botafogo a 24,9Km. A Tijuca a 17Km. E caso não saibam, não dirijo uma ambulância, tenho um carro de passeio 1.0 e sorte a minha! Imagine quem anda de ônibus e precisa socorrer o filho no meio da madrugada?

Entendi que o Hospital Balbino não atende mais pediatria em geral, não precisava que o atendimento me explicasse isso, então, a providência a ser tomada é encontrar na região hospital que queira se credenciar e não deslocar o paciente pra puta-que-pariu-vinte-e-quatro-quilômetros-depois-se-vira-cretina. Se for pra ficar correndo atrás de lugar onde tenha pediatra e batendo com o nariz na porta, deixo de pagar essa porra e fico no SUS. Qualquer emergência gasto só com a gasolina para ir ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, porque lá tem pediatria funcionando (por enquanto). 

Qualquer um que paga plano de saúde o faz para ter tranquilidade. Cadê o diferencial? Não há.

Dizem que eu reclamo de mais. Eu vou reclamar sempre. Quero apenas o que é meu por direito, quero que me entreguem aquilo que meu dinheiro está comprando e aqui no Brasil, somos roubados de múltiplas formas. Eu NUNCA vou ser conivente com isso. Vou continuar reclamando, lutando, e sofrendo porque sei que não vou ver nada mudar.  A Assim que não é fiscalizada (como nada no país é)  não está nem ai para o que penso ou para as minhas necessidades. Mas não vou me calar. No mínimo, desabafo.

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Esperar Sentado

Na ocasião do falecimento do meu pai, entramos com um pedido de alvará para retirarmos uma quantia que havia depositado no Banco Itaú. Poupança de pobre. Sabem como é. Não chega a ser quase nada para cada uma das herdeiras (minha mãe e duas irmãs). Ainda assim, merrequinha nossa, com planos em conjunto para ela. União faz a força, afinal.

Primeiro foi um tal de pagar isso, pagar aquilo, custas disso e mais aquilo. Até o famigerado Imposto de Transferência nos debitaram: R$600,00 assim, de uma hora para outra… Uma merrequinha também se formos pensar no custo de vida do brasileiro, mas justamente por isso, um rombo no orçamento. Quase abrimos mão de receber o dinheiro, por não ter de onde tirar o tal imposto.

Quatro anos depois, abro o site do TJ e levo um susto (bom): A grana está enfim liberada. Ligo para o advogado eufórica e sou informada que ainda não há nada nosso. Precisa ainda ser publicado em Diário Oficial.

– Quando tempo leva isso, doutor?
– Não sei. Você tem algum conhecimento por lá?

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Que justiça é essa me digam? Deixam viúva e filhas em suspenso em um intervalo interminável e ainda pra ser feita com alguma agilidade precisa conhecer alguém?

É uma agressão, um desrespeito. Neste país simplesmente sambam na cara dos cidadãos. Ninguém é capaz  de cumprir os direitos básicos. Meu pai juntou um dinheirinho para nos dar alguma tranqüilidade e o que recebemos é pânico. Sim, porque eu não durmo direito pensando se o banco já passou a mão no que é meu, se um dia vou receber… São entraves e entraves… Não existe briga entre os herdeiros, não há qualquer embargo, apenas a morosidade, a injustiça, a existência de pessoas de má vontade, a espera de que lhe caia alguma migalha para abrir a porta.

Tudo isso, mais uma vez, culpa do jeitinho brasileiro que muita gente se orgulha, mas eu repudio. Essa democracia não me representa.

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Gente Bicho

A gente acha que já viu de tudo e ai vem um crime mais bárbaro que todos os outros já vistos e coloca a gente com o queixo no chão. Pode ser chamado de gente um sujeito que passa 6 horas em uma van estuprando uma jovem, enquanto espanca o namorado da vítima? Os caras só paravam para estourar os cartões de crédito do casal…

E a delegada que poderia ter prendido os tarados violentos se tivesse dado ouvidos a queixa da primeira mulher estuprada por eles, pode ser classificada como humana?

Não vou nem entrar no mérito de que a Van não estaria circulando, se houvesse fiscalização, porque estava irregular. Até porque, não fosse esse veículo seria outro, afinal de contas quem quer o mal até rouba carro para praticar o mal. É ou não é?! Neste caso, aliás, roubo seria o de menos.

O que me choca muito é uma delegada, que estudou, PRESTOU CONCURSO PARA FAZER O QUE FAZ, portanto, escolheu sua profissão e batalhou por ela, vai atender na Delegacia da Mulher e não corre atrás de fazer justiça a outra mulher que foi estuprada.

Esse é o pior dos crimes! Você ser invadida por um cara… Neste momento não estão roubando os seus anéis, estão levando os seus dedos… A sua dignidade humana! E quem deveria lhe proteger, simplesmente dá de ombros.

É tanto horror que até a mãe de um dos animais ficou chocada com o próprio filho.  Até os outros policiais que honram a farda que vestem se disseram comovidos com a história. Quem não sente vergonha de estar na mesma categoria humana de monstros assim (E eu incluo a delegada, hein, porque cumprir com seu trabalho, obrigação do cidadão é o mínimo que se espera)?! Eu, nessas horas, preferia ser um cachorro, um gato, um ornitorrinco…

Foto G1: Para não esquecer a cara dos nojentos

Foto G1: Para não esquecer a cara dos nojentos

Agora indignação mesmo é saber que caso sejam condenados, diante de tanta perversidade,  vão cumprir uma parte da pena e daqui a pouco estão na rua. Ou então, os Direitos Humanos vão ficar de olho nos maus tratos que podem receber na penitenciária… Nos Direitos Humanos que eles roubaram daquela pobre jovem, não, isso ninguém pensa, aliás, nem há como ser devolvido, mas hão de pensar e protege-los.

Esse tipo de gente não é humana. Não tem jeito. Ainda vão sambar na cara da sociedade. Não sou a favor da Pena de Morte, porque não temos competência sequer de assegurar a preservação da vida em uma esticada na night, mas sou a favor da vida! Que nos garantam o nosso direito de ir e vir. Trancafiem os animais em selas próprias pra eles, certifiquem-se que jamais sairão de lá e, quanto a delegada… Minha senhora, com todo respeito, deveriam jogá-la junto com eles para sentir na pele o crime para o qual a senhora fechou os olhos.

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A Zumbilândia é o Brasil

Então, minha irmã envia dois SEDEX, no mesmo dia (28/01), para o mesmo endereço:

O primeiro, EF633224197JP era um livro para minha mãe. Entrou na UNIDADE DE TRATAMENTO INTERNACIONAL – BRASIL no dia 04/02 e chegou a minha casa no dia 05/02. O segundo pacote EG222081151JP, que é bem mais atraente por ser um presente eletrônico do meu aniversário, também entrou na UNIDADE DE TRATAMENTO INTERNACIONAL – BRASIL, no MESMO DIA, mas não saiu.  Depois de algumas reclamações via email e telefone, o tal pacote reapareceu, está aguardando ser retirado na AC Hannibal Porto, no entanto, tenho que pagar R$118,00 para retirar a encomenda.

Em suma, minha irmã pagou os impostos de igual forma, pelos dois embrulhos. Um, que não tem tanto valor de mercado foi corretamente entregue em minha residência, o segundo, querem cobrar novos impostos ou seja lá o que isso representa, porque ninguém explica. Na minha modesta opinião, quando não somos furtados como da primeira vez, somos extorquidos: Pra eu não furtar, me pague resgate.

E, infelizmente, esse é só um dos desmandos.

Nós brasileiros não temos direito a Correios, como não temos a Educação, Saúde, Trabalho digno (porque ninguém fiscaliza as empresas  e os patrões vão excedendo a ordem exploratório capitalista), nem mesmo a moradia apesar dos absurdos impostos que pagamos.

Ninguém protesta de verdade, ninguém se junta para reclamar, para reivindicar, para exigir mudanças e soluções. Tudo vira piada ou desabafo nas redes sociais e para aí. Pior ainda, se você vai contra esse sistema absurdo e questiona de verdade, a quem é de direito, se faz o seu panelaço, embora seja uma panela sozinha, você é o “chato”, como se fosse obrigação sua engolir tudo o que te enfiam goela abaixo.

Cadê as autoridades eleitas para gerenciar essa baderna? Cadê os órgãos fiscalizatórios? Não ficam sabendo desses absurdos? Ou vem deles a ordem de roubar na mão grande o pobre? Esse povo não mora aqui? Não sabem o que fazer? Não são lesados nem um pouco com essa rotina? Nenhum familiar deles é atingido por nada disso? E você? Você acha que faz parte do seu carma aguentar tantos impostos sem nada de retorno? Ou não entende que isso está acontecendo embaixo do seu nariz?

Isto acontece há quantos anos? Desde que o Rio é Rio? É um problema crônico? E por isto será respeitado e jamais atacado ou resolvido? Há um total pelos problemas do dia a dia da cidade mesmo para os cidadãos. O que aconteceu comigo nos Correios de novo, pode acontecer com você neste ou em qualquer outro órgão. Não é só na atual administração. Tem sido assim há décadas. Há uma passividade desconcertante nos brasileiros em geral. Parece até que não é um problema nosso, que está acontecendo longe daqui.

A gente que tem tantos deveres, e que se não cumprir é punido, deveria também querer a dignidade de ser cidadão. Que orgulho é esse que só aparece em Copa? Orgulho de que, minha gente? Sentiria orgulho se não precisasse pagar escola para ver meu filho bem educado. Se não precisasse toda vez que chove encarar catástrofe na rua. Se o meu dinheiro desse para pagar as contas, sem eu ter que me sentir envelhecida, correndo atrás de complementos de renda, porque meu salário é deflacionado e ninguém vê. Teria orgulho se meu presente de aniversário que já foi pago lá no Japão tivesse sido entregue na minha residência sem ônus, como foi cobrado lá para ser. Mas não, eu tenho que comprar de volta o meu presente, sem sequer receber explicação do motivo para isso acontecer.

Mas eu me calo e escrevo no blog, porque se for para rua fazer o que tenho vontade serei a louca agitadora, que não entendo nada de ordem e progresso. Terra de meio mortos, meio vivos!!!

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Morro sufocada

Incêndio mata mais de 200 pessoas em boate no RS.

E é nessas horas que a “corrupção” dói na casa de todos os brasileiros.

Não fosse o (imbecil) do DJ querer fazer pirotecnia sem técnica alguma de modo irresponsável, nada teria acontecido. Ok. Não fosse os seguranças demorarem dois minutos para entenderem o acontecido e ajudarem mais rápido, talvez tivesse saído mais gente? Ok.

Mas o alvará da casa também estava vencido. Será que não houve fiscais batendo a porta? Certamente que sim. E é possível de imaginar que tenham recebido um qualquer para “fechar os olhos”. Esse é o nosso país. E desta forma, empresários vão passando por cima da ordem: portas de emergência fora de padrões, falta de equipamentos de segurança, falta de Brigada de Emergência qualificada, falta de responsabilidade que vai sendo renegada até que uma tragédia dessa se estabelece. O triste disso tudo? Daqui a uma semana vamos lembrar disso como se fosse um filme dramático que foi transposto por outro (afinal não foi um filho nosso que morreu), não vamos cobrar punições, lei, cumprir de responsabilidades… Nada disso! Ao contrário, vamos nos orgulhando deste jeitinho brasileiro, enquanto vamos dando sorte em sobreviver.

Ontem eu também fazia aniversário em uma boate no Rio de Janeiro. Poderia ser comigo. Aliás, há 5 anos, em um outro aniversário meu, estava em uma conhecida casa em Jacarepaguá, o Castelo das Pedras. E, lá, ao começar o funk, uma cascata de fogos se formava no palco (não sei se ainda é assim hoje), depois jatos de fogos cruzavam o salão. Na ocasião havia obra, com tapumes e plásticos separando o local da reforma. Fiquei em pânico e logo procurei ficar mais perto da porta de saída, que assim como no RS, tinha grades de ferros para impedir inadimplência. Apreensiva, fiquei articulando dentro de mim, a grande escapada, que graças à Deus não se fez necessária. Outros jovens não tiveram a mesma sorte.

Centenas de mães esta manhã não tiveram o “Bom dia” dos seus filhos. Como minha mãe poderia não ter tido. Hoje em dia, penso que  a mãe poderia ser eu, que estou com um filho adolescendo em casa, prestes a ganhar o mundo… Estou morrendo sufocada junto com essas famílias. Quero um país de verdade para o meu presente, para o futuro do meu filho, onde subornos e jeitinhos não sejam tolerados, ao menos para morrermos com dignidade.

O resto do post é silêncio.

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Novo temporal de descaso

Mais um verão, mais um temporal e o déjavú dos estragos provocados pela chuva. Só mudam os personagens. Óbvio. Como não se trata de um game qualquer, aqueles que foram não recebem novo direito a sobrevivência. Então, novas famílias devem chorar. E choram esta noite a perda dos seus. Tudo tão idêntico que chego a questionar o conceito de notícia que nos dão na faculdade: algo novo, inesperado como o homem que morde o cachorro. Nada é mais velho que todo este descaso.

E o caso está se complicando. Em 2011, a área atingida foi a Região Serrana, ontem fotos da Tijuca, da Vila da Penha (área nobre do subúrbio Carioca), estouravam no Facebook como pipoca quente. Não é só mais as áreas pobres que estão sofrendo consequências, embora estas, sem dúvida sofram ainda muito mais.

Aqui em baixo, com casas de tijolo e emboço, o rio invadiu também. Sem muita distinção de quanto estamos pagando de imposto não repassado para o bem estar social.

R. Oliveira Belo - Vila da Penha

R. Oliveira Belo – Vila da Penha

Qualquer rua cortada por um valão é uma área de risco; morar diante de um rio é tão grave quanto viver pendurado numa encosta ou num vale inundável aos primeiros pingos de chuva.

Cruzamos os braços, não cobramos e cada dias mais os governos de um jeito prático, cômodo e educado, fecham os olhos para os nossos “valões”, como quem diz  aos cidadãos “é essa merda toda ai que vocês merecem, palhaços”. E já que mais uma vez não tivemos disposição de remar contra esta maré, vamos embora arregaçar as mangas e lavar a lama para fora das casas.

 *foto compartilhada no Facebook. Não localizei o dono do click

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Vivendo o Apocalipse

Eu que nunca saí do país não posso considerar que o choro e “ranger de dentes” programados para o fim do mundo na Bíblia seja já uma verdade a se considerar, mas aqui no Rio de Janeiro, o bicho está pegando: essa questão dos crackudos se proliferando pela Avenida Brasil é uma amostra grátis desse inferno, que mais parece o cumprir da sagrada profecia, por mais afastada de religiões que eu esteja neste momento.

As autoridades apresentam propostas estapafúrdias, como internação compulsória, enquanto somos ameaçados pelos viciados pelas ruas, no dia a dia das cidades. Todo mundo sabe que só se livra de um vício quem quer, quem tem imensa força de vontade e, com o crack, não é diferente. Enquanto isso, eu (e milhares de outras pessoas) pensa em usar “olho por olhos, dente por dente” para se livrar de qualquer ameaça oferecida por esses dependentes. Sim, porque enquanto o direito de ir e vir deles for respeitado, nós cidadãos de bem, estaremos mais coagidos. Ou ninguém percebeu que as crackolândias se proliferam como as sete pragas do Egito?

Retirado do O Globo online

Mesmo sendo uma pacata cidadã, como não despertar esse sentimento? O medo é cada vez mais evidente e,a situação há tempos fugiu do controle. Se todo esse pavor não é mesmo indício do apocalipse, é preciso achar uma saída. As autoridades, protegidas em seus castelos e em seus carros blindados, não parecem levar realmente a sério essa questão que está mais uma vez tirando a nossa cidadania: a nossa e a dos crackudos. Já que não vamos considerar o fato de que todo mundo sabe qual o caminho que a droga leva a percorre, sabe que não vai livrar ninguém de qualquer problema psicológico ou não, bem ao contrário, vai afundar-se ainda mais e, ainda assim cheira a primeira fileira, acende o primeiro cachimbo… Então que, pelo menos, as autoridades se juntem para buscar uma solução a curto, médio e longo prazo, e se controle o caos.

A gente poderia atravessar esta fase imaginando que daqui a um tempo, mesmo que não seja o tempo ideal, teríamos uma solução decente e humana na tentativa de recuperação dos viciados e ,ao mesmo tempo, buscar um jeito de impedir que novas vítimas ficassem comprometidas com a droga e, pelo que estamos vendo, muito fácil de conseguir. Precisamos ser rápidos porque enquanto todos discutem e opinam sobre spray de pimenta, choque elétrico, internação a contra gosto, varredura dos crackudos pra fora da cidade entre outros ideais que como sabemos só vai tampar o sol com a peneira, já apareceu uma nova droga, que mistura crack com qualquer outra coisa e, a situação piora, até o soar da última trombeta.

Isso me lembra quando a dengue provocou as primeiras epidemias, nos anos noventa. Antes de fazer campanha, de encarar os fatos e buscar soluções acadêmicas, científicas ou educacionais para controlar o tal mosquito, discutiu-se, durante muito tempo se o mosquito era municipal, estadual ou federal, aliás, os nossos governantes gostam muito de fazer isso: empurrar o problema pra casa dos outros, ao invés de entenderem que povo é povo e temos direito a saúde, segurança (além de escola, trabalho, comida, etc) em todas as instâncias da federação  Naquele tempo, como agora perdeu-se, muito tempo antes de começar a atacar o problema. E como morreu gente. Neste caso, é ainda pior, porque não morre só o vetor, no caso os viciados, nós, que também estamos limpo e gerando riquezas pro país, e portanto, pros governantes que enchem as burras com o nosso suor, também somos ameaçados com essa situação.

Só sei que os cariocas estão vivenciando o Fim do Mundo. E, sim, há medo. Que Deus nos ampare.

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Outubro Vermelho

Lá fui eu a agência do Santander, aquela que era verde e vermelhou. As perguntas eram todas muito simples, mas em se tratando de sigilo bancário, adivinhei que pelo telefone ou pela web não resolveriam.  Até porque quando escrevo de empresas no blog, o pessoal das mídias sociais, costumam logo entrar em contato para saber o que houve, tentar mediar e remediar o problema, mas não foi o que aconteceu com o dito banco, o que disparou ainda mais meu alerta (dá pra confiar numa empresa dessas?).

Cheguei por volta de meio dia. A única gerente pessoa física já estava com um casal, na verdade, pai e filha, que também estavam passando por uma via crúcis no atendimento desta empresa:

O senhor muito distinto, ao que pude perceber enquanto aguardava em pé para entrar na baia,  tinha uma boa aposentadoria, era um bom correntista, a moça devia uns 4 mil, o papai generoso estava tentando acertar a vida dela (querido, sou órfã e devo quase o mesmo valor, se quiser estender a caridade, até fico esperando mais um pouquinho, pensei). Fizeram um acordo pelo telefone, mas na hora de emitirem o boleto, o fizeram como se ele tivesse pago o IOF (aquele famigerado que ficou no lugar da CPMF) e a dívida continuou existindo.

Bom ai, a gente pensa: se o IOF é um Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, porque eles deviam isso se a dívida não tivesse realmente sido negociada? Pois é, o caso é que a gente pensa, mas o pessoal do Santander, não. Tudo o que pai e filho pediam era que estornassem a situação, emitissem um novo boleto, e caso encerrado. No entanto, como a operação foi feita por telefone, a gerente não podia se meter e, ficavam em ligações intermináveis para a Central de Atendimento, sem resolver nada.

O pessoal que estava a minha frente desistiu de aguardar. Outros foram chegando conforme avançava o horário de almoço e também desistiram. A agência oferece água e cafezinho, mas o tanto de tempo que estava em pé deveriam me oferecer picanha com guarnição, além de xarope de paciência, visto que a minha precisa de reforço.

Foi quando a única gerente disponível levantou com o casal e, finalmente, sinalizou que eu poderia me sentar para aguardá-la. Não, ela voltou com o casal, porque o boleto que o internet banking enviou, depois de 2 horas de choro e ranger de dentes pela correção, estava mais uma vez errado. Continuei sentada, porque afinal de contas, só queria algumas informações.

“Me informa teu CPF, enquanto ela liga”.
“Desculpa, mas estou aqui há algumas horas, cheia de uma paciência de monge tibetano, só que o assunto é confidencial, se não se importa”.
“Senta ali naquela outra mesa, então, que já vou lhe atender”.

Ufa! Alguma cortesia.

A loira veio, se sentou, perguntou meu CPF, puxou minha ficha:

“Não posso fazer nada por você. Sua dívida foi vendida não posso retomá-la”.
“Não estou aqui por isso. O caso é que o pessoal da empresa de cobrança disse que meu nome não seria limpo já na primeira prestação paga…”
Ela já interrompendo, antes que eu concluísse: “Não sei te informar sobre isso, procure um advogado”
“Tá mas… E já que a dívida não é mais de vocês eu poderia reativar minha conta, porque preciso…”
Só um minutinho. Aquele correntista é um dos melhores da agência e estão fazendo tudo errado…”

Pensei com meus botões que um dia também fui boa correntista no Banco Real e, que, embora tenha passado por um aperto ferrenho alheio a minha vontade, que sempre trabalhei muito duro por este país, estava agora reestruturando minha vida. Talvez o Santander fosse gostar de movimentar meu salário, mas… No mundo capitalista é assim, se vale o quanto se tem no bolso e para a loiraça belzebu eu só tinha um documento de uma dívida.

Não bastava o chá de cadeira (de cadeira, não, porque estava há horas em pé esperando por atendimento), ainda tinha que ser humilhada, pensei. 

Continuei sentada na baia por mais meia hora, ao menos agora estava sentada. Ao lado, havia outra baia de um gerente pessoa jurídica, que escorava o queixo com as mãos, parecendo me olhar através. Se só havia uma gerente para atendimento, será que ao menos por coleguismo, não seria possível que ele se inteirasse de casos como o meu que precisa apenas de uma informação?

Depois de todo aquele tempo, sucumbi. Tinha dois cheques que foram devolvidos na época da tragédia no Banco Real, precisava pagar a taxa para limpar também isso, além da informação que não tive. Ou seja, cheguei ao meio dia e saí as quinze pras três da tarde sem ter feito nada, e ainda perdi o meu dia de trabalho.

Vamos fazer a população de palhaços juntos? Agência, Bankfone, internet (que nem tem analista de mídias sociais)… Porque se um bom correntista estava lá cheio de problemas porque o SAC é incompetente, e eu estou reclamando da agência, já dá para ter uma breve ideia do que é esta empresa.

Infelizmente, vou ter que encontrar um novo dia para encarar tudo isso de novo e, de preferência, encontrar um jeito rápido de fazer a portabilidade do meu salário do Santander de volta ao Itaú, que embora tenha tido muitos problemas, sempre foi solucionado de forma rápida e equilibrada para mim, a dona do pouco dinheiro, sem a discriminação do “bom correntista / mal correntista”.

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Hora dos Planos de Saúde

Em ocasião do acidente de Pedro Leonardo (Filho do cantor Leonardo), um amigo postou no Facebook que milagres só aconteciam na rede privada de hospitais, para quem paga um bom plano de saúde, etc. Querem saber? Na minha opinião, milagre mesmo neste país é ser atendido pagando ou não por isso.

Há pelo menos 6 meses estou tentando marcar um oftalmologista pelo plano de saúde caríssimo que eu pago e até agora, não consegui sequer encontrar um especialista que tenha agenda aberta para marcação. Me pedem para ligar não sei daqui quanto tempo para ver se abriu vaga e nada. Já implorei para uma secretária me ligar quando houvesse desistência de qualquer dia ou horário, porque meu problema de vista já está atrapalhando o desempenho do meu trabalho, mas nada também. Assim como os médicos hoje que são vendedores de receitas, suas secretárias não têm o menor carinho ou carisma com o cidadão doente.

Isso quando você consegue falar com alguém. Se for clínicas de saúde, ai você fica horas ouvindo musiquinha como se não houvesse mais nada para ser feito na vida.

A agência reguladora já definiu prazos, os planos de saúde devem saber disto, mas não respeitam. O que fazer? Não tem quem fiscalize.  Temos que reclamar, não com o plano de saúde, porque a resposta infame que dão é que não têm gerência sobre a agenda dos médicos, que não podem fazer nada. Como se não fosse deles a responsabilidade de buscar novos profissionais a aderirem a instituição, como se não tivessem que fazer um repasse maior a classe para que eles se interessem novamente em fazer parte do plano… Temos que reclamar com o órgão regulador, esse que não regula… Quer dizer, se for buscar por isso tudo,  não vou ter tempo de trabalhar para pagar o plano. O jeito é torcer para o governo dar um bom castigo nestes planos de saúde, como o susto que deram nas operadoras de telefonia. A hora é deles.

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