Arquivo da tag: financiamento

Estuda, menina!

No Brasil é assim, as crianças crescem com o conceito importado de que “tem que estudar para ser alguém na vida”. Daí o moleque cresce e até encontra sistema de cotas, FIES, mas na hora do mercado de trabalho mesmo… Ai, não tem vaga. Quer dizer, até dizem que tem, sim, mas que tem que se qualificar (olha aí o “estuda, menino” de novo), eu devo estar mesmo no lugar errado, na hora errada, na cidade errada, do estado errado, do país nada a ver. Tudo o que encontrei na vida foram vagas que desafiam minha paciência, subutilizam minha mão de obra, para não dizer que me desqualificam.

Dia desses, eu, que sou assessora de imprensa e, portanto, deveria cuidar exclusivamente das divulgações e gerenciamento de crises na mídia da minha empresa, quando muito o trato com as mídias sociais e a Comunicação Interna, passei pelo seguinte desafio: atender às 20h52 uma ligação desconhecida, no telefone de informações a imprensa (isto está bem claro no site) e explicar o que vem a ser “etecetera”.

– Alô?
–  Alô. É que eu preciso tirar uma dúvida e só achei o seu telefone na internet…
– Pois não. No que posso ajudar?
– Minha filha se interna amanhã, recebeu uma lista para levar algumas coisas: pente, escova e pasta de dentes, chinelo, sabonete, shampoo e e-t-c. E-T-C é o que, minha senhora?
– Oi?!

Ela repetiu a lista e voltou a questionar o que seria etc.

– Etecetera, minha senhora. Do latin et cetera, que significa entre outras coisas. Se é uma lista de higiene pessoal, etc é tudo mais que ela achar necessário: hidratante, absorvente, creme pós enxague… O que ela usar pra se limpar.
– Aaaaah, tá. Obrigada, hein. Boa noite.

Então, estou ganhando quanto a mais mesmo pela aula de Português?! Aliás, estou ganhando quanto mesmo pelo plantão noturno? Pelas tarefas extras? Por ter estudado um pouquinho mais?

Aaaaaaah, nada, né?! Obrigada, Brasil por me ensinar a estudar para arrastar minha cruz com mais indignação. Melhor ser desinformada mesmo.

indignada.jpg.

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano

Passagem para o carro novo

Feirões, ofertões, promoções… Este é um bom fim de semana para quem pode comprar ou trocar de carro. #ficadica

O cenário muito favorável se deve ao começo da guerra dos juros em abril. Lembram disso? Começou aqui.

Só que banqueiro não é bobo, minha gente. Baixaram as taxas, coisa mais linda de Deus, mas em contrapartida decidiram segurar o crédito. Claro. Com juros menores o povo não pensa, parte pra se endividar com tudo e não dá pra permitir o avanço dos calotes. Sem contar que quando a esmola é muita o santo desconfia. E era melhor segurar para ver até onde iriam as reduções das taxas.

Se brasileiro não vive sem um carnê (até seria bom, mas com o salário de fome que a gente ganha nem sempre dá para juntar o dinheirinho e pagar a vista) e os bancos seguraram os financiamentos para estudar o novo cenário, as vendas tiveram um freio de arrumação e agora as concessionárias estão precisando esvaziar os pátios.

Já são 370 mil os veículos novos à espera dos compradores e  lojas muito loucas para baterem metas e lucrarem com essa “nova ordem presidencial”.

O ideal é que se possa oferecer a maior entrada possível, com o menor prazo, a fim de conseguir prestações mais curtas e mais leves. Vamos lembrar aqui que os veículos precisam mais tarde de: manutenção, IPVA, seguro… Este último então, é indispensável e vai direto na sua jugular. Eu, por exemplo, não consigo pagar seguro e prestação. Sou uma louca que já perdi um carro que tinha apenas um segredo e investi de novo, de maneira ousada na mesma fórmula. Garanto que é de tirar o sono! Prestações menores, sossego maior: façam o que digo e não o que faço. 😉

O bairro ou a localização da concessionária  é, sim, fator de preço menor. Então, visitem a Intendente Magalhães, com aquelas lojas de automóveis uma ao lado da outra (lei de oferta e procura é digno) . Não fechem negócio na primeira, deixem o vendedor te carregar no colo até que encontre a melhor condição e, só depois, vá comemorar na Barra.

Não tenha vergonha de fazer seu dinheirinho suado render. Valorize o momento. Essa é a dica para o final de semana 🙂

Depois passa aqui e apresente-se como o motorista da rodada. A casa agradece. \o/

1 comentário

Arquivado em Cotidiano

A vista ou a prazo?

Quando meu carro foi furtado lá na Urca minha mãe se apressou a me enfiar em outra prestação. Na época, todo mundo parabenizou: Há males que vem para o bem, não é isso, senhores otimistas? Acabei com um carro melhor, mais novo… A primeira vista realmente um lucro.

Ilusão. Essa foi apenas mais uma mala que veio de trem e vai custar a cumprir seu trajeto até a reta de chegada.

Sim, eu me lembro que na época deveria cumprir Urca/Manguinhos em 30 minutos e isso, com o nosso atual transporte coletivo é inimaginável.

Ainda assim deveria ter pensado melhor. Tivesse esperado mais um mês a Tamoio teria falido e a Fiocruz, não firmado nenhuma das suas promessas profissionais comigo. Conclusão: Hoje teria menos dívida a pagar.

O problema é que ainda impera no país a cultura popular de entrar no financiamento primeiro para ver como pagar depois.

E tem aquela coisa também de ter que fazer o milagre, sabe? Ah, levaram os anéis, mas Deus devolverá em dobro. É. Pode ser. Mas a gente também tem que ter um pouco de juízo, sabem? Quem sonha com um carro de 40 mil reais, por exemplo, pode esperar três anos (ou até menos quem sabe) e pagar à vista, sem financiamento.

O cliente vai precisar investir 1.000 reais por mês em um fundo de renda fixa. Com rendimento de 0,8 por cento ao mês, após 3 anos, lá estarão os 40 mil. No  caso de um financiamento, o carro, sem entrada, terá juros acima de 2 por cento ao mês. No fim das contas e dos mesmos 3 anos, terá sido gasto 85 mil reais, mais que o dobro.

Pode ser que algumas emergências e o salário de fome que a gente ganha deixe você investir um pouco menos mês ou outro, mas não haverá o aperto que eu passo, dispondo de quase metade do meu salário com um bem que se deprecia a cada vez que o tiro da garagem.

Andar a pé ninguém merece, como eu mesma disse transporte coletivo é inimaginável, mas o sufoco que vou passar até o final de 2016 (e o meu carro nem vale 40 mil)  por causa de um ato otimista, não compensa todo o prejuízo que assumi.

Pensem nisso!

1 comentário

Arquivado em Cotidiano

Olhando o próprio umbigo

Já estou até vendo o número de pedras que hão de aparecer por aqui com o que vou dizer, agora. Porque claro que uma tragédia é sempre uma tragédia, mobiliza qualquer um de carne e osso. Mas desde cedo, aprendi que farinha pouca, meus amigos, meu pirão primeiro. Ou, sendo mais precisa, tragédia por tragédia, eu fico mais com a minha.

O Brasil enviou R$15 milhões para ajuda emergencial ao Haiti, tropas, aviões da FAB… Se bobear, embarcam até as cuecas do Lula. E por aqui? Quem resolve o problema? Pode até ser que não tenhamos terremotos em uma escala tão alta, mas temos enchente e deslizamento de terra, que é muito mais fácil de prever. E toda chuva que cai é o mesmo desastre.

Hoje a Defesa Civil pela manhã, havia contado TREZE pontos de deslizamentos na serra Rio-Petrópolis (BR040). Motivo? Chuva e ocupação desordenada de áreas de risco. O presidente não consegue cuidar do seu próprio país e quer fazer pose de bom samaritano para a imprensa internacional.

E Angra dos Reis, o que me dizem? A Secretaria de Educação de Angra anunciou ontem que vai adiar o início do ano letivo na rede municipal para o dia 1º de março. O motivo é que a cidade ainda está em situação de calamidade pública e as escolas, que deveriam receber as crianças, ainda abrigam pessoas desalojadas e doações. Dizem por aí que as pessoas precisam de tempo para se organizar, mas posso pressentir que falta também o vil metal para reconstruírem suas vidas.

Um governo que não cuida da sua tragédia diária vai querer enfiar colher no angu dos outros?! Me parece meio contraditório.

Claro que foram muitos brasileiros mortos no Haiti (e que estavam lá em missão de paz). Óbvio que reconheço que os haitianos são muito mais miseráveis que os brasileiros. Concordo que solidariedade, principalmente em momentos de desespero é preciso. Só que se é para financiar reconstrução, que o presidente comece na construção da dignidade dos seus. O que não acontece por aqui.

5 Comentários

Arquivado em Uncategorized