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Assim caminha a humanidade

E já que o clima é de renascimento…

Há cinco anos eu era apenas uma estudante de Comunicação, que sonhava fazer algo com meu diploma que não fosse pendurar na parede. Eu era uma estagiária de rádio cheia de promissores elogios. Chegar a TV, quem sabe?! Assim, a convite, só pelo meu destaque e belos olhos.

Há cinco anos meu pai era vivo e dizia “calma mocinha, a vida tem que ser no jeitinho”. Eu planejava minha monografia sobre o Twitter e o professor aceitava com muito custo a minha teoria de que a ferramenta não era apenas uma rede social esquisita, sem chance de ultrapassar o Orkut em acessos. Aliás, há 5 anos ninguém passa um dia sequer sem acessar o Orkut. O que me faz lembrar: Meu Deus, ainda tenho um!

Felipe Neto, Restart, ações de publicidade no Youtube. Quem poderia prever? Na faculdade, já se falava de jornalistas terem blogs sérios, mas ainda levaria um tempo. Melhor você usar isso apenas como um modo de fazer seu portifólio. Bem, há mais de cinco anos eu fui encarar a faculdade de jornalismo, porque meu primeiro blog, caricaturizando casos do cotidiano já havia dado certo, mas isso era um submundo, todos os alunos queriam mesmo era a bancada do Jornal Nacional. É. Eu também sonhei com isso.

Há cinco anos eu sonhava muito mais.

Naquele tempo eu tinha um namorado que seria pra sempre. Um namorado meio carioca, meio paulista, nascido no Pará… Sim. O Brasil já era grande e cabia todinho na terra da Garoa. Há cinco anos eu tinha um filhinho de 7 anos para lembrar de escovar os dentes antes de deitar… Certas coisas não mudam mesmo. Quisera que os filhos acompanhassem toda tecnologia. Quisera que o amor fosse como os filhos e durassem pra sempre.

Há cinco anos todo mundo queria um celular pequenininho, pra ficar bem longe daqueles tijolões de outrora. Agora, todo mundo quer um telefone gigante chamado tablet. Faz lembrar o tablete de manteiga, só que é bem maior. Não cabe na bolsa. Muito maior que os tijolões que há cinco anos eram uma vergonha…

Como a vida muda em cinco anos. Como os valores mudam.

O que será de mim em cinco anos?! Sim, porque a sexta-feira é santa, já eu…

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Fazendo História

Com a regravação de O Astro, minha mãe estava aqui outro dia na sala falando do frenesi que as fãs tinham com seus ídolos da TV antigamente. Um papo de serem rasgados na rua, no afã de serem tocados ou serem apedrejados por conta dos vilões diabólicos. Imaginem: Saídos de rádio novelas, onde a imaginação conta mais do que o enredo em sim e de repente desembarcando no sofá das donas de casa… Uma mágica! As pessoas não sabiam administrar, entender que tudo seguia um roteiro, uma sinopse, etc.

Mesmo muita gente achando que o rádio está obsoleto, tem pessoas fiéis, que continuam usando o meio para fazer companhia. Há uns dois anos, mais ou menos, estava fazendo um comentário no rádio, quando o locutor faz uma brincadeira:

– Eu quero saber o seguinte: você ajuda sua mamãe em casa?
– Ajudo, claro. Sou assistente de cozinha
– Ah, é? Você descasca os legumes, separa as receitas?
– Tá doido? Eu chego em casa, me estico no sofá e quando a panela cheira eu grito: Manhêêê, tá queimando!!!

A história foi improvisada, mas rendeu tantas ligações, de gente querendo puxar as minhas orelhas, que a brincadeira persistiu por mais dois dias, em entradas minhas no mesmo horário. Compraram o barulho e não foram só as vovós, não.

E aí, você pensa: O rádio é ouvido por gente mais antiga, que ainda tem aquela imaginação do início. Cumprem fiel pacto ficcional.  E nós que somos jovens com a internet? Todo mundo sabe que por trás de grandes marcas (ou não tão grande assim) tem uma agência de publicidade, um analista de mídias, um profissional capacitado pra nos envolver ou nos responder, mas ainda assim, tem gente que não cai a ficha.

Acham que os “Eduardo e Mônica” aparecem do nada, que garotos são capazes de pular o carro em movimento, e mais todos os virais são comprados como verdade e digeridos por bilhões de pessoas que nem se questionam. Ah, sim, claro, também tem os alucinados que cutucam empresas no FB… Gente, não sei pra que cutucar alguém, que dirá uma empresa…

Voltamos ao tempo da vovó, mas agora nós seremos as vovós que viveram os primórdios virtuais e, assim como nossos antepassados, criamos identidade e vínculo afetivo com os personagens dessa nova forma de trabalhar e entender o mundo. E como tudo caminha muito mais rápido hoje, mais cedo deixaremos de ser História Contemporânea, para ser História (pós) moderna.

O que tem demais? Nada. Hoje estou apenas contemplativa.

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