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Plano de Saúde: A saga continua.

Depois de não receber uma resposta a contento para meu problema de falta de emergência pediatria próxima a minha casa pelo plano que pago há anos, voltei a entrar em contato com a ASSIM, questionando onde posso ser atendida nas especialidades ginecologia e oftalmologia.

Detalhe: Trabalho em um hospital do SUS, que não possui atendimento oftalmológico e não quero que um colega meu de trabalho me atenda na ginecologia. Problema pessoal meu! Quem é mulher sabe como é desconfortável ir a um ginecologista, imagina ter que se mostrar na intimidade para uma pessoa que você vai encontrar no refeitório na hora do almoço? Não quero!

Entretanto, não posso dizer ao meu chefe, que também é médico, que vou ter que sair mais cedo para ir a um consultório de ginecologia fazer exames de rotina porque não quero ser “invadida” pelo especialista que temos na casa. Ele, claro, vai vir com discurso que não tem nada a ver, que o sigilo do consultório e que o médico não vê paciente como mulher, etc. Ok. Concordo com tudo, mas não me sinto a vontade.

Portanto, preciso de um médico que me atenda aos sábados. E preciso logo. Primeiro porque estou ficando cega e tenho que renovar carteira de motorista logo no início do ano que vem, segundo porque preciso fazer o preventivo que tem séculos que não faço.

No entanto, quando ligo para as clínicas disponíveis no livro da rede credenciada a resposta é basicamente a mesma: me dão dia e hora para ligar e TENTAR o atendimento. Uma situação vergonhosa, visto que pago plano de saúde e, se faço isso, é para ter conforto e privilégio. Do contrário me despencava para um Posto de Saúde para “TENTAR A SORTE”.

Dia 25/05, às 11h26, relatei em um email toda esta “lenga-lenga”. Dia 27/05, às 17h21:

ASSIM 1

Dia 28/05, às 11:01:

ASSIM 2

Conclusão: Se está difícil para eles solucionarem meu caso, imagina para mim que tenho que trabalhar o dia todo e não tenho tempo de ligar para todos aqueles números?

Depois de quase dez dias me deram retorno marcando uma especialidade em cada sábado. Foi sofrido, mas vou conseguir usar esse plano de saúde pelo menos por hora.

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Assim não se faz saúde

Apenas duas vezes na vida passei sufoco com a saúde do meu filho. Uma dessas foi nesta virada de sábado para domingo. O garoto, com febre de QUARENTA GRAUS, não abaixava nem com decreto da presidente Dilma. E toma antitérmico, e toma banho frio, e faz compressa nas juntas, e faz oração… Nada fazia ceder. O jeito foi apelar para o bom, velho e pouco usado plano de saúde.

Lá fomos nós para o Hospital Balbino, mais próximo aqui de casa, afinal de contas ele estava com espasmos por conta da febre alta de mais. Chegando lá, tivemos a notícia que não se atendia mais emergência pediátrica.

– Mas, olha só, ele não é mais tão criança. Será que um clínico não poderia avaliar, apenas para estabilizar ele para procurarmos outra emergência?

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A recepcionista sem nem olhar na minha cara, jogou no balcão um papel com uma listinha de onde atendiam pediatria e entre os dentes mandou um “não, senhora”.

Agora, atenção aqui você que não tem plano de saúde, bate na porta do SUS, ouve um não e se joga no chão e chama a imprensa porque é um absurdo. Realmente é um absurdo! Mas não se faça de vítima, não. Porque gente como eu PAGA CARO plano de saúde, além de pagar os impostos e tem a saúde negligenciada duas vezes.

Conclusão: Tarde da noite, eu sozinha com um menino de 13 anos, passando mal, e um papelzinho de lugares que indicavam Ilha do Governador, com aquela crackolandia na saída, Tijuca, com a Avenida Brasil inteira a cortar e sem conhecer bem o lugar… Voltei para a casa sem atendimento médico, pedindo a Deus que a febre abaixasse um pouco até o dia clarear e ser menos perigosa a aventura.

Indignada, mando um email para o atendimento Assim. Detalhei o ocorrido e mencionei uma cartinha de Feliz Ano Novo que recebi. Era muito fofa, mas não tinha qualquer aplicabilidade.

“Prezada Sra Fernanda, solicitamos por favor, o reenvio do seu e-mail com nº do contrato e nome completo do titular do plano.”

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Não interessa o nome completo do titular, não importa a matrícula. Importa é a reclamação de um usuário que paga esta merda em dia e NUNCA CONSEGUE ATENDIMENTO. O que você teria a dizer para qualquer um dos seus 400 000 clientes que não estão satisfeitos com o que passaram? É isso que eu quero saber…

De toda forma, informei os dados que eles queriam só para ver o nível da cara de pau.

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“Prezada Sra Fernanda, recebemos seu e-mail e ratificamos nosso interesse permanente em ouvir nossos associados.  Esclarecemos que o Hospital  Balbino encerrou as atividades na urgência pediátrica para todas as Operadoras de saúde.  Desta forma, informamos abaixo locais para atendimento de urgência em pediatria:”

E seguiu aquela mesma listinha que recebi no Hospital Balbino.

 O Engenho de Dentro fica a 19km da minha casa. Botafogo a 24,9Km. A Tijuca a 17Km. E caso não saibam, não dirijo uma ambulância, tenho um carro de passeio 1.0 e sorte a minha! Imagine quem anda de ônibus e precisa socorrer o filho no meio da madrugada?

Entendi que o Hospital Balbino não atende mais pediatria em geral, não precisava que o atendimento me explicasse isso, então, a providência a ser tomada é encontrar na região hospital que queira se credenciar e não deslocar o paciente pra puta-que-pariu-vinte-e-quatro-quilômetros-depois-se-vira-cretina. Se for pra ficar correndo atrás de lugar onde tenha pediatra e batendo com o nariz na porta, deixo de pagar essa porra e fico no SUS. Qualquer emergência gasto só com a gasolina para ir ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, porque lá tem pediatria funcionando (por enquanto). 

Qualquer um que paga plano de saúde o faz para ter tranquilidade. Cadê o diferencial? Não há.

Dizem que eu reclamo de mais. Eu vou reclamar sempre. Quero apenas o que é meu por direito, quero que me entreguem aquilo que meu dinheiro está comprando e aqui no Brasil, somos roubados de múltiplas formas. Eu NUNCA vou ser conivente com isso. Vou continuar reclamando, lutando, e sofrendo porque sei que não vou ver nada mudar.  A Assim que não é fiscalizada (como nada no país é)  não está nem ai para o que penso ou para as minhas necessidades. Mas não vou me calar. No mínimo, desabafo.

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Esperar Sentado

Na ocasião do falecimento do meu pai, entramos com um pedido de alvará para retirarmos uma quantia que havia depositado no Banco Itaú. Poupança de pobre. Sabem como é. Não chega a ser quase nada para cada uma das herdeiras (minha mãe e duas irmãs). Ainda assim, merrequinha nossa, com planos em conjunto para ela. União faz a força, afinal.

Primeiro foi um tal de pagar isso, pagar aquilo, custas disso e mais aquilo. Até o famigerado Imposto de Transferência nos debitaram: R$600,00 assim, de uma hora para outra… Uma merrequinha também se formos pensar no custo de vida do brasileiro, mas justamente por isso, um rombo no orçamento. Quase abrimos mão de receber o dinheiro, por não ter de onde tirar o tal imposto.

Quatro anos depois, abro o site do TJ e levo um susto (bom): A grana está enfim liberada. Ligo para o advogado eufórica e sou informada que ainda não há nada nosso. Precisa ainda ser publicado em Diário Oficial.

– Quando tempo leva isso, doutor?
– Não sei. Você tem algum conhecimento por lá?

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Que justiça é essa me digam? Deixam viúva e filhas em suspenso em um intervalo interminável e ainda pra ser feita com alguma agilidade precisa conhecer alguém?

É uma agressão, um desrespeito. Neste país simplesmente sambam na cara dos cidadãos. Ninguém é capaz  de cumprir os direitos básicos. Meu pai juntou um dinheirinho para nos dar alguma tranqüilidade e o que recebemos é pânico. Sim, porque eu não durmo direito pensando se o banco já passou a mão no que é meu, se um dia vou receber… São entraves e entraves… Não existe briga entre os herdeiros, não há qualquer embargo, apenas a morosidade, a injustiça, a existência de pessoas de má vontade, a espera de que lhe caia alguma migalha para abrir a porta.

Tudo isso, mais uma vez, culpa do jeitinho brasileiro que muita gente se orgulha, mas eu repudio. Essa democracia não me representa.

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Gente Bicho

A gente acha que já viu de tudo e ai vem um crime mais bárbaro que todos os outros já vistos e coloca a gente com o queixo no chão. Pode ser chamado de gente um sujeito que passa 6 horas em uma van estuprando uma jovem, enquanto espanca o namorado da vítima? Os caras só paravam para estourar os cartões de crédito do casal…

E a delegada que poderia ter prendido os tarados violentos se tivesse dado ouvidos a queixa da primeira mulher estuprada por eles, pode ser classificada como humana?

Não vou nem entrar no mérito de que a Van não estaria circulando, se houvesse fiscalização, porque estava irregular. Até porque, não fosse esse veículo seria outro, afinal de contas quem quer o mal até rouba carro para praticar o mal. É ou não é?! Neste caso, aliás, roubo seria o de menos.

O que me choca muito é uma delegada, que estudou, PRESTOU CONCURSO PARA FAZER O QUE FAZ, portanto, escolheu sua profissão e batalhou por ela, vai atender na Delegacia da Mulher e não corre atrás de fazer justiça a outra mulher que foi estuprada.

Esse é o pior dos crimes! Você ser invadida por um cara… Neste momento não estão roubando os seus anéis, estão levando os seus dedos… A sua dignidade humana! E quem deveria lhe proteger, simplesmente dá de ombros.

É tanto horror que até a mãe de um dos animais ficou chocada com o próprio filho.  Até os outros policiais que honram a farda que vestem se disseram comovidos com a história. Quem não sente vergonha de estar na mesma categoria humana de monstros assim (E eu incluo a delegada, hein, porque cumprir com seu trabalho, obrigação do cidadão é o mínimo que se espera)?! Eu, nessas horas, preferia ser um cachorro, um gato, um ornitorrinco…

Foto G1: Para não esquecer a cara dos nojentos

Foto G1: Para não esquecer a cara dos nojentos

Agora indignação mesmo é saber que caso sejam condenados, diante de tanta perversidade,  vão cumprir uma parte da pena e daqui a pouco estão na rua. Ou então, os Direitos Humanos vão ficar de olho nos maus tratos que podem receber na penitenciária… Nos Direitos Humanos que eles roubaram daquela pobre jovem, não, isso ninguém pensa, aliás, nem há como ser devolvido, mas hão de pensar e protege-los.

Esse tipo de gente não é humana. Não tem jeito. Ainda vão sambar na cara da sociedade. Não sou a favor da Pena de Morte, porque não temos competência sequer de assegurar a preservação da vida em uma esticada na night, mas sou a favor da vida! Que nos garantam o nosso direito de ir e vir. Trancafiem os animais em selas próprias pra eles, certifiquem-se que jamais sairão de lá e, quanto a delegada… Minha senhora, com todo respeito, deveriam jogá-la junto com eles para sentir na pele o crime para o qual a senhora fechou os olhos.

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A Zumbilândia é o Brasil

Então, minha irmã envia dois SEDEX, no mesmo dia (28/01), para o mesmo endereço:

O primeiro, EF633224197JP era um livro para minha mãe. Entrou na UNIDADE DE TRATAMENTO INTERNACIONAL – BRASIL no dia 04/02 e chegou a minha casa no dia 05/02. O segundo pacote EG222081151JP, que é bem mais atraente por ser um presente eletrônico do meu aniversário, também entrou na UNIDADE DE TRATAMENTO INTERNACIONAL – BRASIL, no MESMO DIA, mas não saiu.  Depois de algumas reclamações via email e telefone, o tal pacote reapareceu, está aguardando ser retirado na AC Hannibal Porto, no entanto, tenho que pagar R$118,00 para retirar a encomenda.

Em suma, minha irmã pagou os impostos de igual forma, pelos dois embrulhos. Um, que não tem tanto valor de mercado foi corretamente entregue em minha residência, o segundo, querem cobrar novos impostos ou seja lá o que isso representa, porque ninguém explica. Na minha modesta opinião, quando não somos furtados como da primeira vez, somos extorquidos: Pra eu não furtar, me pague resgate.

E, infelizmente, esse é só um dos desmandos.

Nós brasileiros não temos direito a Correios, como não temos a Educação, Saúde, Trabalho digno (porque ninguém fiscaliza as empresas  e os patrões vão excedendo a ordem exploratório capitalista), nem mesmo a moradia apesar dos absurdos impostos que pagamos.

Ninguém protesta de verdade, ninguém se junta para reclamar, para reivindicar, para exigir mudanças e soluções. Tudo vira piada ou desabafo nas redes sociais e para aí. Pior ainda, se você vai contra esse sistema absurdo e questiona de verdade, a quem é de direito, se faz o seu panelaço, embora seja uma panela sozinha, você é o “chato”, como se fosse obrigação sua engolir tudo o que te enfiam goela abaixo.

Cadê as autoridades eleitas para gerenciar essa baderna? Cadê os órgãos fiscalizatórios? Não ficam sabendo desses absurdos? Ou vem deles a ordem de roubar na mão grande o pobre? Esse povo não mora aqui? Não sabem o que fazer? Não são lesados nem um pouco com essa rotina? Nenhum familiar deles é atingido por nada disso? E você? Você acha que faz parte do seu carma aguentar tantos impostos sem nada de retorno? Ou não entende que isso está acontecendo embaixo do seu nariz?

Isto acontece há quantos anos? Desde que o Rio é Rio? É um problema crônico? E por isto será respeitado e jamais atacado ou resolvido? Há um total pelos problemas do dia a dia da cidade mesmo para os cidadãos. O que aconteceu comigo nos Correios de novo, pode acontecer com você neste ou em qualquer outro órgão. Não é só na atual administração. Tem sido assim há décadas. Há uma passividade desconcertante nos brasileiros em geral. Parece até que não é um problema nosso, que está acontecendo longe daqui.

A gente que tem tantos deveres, e que se não cumprir é punido, deveria também querer a dignidade de ser cidadão. Que orgulho é esse que só aparece em Copa? Orgulho de que, minha gente? Sentiria orgulho se não precisasse pagar escola para ver meu filho bem educado. Se não precisasse toda vez que chove encarar catástrofe na rua. Se o meu dinheiro desse para pagar as contas, sem eu ter que me sentir envelhecida, correndo atrás de complementos de renda, porque meu salário é deflacionado e ninguém vê. Teria orgulho se meu presente de aniversário que já foi pago lá no Japão tivesse sido entregue na minha residência sem ônus, como foi cobrado lá para ser. Mas não, eu tenho que comprar de volta o meu presente, sem sequer receber explicação do motivo para isso acontecer.

Mas eu me calo e escrevo no blog, porque se for para rua fazer o que tenho vontade serei a louca agitadora, que não entendo nada de ordem e progresso. Terra de meio mortos, meio vivos!!!

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Morro sufocada

Incêndio mata mais de 200 pessoas em boate no RS.

E é nessas horas que a “corrupção” dói na casa de todos os brasileiros.

Não fosse o (imbecil) do DJ querer fazer pirotecnia sem técnica alguma de modo irresponsável, nada teria acontecido. Ok. Não fosse os seguranças demorarem dois minutos para entenderem o acontecido e ajudarem mais rápido, talvez tivesse saído mais gente? Ok.

Mas o alvará da casa também estava vencido. Será que não houve fiscais batendo a porta? Certamente que sim. E é possível de imaginar que tenham recebido um qualquer para “fechar os olhos”. Esse é o nosso país. E desta forma, empresários vão passando por cima da ordem: portas de emergência fora de padrões, falta de equipamentos de segurança, falta de Brigada de Emergência qualificada, falta de responsabilidade que vai sendo renegada até que uma tragédia dessa se estabelece. O triste disso tudo? Daqui a uma semana vamos lembrar disso como se fosse um filme dramático que foi transposto por outro (afinal não foi um filho nosso que morreu), não vamos cobrar punições, lei, cumprir de responsabilidades… Nada disso! Ao contrário, vamos nos orgulhando deste jeitinho brasileiro, enquanto vamos dando sorte em sobreviver.

Ontem eu também fazia aniversário em uma boate no Rio de Janeiro. Poderia ser comigo. Aliás, há 5 anos, em um outro aniversário meu, estava em uma conhecida casa em Jacarepaguá, o Castelo das Pedras. E, lá, ao começar o funk, uma cascata de fogos se formava no palco (não sei se ainda é assim hoje), depois jatos de fogos cruzavam o salão. Na ocasião havia obra, com tapumes e plásticos separando o local da reforma. Fiquei em pânico e logo procurei ficar mais perto da porta de saída, que assim como no RS, tinha grades de ferros para impedir inadimplência. Apreensiva, fiquei articulando dentro de mim, a grande escapada, que graças à Deus não se fez necessária. Outros jovens não tiveram a mesma sorte.

Centenas de mães esta manhã não tiveram o “Bom dia” dos seus filhos. Como minha mãe poderia não ter tido. Hoje em dia, penso que  a mãe poderia ser eu, que estou com um filho adolescendo em casa, prestes a ganhar o mundo… Estou morrendo sufocada junto com essas famílias. Quero um país de verdade para o meu presente, para o futuro do meu filho, onde subornos e jeitinhos não sejam tolerados, ao menos para morrermos com dignidade.

O resto do post é silêncio.

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Novo temporal de descaso

Mais um verão, mais um temporal e o déjavú dos estragos provocados pela chuva. Só mudam os personagens. Óbvio. Como não se trata de um game qualquer, aqueles que foram não recebem novo direito a sobrevivência. Então, novas famílias devem chorar. E choram esta noite a perda dos seus. Tudo tão idêntico que chego a questionar o conceito de notícia que nos dão na faculdade: algo novo, inesperado como o homem que morde o cachorro. Nada é mais velho que todo este descaso.

E o caso está se complicando. Em 2011, a área atingida foi a Região Serrana, ontem fotos da Tijuca, da Vila da Penha (área nobre do subúrbio Carioca), estouravam no Facebook como pipoca quente. Não é só mais as áreas pobres que estão sofrendo consequências, embora estas, sem dúvida sofram ainda muito mais.

Aqui em baixo, com casas de tijolo e emboço, o rio invadiu também. Sem muita distinção de quanto estamos pagando de imposto não repassado para o bem estar social.

R. Oliveira Belo - Vila da Penha

R. Oliveira Belo – Vila da Penha

Qualquer rua cortada por um valão é uma área de risco; morar diante de um rio é tão grave quanto viver pendurado numa encosta ou num vale inundável aos primeiros pingos de chuva.

Cruzamos os braços, não cobramos e cada dias mais os governos de um jeito prático, cômodo e educado, fecham os olhos para os nossos “valões”, como quem diz  aos cidadãos “é essa merda toda ai que vocês merecem, palhaços”. E já que mais uma vez não tivemos disposição de remar contra esta maré, vamos embora arregaçar as mangas e lavar a lama para fora das casas.

 *foto compartilhada no Facebook. Não localizei o dono do click

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