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O despertar do Guerreiro

Vinte centavos? Não. Digamos que foram os últimos vinte centavos que quiseram nos roubar a gota d’água para o povo tomar as ruas do Brasil. Coisa mais linda de se ver!

Um mundo de gente “Fê da vida” tomou a Cinelândia gritando: “Olê, olê, olê, se a passagem não baixar, o Rio, o Rio, o Rio vai parar”, “vem pra rua, vem, vocês também”. Os prédios do Centro do Rio viraram verdadeiros piscas-piscas gigantescos em sinal de apoio e uma chuva de papel foi surgindo… Senhores, eu vivi para ver o Brasil acordando e ainda nem posso acreditar nisso.

Eu nasci no final da Ditadura Militar e, pude acompanhar pela TV o povo se movimentando em Diretas Já. O Hino Nacional se cantava acalorado, ávido por mudança, pelo direito a esta democracia que o povo até então, não sabia usar. Quando adolescente, vi o povo ir pra rua pedir o Impeachment do Collor, mas de verdade? Nunca me pareceu um movimento do povo para o povo, como aqueles noticiários que vi quando criança. E, já na faculdade, tive a certeza da grande orquestra partidária que comandou a queda do então presidente.

Fonte: O Globo

Fonte: O Globo

Mas esta semana eu acordei com o povo marcando pela internet os pontos estratégicos, pedindo a cor branca em apoio, mesmo para quem não pudesse ir. E eu usei branco. E chorei por este ato democrático, pela esperança de que agora terei um país que realmente não foge a luta e não se cala com os desmandos.

E eu que tantas vezes disse que nosso Che Guevara sairia da Internet, presenciei um movimento apartidário, sem liderança definida. Apenas um monte de gente de saco cheio de ser oprimida, resolveu gritar pro mundo inteiro “chega!”. E, de maneira inteligente, articularam isso na Copa das Confederações, quando a imprensa internacional está aqui dentro do país, aguardando as atualizações.

Claro que teve quebra-quebra, saque, furto… Assim como não se muda a política da noite para o dia, o povo daqui também não ia mudar. Tem muita gente que espera o pretexto de se dar bem. Não seria diferente agora. Enquanto milhões falam de justiça, uma centena quer ainda se dar bem. Desculpem os transtornos! Tem muito a que se mudar neste país, até a filosofia de “jeitinho brasileiro do povo”. Isso demanda tempo. Demanda força. Demanda o prejuízo de alguns. Mas se tudo der certo, será por um bom motivo.

Que o mais importante não se esqueça: O movimento começou na internet, ganhou as ruas e terminará na urna eletrônica. Não vamos votar em ninguém que queira se reeleger ou que já cumpriram mandato em alguma época. Está na cara que nenhum destes nos representa, de outra forma, já teriam usado suas oportunidades para fazer diferença. Agora, sim, estamos de olho.

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Índio quer apito, mas também sabe quebrar

Cerca de 150 estudantes e militantes que são contra a desocupação do antigo Museu do Índio, no Maracanã, na Zona Norte do Rio, foram para a porta da Assembléia Legislativa do Estado (Alerj) na tarde desta sexta-feira (22) para continuar o protesto iniciado pela manhã na Radial Oeste.

Som de disco arranhado, por favor. Para a cena. Vamos à análise (o povo brasileiro não gosta de pensar, mas, às vezes é preciso, né gente?)

Onde estavam esses “manifestantes” antes de se falar na derrubada do antigo Museu do Índio? Enquanto aquilo era apenas um EX MUSEU, invadido por gente que se diz indígenas, ninguém queria transformar o prédio em centro de tradições, ninguém defendia os índios (que não tinham nada que INVADIR prédio público sob qualquer desculpa). Aliás, me corrijam se eu estiver errada, na escola eu aprendi que índio morava em aldeias, tribos, ocas… Não em prédio abandonado, no meio do centro urbano, que é exatamente o que aquela construção representa.

Longe de defender prefeitura, governo e afins, porque esse bando nem tem qualquer defesa, mas será que ali é o local mais apropriado para representar o índio e toda sua diversidade cultural? É esse o espaço que queremos dar as nossas raízes? Se é pra ter um espaço dedicado aos índios, vamos fazer direito, em reserva ambiental, com plantação de subsistência, canoa, terra, mato… Dignidade.

E que se tenha um museu do índio na cidade… É COLOCANDO FOGO NO PRÉDIO que se quer defender que se faz protesto? O povo fica anos calado, com todo tipo de desmando e, quando resolve se fazer ouvir é QUEIMANDO AQUILO QUE SE QUER PRESERVAR?

Foto: G1

Foto: G1

E aí depois reclamam que a polícia invadiu pra conter a balburdia, jogou gás de pimenta e tal. De onde veio aquele sujeito engravatado que disse que a atitude da polícia era “lamentável” na tv? Desde quando índio agora usa terno e gravata? Desde quando essa gente finamente trajada está ocupada e preocupada com os reais interesses dos índios???? O caos ter se instalado, o prédio lambido em fogo, em nome de que mesmo? Desculpa ae, mas lamentável é essa massa de manobra, em prol daquilo que ninguém nunca esteve nem ai!

Nessas horas só me vem a satisfação de trabalhar perto de casa e a insatisfação de ser brasileira!

Quer que o trem melhore? Saqueia as estações, quebra tudo. Quer Museu do Índio? Ateia fogo no prédio! O governo aqui é de mentira, tanto quanto o povo e sua democracia de marionetes, manipuladas por quem eles nem sabem.

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Belo recibo pro povo

Rio –  Por falar em polícia. O deputado estadual Dionísio Lins (PP) quer dar a Medalha Tiradentes para o cantor Belo, aquele que cumpriu pena por associação ao tráfico de drogas. Alguns parlamentares não gostaram da ideia. Fonte: O Dia

Quem disse que meninos maus ficam de castigo?

Quem disse que meninos maus ficam de castigo?

Eu sei que nós, povo brasileiro, não estamos muito habituados a análises. Mas, desta vez, vamos usar o senso crítico? Só um pouquinho?

A Medalha Tiradentes é a mais alta condecoração que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro entrega, uma vez ao ano, a pessoas que prestaram serviços relevantes à causa pública no estado

Vamos esquecer o fato de que os traficantes são pestes piores que Gripe Espanhola na contemporaneidade. Não houvesse as drogas, diminuiria a violência, famílias seriam restruturadas, e mais todos aqueles males que todo mundo conhece. Ele cometeu o crime, pagou pelo que fez. Tudo bem. Mas, ainda assim, o Belo fez o que de bom pelo povo mesmo?

Cantou, quem curte aquele pagode mais ou menos pagou pelo show, comprou CD, DVD, sei lá mais o que… E?

Tudo bem, até entendo, que não deixa de ser coerente que na casa da corrupção do estado do Rio de Janeiro uma pessoa que além de ficha suja, é um perfeito inútil no cenário social, receba uma medalha benemérita. Deve ser algum tipo de corporativismo, afinal. Ou então, é só mais um jeitinho de mostrar como o povo é burro, desatento, patético…

Cada dia mais convencida que o caminho para o sucesso no Brasil  é matar, roubar, destruir e enganar. Meninos maus, por aqui, recebem condecoração. 

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Eleições chegando e…

…Eu penso aqui com meus botões: “Por que o povo brasileiro gosta tanto de eleger figuras que parecem ter saído de uma comédia pastelão?”  Vá lá, rir é o melhor remédio, mas em certas situações o que seria cômico é trágico de mais para meu estômago. Exemplo? O que foi o discurso da Dilma na ONU? Alguém me explica ou contém minhas lágrimas?

Do alto da maior tribuna do planeta, a presidente, primeiro se queixa das medidas adotadas pelos países ricos em defesa dos interesses dos países ricos. Depois, elogia as medidas adotadas pelo Brasil em defesa dos interesses do Brasil, estou errada ou o que é protecionismo lá aqui chamamos de patriotismo? Ela acha que a Organização das Nações Unidas vai se comover com o mimimi de um país subdesenvolvido? O povo brasileiro é abobalhado, lá fora, o discurso é diferente, minha senhora.

E a exaltação a democracia em toda a América do Sul?

Por acaso a Venezuela, a Argentina, a Bolívia e Cuba ficam na Oceania?

Terceira mulher mais poderosa do mundo, em plena ONU, Dilma mostra que sequer entende de geografia.

Alguém avisou para ela que aquela tribuna não era palco do Show de Calouros? Não tem um assessor competente pra afinar esse discurso? Tratar de uma ideologia mais coerente? Ou pelo menos fazer o discurso parecer menos leviano ou infantil?

Por favor, gente! Não vote em palhaço, em jogador de futebol como se isso fosse protesto. Porque não é. Isso é assinar sentença para outras vergonhas nacionais. Precisamos de gente, no mínimo coerente para nos representar. Não troquem seu voto por churrascada,  dentadura e similares vamos fazer diferente uma vez só na vida.

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Caça Níquel perigoso

Em um post não muito distante disse que andava muito “Fê da Vida” com essas lombadas eletrônicas que aparecem do nada em pistas de alta velocidade, só para nos arrancar dinheiro. Mas desse vez, o assunto é ainda mais crítico e não trata-se apenas de uma arrecadação imoral de trânsito, mas de colocar em risco a vida do cidadão.

Nós que pagamos impostos (sem ver qualquer retorno equivalente) deveríamos ter direito a segurança básica, no entanto, todo mundo sabe que a lei é “Salve-se quem puder”. Acontece que a prefeitura do Rio está nos tirando o direito até dessa sobrevivência. 

Aos amigos leitores de fora do Rio (ou que moram na cidade, mas pouco conhecem de área de risco, se é que algum lugar não é arriscado no Rio hoje) o pardal mostrado na foto fica na Avenida Pastor Martin Luther King Junior, entre o morro da Pedreira e a Favela Final Feliz.  Nome sugestivo, né?! Mas se existe uma faixa de gaza no município ela está bem neste ponto.

Tiroteio, assalto, ônibus queimados, movimentos do poder paralelo são uma constante bem neste ponto. E nada disso tem hora para acontecer. Como é que vamos passar neste trecho a 50KM/h?! É colocar nossa vida e nossos bens a mercê da bandidagem.

Lembro que se tivermos um carro roubado/furtado, por exemplo, a polícia não fará qualquer investigação. Bem como se formos mortos num ponto destes,porque reduzimos a velocidade para cumprir a lei, apenas vão fazer o Boletim de Ocorrência e mandar a nós ou a nossos familiares esperarem em casa por uma notícia. Vivi isso (na ocasião do furto do Fefê Fonfom I). Sei bem como é. Eu não sou o Neguinho da Beija-Flor, não sou a Carolina Dickman… Em qualquer tragédia só a minha família vai amargar a dor.

Ainda mais agora, em época de campanha eleitoral, o candidato a reeleição não vai dar a mão a palmatória que errou em colocar bem ai este poste. Simplesmente vão abafar o caso.

E enquanto as autoridades vão tendo um final feliz, eu saio do trabalho todos os dias escolhendo se vou ser assaltada pelos bandidos ou pelos safados de colarinho branco.

Até quando?!

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Não venha a nós porque meu reino ruiu

Não queiram saber o que é trabalhar em uma instituição pública em época de eleição. Quer dizer, em geral, há sempre muitos pedidos, de todos os lados para dar uma “forcinha” nisso ou naquilo, mas em época eleitoral é preciso que tudo pareça muito melhor para fins, digamos, democráticos.

Destaco aqui, que no meu caso em particular, os serviços prestados a população tem muita qualidade, os profissionais são capacitados, a estrutura é sólida e, o grande problema está mesmo quando esbarra no que não tange a gestão, mas o macroproblema político social que não podemos resolver, tampouco há esforços reais desses tais “pedintes” em fazê-lo.

Mas é preciso que se mostre o contrário, ao menos nessa época.

Um certo gabinete, de uma certa figura política muito forte do subúrbio do Rio, todos os dias têm pedidos a fazer: neurologia, ginecologia, cardiologia, cirurgia, exame, curativo, Band-Aid, etc, etc, etc. A secretária, sempre muito simpática liga informando que está enviando e, nós, prontamente atendemos, abrindo assim, a exceção de emergência, em uma instituição de tratamento eletivo.

E se estou sendo o elo disso, se eu também sou povo carente de tantos atendimentos que me são de direito, se eu tenho a oportunidade e se quem tem boca vai a Roma… Vou pedir também.

– Minha sobrinha precisa de escola integral, para a filhinha dela com 7 anos. Temos a escola tal lá perto de casa. Pode me encontrar uma vaga?

– Claaaro, Fernandinha. Peça que ela venha aqui com os documentos dela e da criança que vamos resolver isso para você.

– Fernandinha, ligamos pra escola e não tem vagas. Pedi que sua sobrinha voltasse em Outubro, porque ai pro ano que vem…

[Já interrompi daqui]

– Então, mas essa foi a resposta que ela teve, quando procurou a escola, na ocasião da mudança dela para cá. Achei que vocês encontrariam uma vaga apesar disso, já que é exato o que me pedem do hospital, todos os dias praticamente e eu faço por aqui. Desculpa, mas a sua mão não está lavando a minha.

Não dá para ser povo. Não dá nem para ser suborno. Também não dá para ser idealista. Curral eleitoral da certa figuraça que me desculpe, mas a partir de agora, no que depender de mim, que procure o UPA e que a parceria público-privada de lá funcione tão bem quanto a minha. Não sou obrigada! 

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Sem noção e sem juízo

A Câmara dos Deputados vem tomando decisões que desafiam a nossa santa paciência: Neste mês de julho, a verba de gabinete de cada um dos 554 parlamentares subirá de 60 mil para 75 mil reais por mês. Esse dinheiro é usado no pagamento de salários de assessores que ocupam cargos de confiança.

Relembrando os bons e velhos momentos da Rádio Relógio Federal, “você sabia, que cada deputado pode ter até 25 assessores. Você sabia?”

Enfim: verba de gabinete, é a nova despesa com efeito cascata nas contas oficiais, num momento em que a economia mundial pede socorro.

Ah, é! Esqueci. O Brasil não está no Planeta Terra. Toda essa história de “crise” é só uma marolinha.

Enquanto isso, eu morta de cansada, vendo minhas férias e coloco minha saúde em risco porque não recebo sequer gratificação e a escola do meu filho (que sou obrigada a pagar porque o Estado é incapaz de reverter renda e fiscalizar a educação) estão meses atrasadas. Ainda assim, uso o dinheiro das férias pra isso, mas no próximo mês, não sei como vou pagar as contas. Porque o salário não virá, afinal de contas as férias é um salário que recebemos antecipadamente, mas os boletos das despesas fixas mensais, sim. E tem gente que se orgulha de ser brasileiro. Fazer o que?

Como diria minha avó: “Tem gente que gosta dos olhos, outro da remela.”

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